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Veja o que acontece quando 103 carros se juntam para fazer o maior burnout do mundo

Todos conhecemos a fama da Austrália: o país continental do outro lado do mundo tem animais assassinos, Crocodilo Dundee e as picapes mais legais do planeta, as Utes. Mas você sabia que os australianos também são fãs de burnouts? Na verdade eles levam esse negócio de fumaça de pneu tão a sério que, no primeiro dia do ano, 103 carros se juntaram para fazer o maior burnout do mundo e defender o recorde do ano passado.

Se você acha que os americanos gostam de torturar os pneus traseiros de seus muscle cars, ficaria surpreso ao ver a paixão dos australianos pelos burnouts. Com seus Holden e Ford das antigas equipados com motores de seis cilindros em linha ou V8, os aussies se reúnem em clubes que organizam até competições de burnouts. Pode reparar: boa parte dos vídeos de burnouts insanos que você vê na internet tem um muscle car com volante no lado errado.

É um destes clubes, o Summernats, que organiza desde 1988 um festival automotivo homônimo que todos os anos reúne cerca de 2.000 participantes para disputar diversas competições — batalhas de potência (há motores preparados que ultrapassam os 1.000 cv), competições de autocross e, claro, burnouts. No ano passado, dez mil pessoas foram assistir a 69 carros queimando pneus e estabelecendo o recorde anterior…

… que foi estraçalhado neste ano, quando nada menos que 103 carros se alinharam, ligaram seus motores, aceleraram sem sair do lugar e cobriram o recinto do evento com fumaça colorida. Foi nada menos que épico:

Normalmente os carros que participam de competições de burnouts não têm freios traseiros ou são equipados com um dispositivo chamado line lock que, como o nome diz, bloqueia as linhas que levam o fluido de freio para a traseira. Seus donos acionam os freios dianteiros ao mesmo tempo em que pisam fundo no acelerador e sobem as marchas para que os pneus girem em falso o mais rápido possível.

Para produzir a fumaça colorida são usados pneus especiais com uma camada de pigmento sobre a banda de rodagem — empresas como a Kumho, a Achilles e a Highway Max fabricam pneus especialmente para este fim.

Em uma competição oficial é preciso seguir algumas regras: o carro não pode sair da área demarcada enquanto realiza o burnout, os pneus traseiros devem estourar e o motor não pode ser danificado, pois a sessão de 90 segundos só acaba quando o participante deixa a arena dirigindo — se não conseguir, está desclassificado.

burnout (2)

 

Os juízes da competição avaliam a quantidade de fumaça, o controle do piloto sobre o carro e, claro, a estética — o capricho nas modificações, na pintura e o conjunto visual do burnout. E quando falamos em visual, não estamos brincando, como mostram estas imagens do fotógrafo Simon Davidson, que acompanha a subcultura dos burnouts na Austrália há vários anos.

Não temos dúvida de que, se alguém for quebrar este recorde, será na Austrália. Agora só precisamos esperar mais um ano para ver quantos carros eles vão juntar.

 

 

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