A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Car Culture

Veja nove modelos da Mercedes-AMG que você provavelmente não conhecia

Nos últimos meses a Mercedes-AMG lançou e vem desenvolvendo tantos carros que às vezes até a gente confunde qual versão é qual. Não é para menos: os caras querem oferecer mais de 40 modelos até o fim do ano que vem. Atualmente somente uma Classe da Mercedes ainda não tem uma versão AMG: a Classe B — que na prática é a minivan da Classe A.

Felizmente hoje o negócio ficou fácil: a Classe A tem apenas a versão 45 AMG (A45, CLA45 e GLA45), as demais classes têm (ou terão) as versões 63 e uma mais básica 43, exceto a Classe S e a G, nas quais a 63 é a “básica” e a 65 é a topo de linha. O AMG GT é outra exceção por ser o modelo próprio da AMG.

Claro, nem sempre foi assim. Por diversos motivos, algumas criações da AMG acabaram esquecidas ou ofuscadas por outras versões mais populares. Como a AMG sempre representou a essência de criar e modificar carros, temos a obrigação de não deixar que o tempo leve a lembrança desses esportivos. Por isso aqui estão nove modelos AMG que você — e muita gente — provavelmente não conhecia, ou não lembrava.

 

190E 3.2 AMG

classic-amgs-jalopnik-004-640x392

Esqueça as versões Cosworth, elas são muito mainstream. A verdadeira joia desta geração é a 190E 3.2 AMG. Baseada no modelo comportado modelo 2.6, o único seis-em-linha da W201, ela foi um dos últimos AMG feitos à moda antiga, quando Aufrecht e Melcher ainda ditavam as regras em Grossaspach.

mercedes190amg3

A receita básica foi aumentar a cilindrada com novos pistões, bielas e virabrequim, instalar novos para-lamas levemente modificados, rodas maiores e suspensão mais rígida. Tudo feito à mão, é claro. Com a nova cilindrada o motor produz 232 cv a 7.200 rpm e leva o Baby-Benz aos 260 km/h depois de acelerar de zero a 100 km/h em apenas 7 segundos. É a AMG em sua mais pura e brutal essência.

E36 AMG W124

classic-amgs-jalopnik-003-640x200

 

O 500E ganhou a fama de super-sedã, mas pouca gente lembra ou percebe que ele nunca foi um AMG propriamente dito. Enquanto a Porsche fabricava esse atleta com roupa de executivo, a AMG fazia algo mais modesto, mas igualmente purista.

w124-amg-e36

Em vez de um V8 escandaloso, a AMG desenvolveu um equilibrado seis-em-linha de 3,6 litros com 280 cv (potência próxima à do motor V8 M119 usado no E420 da época) para aplicar em todos os tipos de carroceria do W124, o que significa que houve cupês, sedãs, conversíveis e peruas E36 AMG. Todas com câmbio manual tipo “dogleg” como deve ser um driver’s car.

1995-Mercedes-Benz-E36-AMG-Front-2

O mais raro deles é o E36 AMG conversível, com apenas 68 exemplares construídos entre 1993 e 1995 — 54 com o volante no lado esquerdo e 14 com o volante no lado direito.

 

E60 AMG W124

maxresdefault

Em 1993, quando a AMG se tornou uma divisão da Daimler-Benz, eles continuaram produzindo seu E36 por encomenda, mas passaram também a oferecer um pacote opcional para o E500. Se você escolhesse o pacote 957 , a AMG equiparia seu Classe E com uma versão de seis litros do motor V8 M119 com 400 cv e 62 mkgf, capaz de levar o super sedã aos 100 km/h em 5 segundos. O nome também era modificado: de 500E ou E500 eles passavam a se chamar E60 AMG.

mercedes-benz_e_60_amg_estate_1

Só que se você procurar pelo chassi, irá pensar que trata-se de apenas um E500 com bodykit e emblemas AMG. Isso porque esses primeiros carros Mercedes/AMG eram modelos prontos que foram enviados para a AMG para modificação. A fabricação própria da AMG, partindo do monobloco limpo, só começou em 1998. Por isso esses carros traziam no VIN Card a informação do pacote 957 – AMG Technology Package.

As exceções são 45 exemplares do E60 produzidos entre 1992 e 1993, que fazem parte de uma série da própria AMG baseada no E500 Limited. Eles tinham menos potência, 376 cv, e também eram pouco mais lentos na aceleração de zero a 100 km/h, precisando de 5,2 segundos para completar a tarefa.

 

S70 e S73 W140

classic-amgs-jalopnik-005-640x264

Sabe aquelas características repetidas quando se fala de um carro alemão? Esse carro tem todas elas elevadas à décima potência. Além de ser sólido como uma rocha, robusto e confiável como um Panzer, ele é tão grande que não pôde ser distribuído pela Europa em trens, e tem um V12 de sete litros que produz 500 cv — potência próxima à do Lamborghini Diablo na época. É tão raro que nem mesmo o Google consegue encontrar muito sobre ele.

s70amg

O que sabemos é que o S600 no qual o S70 é baseado, tinha 445 cv e chegava aos 100 km/h em 5,5 segundos e continuava até os 288 km/h. Com 80 cv a mais, não é exagero pensar em algo próximo dos 300 km/h.

Havia também o S73 AMG, com o V12 que mais tarde iria parar na traseira do Pagani Zonda e do roadster SL73 AMG. A potência era a mesma do 7.0, 525 cv, obtida com comandos de válvulas mais agressivos, pistões com mais taxa e bielas reforçadas, além de um remapeamento da ECU original. Somando o S70 e o S73, fram feitos apenas 112 exemplares sob encomenda e todos eles são pretos.

 

C55 AMG W202

classic-amgs-jalopnik-006-640x426

Você já deve ter ouvido falar do C36 AMG (meu preferido dessa geração) e deve ter fantasiado com o C43 AMG, o primeiro Classe C com um V8, mas um C55 AMG talvez seja novidade para você. Como muitas versões AMG da época, o C55 era um opcional do C43 AMG, e isso significa que você precisava desembolsar uma pequena fortuna para que a AMG fizesse o favor de colocar o motor 5.4 do E55 no seu Classe C.

mercedes-benz_c-klasse_estate_4

Essa quantia é pouco conhecida, mas colecionadores de todo o mundo dizem que chegava a mais de 50% do preço de um C43 AMG. Por isso foram feitos apenas 59 destes C55 AMG — ao menos um deles roda pelo Brasil. Com esses 347 cv, o C55 AMG chega aos 100 km/h em 5,5 segundos e chega aos 300 km/h sem o limitador eletrônico.

 

SL73 AMG R129

classic-amgs-jalopnik-002-640x480

Já falamos dele antes, mas este carro merece ser lembrado sempre que possível. O SL R129 é um conversível maravilhosamente bem projetado, rápido e seguro, geralmente encontrado com motores de seis cilindros, raramente com V8 e ocasionalmente com 12 cilindros. É claro que estes são os mais desejáveis, embora raríssimos.

mercedes-benz_sl_73_amg_5

Apesar de sua raridade, houve quem optasse por enviá-los à AMG para um pequeno upgrade que o transformava no lendário SL73 AMG. Lá o motor V12 de seis litros era modificado para deslocar 7,3 litros e produzir 525 cv. Assim o roadster era capaz de chegar aos 100 km/h antes de você contar até cinco. Sendo um dos conversíveis mais caros de sua época, não espanta que foram produzidas apenas 89 unidades do SL73. Depois, no fim dos anos 1990, esse V12 acabou tornando-se a base do trem de força do Pagani Zonda. Só isso.

 

CLK DTM AMG

2005-Mercedes-Benz-CLK-DTM-AMG-03

Antes do C Coupé Black Series havia o CLK AMG Black Series, o primeiro modelo a destilar a “magia negra” da AMG. Embora ele fosse um pouco mais pesado que o CLK63 comum, o motor de 514 cv e 64,1 mkgf o levava do zero aos 100 km/h em 4 segundos e à máxima de 300 km/h limitada eletronicamente. Só que ele não foi o modelo mais radical do CLK.

2004 Mercedes-Benz CLK 55 AMG DTM Street Version

Em 2004, antes da AMG sonhar com o Black Series, ela produziu uma edição especial do CLK 55 AMG inspirada nos modelos que disputavam a DTM na época. Até o bodykit era praticamente o mesmo dos carros do campeonato, mas em vez do V8 de quatro litros e menos de 500 cv usados por força do regulamento, o CLK DTM AMG pôde usar uma versão ainda mais brutal do V8 5.4 do CLK 55. Ele recebeu um compressor mecânico que levou a potência dos 367 cv para 582 cv.

Além do motor, as bitolas foram alargadas em 74 mm  na dianteira e 110 mm na traseira. Some isso à suspensão de competição e a pneus esportivos, e o carro era capaz de atingir 1,35g de aceleração lateral. Para ir do zero aos 100 km/h, bastava afundar o acelerador por 3,8 segundos e, se você tivesse estrada para isso, ele poderia chegar aos 322 km/h. O CLK DTM AMG foi produzido somente em 2004, e as primeiras unidades só puderam ser compradas por clientes selecionados. Kimi Räikkönen e Jenson Button têm os seus.

mercedes-benz-clk-dtm-amg-cabriolet-05

A AMG produziu ainda 80 exemplares do CLK DTM AMG com teto conversível em 2006. A única diferença além do teto, é a velocidade máxima, limitada a 300 km/h.

 

R63 AMG

Mercedes-R63-AMG-Revealed-Copy

Se soa estranho ver tantos SUVs com a marca AMG, imagine então uma minivan. Pois foi o que a Mercedes fez em 2007. Tudo bem, ela não é exatamente a minivan que você imagina, mas é tipicamente o carro que famílias americanas comprariam para viajar.

Só que mesmo com seu visual de perua inchada, o R63 AMG tem seu apelo: um V8 6.2 de 510 cv e 64,1 mkgf conectado ao câmbio 7G-tronic de sete marchas recalibrado pela AMG para trocas mais rápidas. Com isso a família chega aos 100 km/h em cinco segundos cravados e segue até os 250 km/h, velocidade máxima limitada pela ECU da mamãe. Além disso, o R63 AMG usa o sistema de tração integral 4Matic.

R63

O problema é que o carro acabou ficando pesado demais, e por isso foi mal recebido pelo público e pela crítica, e acabou vendendo pouquíssimo. Foram vendidos apenas 84 exemplares nos EUA e há outra meia-dúzia rodando pelo Brasil — uma delas supostamente pertenceu a Rubens Barrichello — e por isso no fim de 2007 o R63 deixou de ser produzido.

 

Este post foi publicado originalmente em 31 de dezembro de 2013, e foi reeditado com novas informações, imagens e vídeos.

Matérias relacionadas

Depois de um acidente impressionante, pilotos solidários ajudam uns aos outros

Dalmo Hernandes

A incrível história do BMW Isetta que ajudou um alemão a atravessar o Muro de Berlim

Dalmo Hernandes

Este veterano de guerra nasceu antes do Ford T – e aos 110 anos, ainda dirige sua picape no dia a dia

Dalmo Hernandes