Edição diária: 18/06/2019
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A velocidade absurda do Porsche 968 de 1.500 cv que venceu o World Time Attack Challenge

Você deve lembrar que, há alguns dias, falamos sobre o World Time Attack Challenge – evento anual realizado em Sydney, na Austrália, no qual Keiichi Tsuchiya iria voltar a competir com um Toyota AE86. A verdade é que, por mais bacana que fosse, o Hachi Roku talvez não tivesse chance de vencer: ele foi inscrito na categoria Open, intermediária em termos de modificações e potência.

A categoria Pro, no topo da “cadeia alimentar”, permite modificações bem mais radicais em termos de suspensão e principalmente aerodinâmica, resultando em projetos muito mais radicais. Como o vencedor: um Porsche 968 com motor de pelo menos 800 cv, além de uma bela pintura inspirada pela Martini Racing. E mais: seu tempo de 1:19,825 ficou apenas 0,7 segundo acima do recorde oficial do circuito.

Desde 2010 o WTAC é realizado no circuito de Sydney Motorsports Park, que na configuração de Grand Prix, que é a utilizada no evento, tem 11 curvas distribuídas em 3,93 km. O recorde absoluto do circuito foi estabelecido em 2007, quando Nico Hülkenberg virou 1:19,1 com um monoposto Lola Zytek durante a edição daquele ano do A1 Grand Prix. Entre os carros de turismo o Porsche 968 da equipe PR Technology, que pertence ao engenheiro austarliano Rob Pobestek, é oficialmente o mais rápido de todos os tempos no circuito inaugurado em 1990.

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A volta foi registrada no onboard abaixo, que é nada menos que impressionante e mostra picos de 266 km/h na reta principal. A tocada do piloto Barton Mawer ao volante do monstruoso 968 é bastante limpa e precisa, do tipo que não assume riscos desnecessários, e o resultado foi a primeira volta “sub 1:20” de um carro de turismo no Sydney Motorsports Park.

Para se ter ideia, o segundo carro mais veloz no circuito foi o Holden ZB Commodore de Jamie Whincup, quevirou 1:29,842 na décima etapa do Supercars Championship (antigo V8 Supercars) em agosto de 2018.

Mas quais são os segredos do RP968 (este é o nome oficial do Porsche) para ser tão veloz? Para começar, o motor: trata-se de um quatro-cilindros de quatro litros (!) feito pela australiana Elmer Racing com bloco, cabeçote, tampa de válvulas, pistões e bielas em billet de alumínio – apenas o virabrequim é uma peça original Porsche, por exigência do regulamento.

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Sobrealimentado por um turbocompressor BorgWarner e gerenciado por uma ECU feita sob medida, o motor – batizado “Thor” pela Elmer Racing – pesa apenas 106 kg (sem os periféricos) e é capaz de entregar mais de 1.500 cv a 8.500 rpm. Isto em configuração para circuitos mistos: uma versão de arrancada pode ser calibrada para entregar até 3.000 cv. A Elmer Racing pode fazer um motor idêntico por encomenda para qualquer um que esteja disposto a pagar a partir AU$ 120.000 (cerca de R$ 318.000 em conversão direta). O câmbio é um transeixo Aisin de seis marchas que, sozinho, custou AU$ 30.000 (R$ 111.000, aproximadamente).

A suspensão utiliza um setup para a categoria GT3 de turismo – e esta foi o motivo que levou o carro a ser inscrito na classe Pro, e não na Open, que era mais restritiva neste aspecto, exigindo um sistema mais próximo do original de fábrica. A mudança permitiu que fossem construídos subchassis tubulares para a dianteira e para a traseira, enquanto a porção central do monobloco foi mantida. Já os freios são originais Porsche, ventilados e slotados, abrigados sob um jogo de RAYS Volk TE37 de 18 polegadas.

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Isto tudo posto, talvez a parte mais importante de um carro de time attack seja a aerodinâmica – é preciso ter um conjunto capaz de gerar a maior quantidade possível de downforce nas curvas e o mínimo de arrasto para garantir velocidade nas retas. E, no caso do RP968, estamos falando de um conjunto desenvolvido por Sammy Diasinis, engenheiro que já trabalhou na Fórmula 1, com passagens pela Williams, pela Caterham e pela Toyota. A enorme asa dianteira possui canards ajustáveis, assim como a asa traseira, e o carro também foi um dos poucos a adotar uma “barbatana” ligando o teto ao topo da asa para melhorar a estabilidade nas curvas.

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Todos os componentes aerodinâmicos foram feitos de fibra de carbono, incluindo toda a seção frontal do carro e os para-lamas alargados, e o resultado é um carro radicalmente diferente de um 928 original.

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Já é a quarta vez que o Porsche RP968 compete no WTAC, e esta é sua primeira vitória. E a PR Technology já começou a trabalhar nas modificações que, se tudo correr bem, o tornarão ainda mais veloz na edição de 2019 do evento. É claro que a gente vai ficar ligado.

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