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Cinema

Velozes e Furiosos: como as cenas deletadas da trilogia original se encaixam na história?

Você sabia que os três primeiros filmes da franquia “Velozes e Furiosos” fazem aniversário no mês de junho? O primeiro, “Velozes e Furiosos” (The Fast and the Furious) estreou nos EUA em 22 de junho de 2001. O segundo filme, “+ Velozes + Furiosos” (2 Fast 2 Furious) foi exibido pela primeira vez em 6 de junho de 2003. Já “Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio” (The Fast and the Furious: Tokyo Drift) foi lançado em 16 de junho de 2007.

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Lembrando desta coincidência, decidimos abordar um aspecto da trilogia original – que, para nós, são os que realmente importam em termos de enredo, de todo modo: as cenas deletadas que, de alguma forma, contam partes da história e ajudam a entender melhor a história e a “família” encabeçada por Dom Toretto (Vin Diesel). São cenas que ficaram de fora da versão final, fosse por conta da duração do filme, fosse por outras razões que jamais conheceremos, mas que ajudam a criar a linha do tempo do filme e explicam certas “brechas” nos roteiros. Veja só:

 

Velozes e Furiosos (2001)

O primeiro filme nos introduz à família de Dom – uma das mais conhecidas gangues de pilotos de rua de Los Angeles, e traz Brian O’Conner (Paul Walker) como policial infiltrado. Sua missão é prender Dom e seus amigos, mas ele acaba gostando da vida de street racer e faz amizade com todos, envolvendo-se com a irmã de Dom, Mia (Jordana Brewster) e tornado-se parte do time.

A maioria das cenas deletadas trata justamente da crescente ligação de Brian com o restante da família – como ele vai ganhando a confiança de (quase) todos no time e vira “um dos caras”. Uma das mais emblemáticas, sem dúvida, é aquela na qual Brian, Dom, Jesse e Leon dão uma pausa no projeto do Supra e começam a conversar sobre a primeira vez em que dirigiram um carro. É quando Dom diz que temos uma vida antes de aprender a dirigir, e outra depois. A cena mostra o elo entre Brian e Dom ficando mais forte, e também mostra o Supra desmontado com as peças todas espalhadas pelo chão.

Segundo boatos, esta cena foi removida do filme por ter uma certa conotação homossexual, com os atores todos sem camisa exibindo músculos sob o sol. Isto nunca foi confirmado oficialmente.

Esta outra cena, na casa de Dom, mostra o momento em que Brian começou a enxergar sua entrada no grupo como algo além de um mero trabalho. Durante um churrasco, ele comenta sobre como é bacana a forma como todos ali são uma família. Também é ali que Vince começa a suspeitar de que Brian é um policial.

Em outras cenas, o relacionamento de Brian com Mia é melhor explorado – na casa de Toretto, ao sair de uma festa, os dois conversam sobre como Dom quer que Mia se torne médica. Brian diz que ele acredita nela, mas Mia acha que Dom só quer que ela cuide dele de graça caso ele bata o carro:

E também há a cena romântica dos dois na praia:

Aqui, Brian encontra Jesse fuçando no Supra logo nas primeiras horas da manhã – ele passou a madrugada inteira tentando resolver um problema no motor do carro. Esta cena é interessante porque dá mais importância ao personagem e ao trabalho de Jesse, e também reforça seu laço com Brian:

Muitas das cenas deletadas mostram um lado mais humano do grupo: os caras conversam sobre os carros e parecem ter personalidades melhor definidas. A edição final conseguiu preservar parte do espírito de camaradagem da equipe, mas cenas como a que colocamos abaixo, com Dom fazendo onomatopeias para descrever o Eclipse que foi destruído por Johnny Tran, fazem falta:

Todos conhecemos o final do filme, quando, logo após a última corrida entre o Supra e o Charger, Brian entrega as chaves do esportivo japonês para Dom, pois “lhe deve um carro de dez segundos”. Mas houve uma cena deletada que mostrava Brian retornando à casa para falar com Mia para pedir desculpas por ter mentido sobre sua identidade.

No fim das contas, esta cena foi substituída pelo prólogo, que mostra Brian viajando de Los Angeles para Miami e comprando um Skyline GT-R R34 no caminho.

Uma das cenas mais importantes, porém, veio depois dos créditos: a sequência na qual Toretto, ao volante de um Chevelle SS, vai para o México para fugir das autoridades. É quando ouvimos sua emblemática fala: “Eu vivo minha vida um quarto-de-milha de cada vez. Nada mais importa: naqueles dez segundos ou menos… eu sou livre.”

Esta cena foi a deixa para Los Bandoleros, curta-metragem lançado em 2009 como um teaser para o quarto filme, “Velozes e Furiosos 4” (Fast and Furious). Em Los Bandoleros, Dom e Han se encontram na República Dominicana – onde Letty Ortiz (Michelle Rodriguez) também aparece, depois de procurar Dom por cinco anos. Os eventos de Los Bandoleros levam ao início de “Velozes e Furiosos 4”, onde o Chevelle é pintado com primer cinza para despistar a polícia.

 

É feita, assim, a ligação entre os três primeiros filmes e os seguintes, que começaram a focar-se mais na ação.

+ Velozes + Furiosos (2003)

O segundo filme explora mais a fundo a cena de corridas de rua em Miami, para onde Brian se muda depois do que aconteceu com Toretto. Lá, ele começa a ganhar a vida como piloto de rua, com a ajuda de Tej Parker (Ludacris), seu amigo e mecânico.

Logo após a primeira corrida do filme, Brian é preso, mas não por muito tempo: ele faz um arranjo com seu ex-chefe na polícia para infiltrar-se em uma gangue de traficantes de drogas usando (claro) carros tunados. A conversa de Brian com o agente que o prende, no telhado de um prédio, acabou deletada. O que é uma pena, pois ela fazia a conexão entre os dois filmes: o agente pergunta a Brian por que ele deixou Dom escapar em Los Angeles, e Brian diz que ele não entenderia. O agente lhe faz uma oferta: ele precisa ajudar a polícia a prender um traficante de drogas internacional na Califórnia. Em troca, sua ficha criminal ficará limpa.

Na Califórnia, Brian reencontra-se com Roman Pearce (Tyrese Gibson), seu amigo de infância que foi preso – e acha que a culpa foi toda de Brian. Os dois acabam envolvidos com a polícia como espiões, para ajudar a capturar um traficante de drogas internacional – usando carros tunados, evidentemente.

Na apresentação de Roman Pearce como piloto de corridas de demolição, a cena que foi para a versão final é um pouco mais curta, a fim de economizar tempo e tornar o personagem mais misterioso.

Fora isto, há muito menos cenas apagadas no segundo filme do que no primeiro – as demais diferem apenas em detalhes daquelas que foram para a edição definitiva, ficando mais curtas para dar agilidade à história.

 

Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio (2006)

O terceiro filme da saga saiu dos EUA e foi para o Japão. Em “Tokyo Drift”, acompanhamos a história de Sean Boswell (Lucas Black), um jovem rebelde que é mandado para o Japão por sua mãe por causar muitos problemas com corridas de rua. É claro que, ao chegar à Terra do Sol Nascente, onde seu pai mora, a primeira coisa que Sean faz é virar amigo de Twinkie (Bow Wow), que o apresenta à cena local de drift. E, claro, logo de cara ele já participa de uma corrida. E ele desafia ninguém menos que Takashi, um piloto de rua que também é envolvido com a Yakuza.

Sean pega emprestado o Nissan Silvia de Han Lue (Sung Kang), e acaba destruindo o carro na primeira curva. Para pagar o prejuízo, ele aceita trabalhar para Han – que, em troca, também lhe ensina a arte do drift. E até compra para ele um Lancer Evolution modificado, preparado e convertido para tração traseira.

Han acaba se tornando uma espécie de Dom Toretto do Japão – ele também tem uma oficina e disputa pegas de drift, e também serve meio que como o patriarca do grupo. Além de Sean e Twinkie, fazem parte Earl (Jason Tobin) e Reiko (Keiko Kitawaga). As cenas excluídas, assim como acontece em “Velozes e Furiosos”, são as que mostram o companheirismo entre o pessoal, e também a relação entre Sean e Neela (Nathalie Kelley), ex-namorada de Takashi, que o deixa para ficar com o novato.

Na cena abaixo, durante a festa de aniversário de Han, Sean está na garagem, fuçando no Lancer. Neela o chama para ir à festa e, depois de uma conversa bem sugestiva, consegue convencê-lo. Mesmo que ele tenha esquecido de comprar um presente – bela forma de agradecer pelo carro novo, não?

Nesta outra cena, na oficina, Twinkie desafia Sean a comer uma porção generosa de Wasabi por ¥ 4.000 (uns R$ 140, em conversão direta). Logo depois, Sean deixa o local e aparece em casa com o Lancer – o que, claro, deixa seu pai bem surpreso.

Nesta outra cena excluída, Earl começa a provocar os colegas, dizendo que nenhum deles serve para o drift. Para dar-lhe uma lição, Reiko e Twinkie o amarram no teto de um Golf e o levam para dar uma voltinha – e Twinkie bate o carro logo em seguida.

Mais perto do fim do filme, depois de vencer a última corrida contra Takashi – ao volante do Ford Mustang com motor RB26DETT – Sean confronta o tio de seu rival, Kamata, chefe da Yakuza. Na versão final da cena, Kamata olha para o Sean e Neela e diz: “vocês estão livres, podem ir embora.” A cena original era mais longa e elaborada: Kamata olha longamente para o casal, acena positivamente com a cabeça e sai sem dizer uma palavra. Ele também ordena a seus homens que levem Takashi, que está todo ferido, de volta para casa. Certamente Takashi teria algumas explicações para dar ao tio.

Logo depois, acontece o que todos sabemos bem: de volta ao estacionamento, Dom aparece com seu Plymouth GTX e revela a Sean que Han era seu amigo, completando a ligação entre os três primeiros filmes.

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