Edição diária: 17/06/2019
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Sessão da manhã

“Villain” é um Mustang 1968 pro-touring com um V8 moderno de 480 cv – e ficou animal!

Não é a primeira (nem segunda, terceira ou quarta) vez que mostramos um restomod aqui. Mas você realmente cansa de vê-los? Se você for como a gente, é bem provável que não – especialmente se for um Ford Mustang 1968 com motor V8 moderno preparado para render 480 cv. Seu nome é “Villain”, e ele foi feito por um pessoal que entende do riscado.

Estamos falando de uma oficina chamada Classic Recreations, que há 14 anos se dedica à arte do restomod – restaurar carros antigos e dar a eles uma nova vida, com componentes mecânicos modernos e visual levemente atualizado. Exatamente o que foi feito neste Mustang 1968.

A maioria dos projetos da Classic Recreations segue uma linha mais clássica, conservando elementos cromados e outras características de design, porém instalando rodas maiores e dando aos carros um visual ligeiramente mais agressivo. Mecanicamente os carros recebem novos motores e outros elementos modernos, como suspensão, sistema de direção e freios.

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O garotão aí em cima, por exemplo, tem um crate engine de 427 pol³ e 550 cv com injeção de combustível, suspensão do tipo coilover na traseira, freios Wilwood, suspensão ajustável do tipo coilover nas quatro rodas e barras estabilizadoras. Bacana, não?

Mas o negócio ficou mais extremo quando a Classic Recreations preparou algo diferente e mais radical para o SEMA 2014: o Villain, um carro criado para divulgar a nova divisão da oficina, a CR Supercars.

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De acordo com o site dos caras, a CR Supercars é dedicada a “construir de forma artesanal supercarros que fundem o visual clássico da era de ouro dos muscle cars com o que há de mais avançado em termos de chassi e motor”. Talvez “supercarro” seja força de expressão, e os caras provavelmente sabem que o Villain não é um supercarro no sentido tradicional da palavra, mas uma coisa é certa: o Villain é o carro com o visual mais radical a sair da oficina da Classic Recreations.

O Villain começou sua vida como qualquer outro carro da CR: era um Mustang de primeira geração em mau estado, do qual foi aproveitado apenas o monobloco. Todo o resto foi feito artesanalmente e, mais importante: em metal – nada de fibra e plásticos aqui.

A dianteira recebeu uma nova grade e a traseira foi toda refeita com uma nova chapa de aço, novas lanternas um spoiler do tipo “rabo de pato”. O carro não tem elementos cromados: maçanetas e molduras das janelas foram pintados de preto, e os para-choques salientes são parte do passado, sendo substituídos por peças integradas.

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Por dentro a situação se repete: apesar de o painel e os revestimentos das portas terem sido mantidos, todos os outros elementos foram substituídos – o Villain tem volante Sparco, novos instrumentos, bancos Procar Evolution, cintos de cinco pontos Camlock, ar-condicionado e CD-Player JVC com alto-falantes Kicker.

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Agora, como de costume, o que importa neste projeto só é notado quando se abre o capô ou se dá um passeio animado. Foi exatamente isto o que Matt Farah, do canal /DRIVE, fez pelas estradas americanas, registrando tudo no vídeo abaixo que também inclui suas impressões sobre o Mustang 2015:

O que se ouve o vídeo todo, praticamente encobrindo a voz do apresentador, é o ronco de um V8 Coyote de cinco litros vindo direto da estante da Ford Racing. Baseado naquele usado no Mustang Boss 302 de quinta geração até o ano passado, o motor entrega 480 cv e, acoplado a uma caixa manual de seis marchas da Tremec (e diferencial de 9” da Strange Engineering, com relação final de 3,89:1).

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Com isto, o carro é capaz de chegar aos 100 km/h em pouco mais de 4,5 segundos. Isso é basicamente o desempenho do Mustang GT 2015, que tem 435 cv de acordo com um teste realizado pela Car and Driver americana, que também fez o quarto-de-milha em 12,9 segundos a 180 km/h.

Nada mau na arrancada, mas o negócio do Villain é mesmo fazer curvas. Para ajudá-lo nessa, a CR Supercars trocou todo o sistema de suspensão por componentes feitos sob medida pela DSE: na dianteira, um sistema ajustável do tipo coilover e, na traseira, four-link, ambos com barras estabilizadoras “maiores do que o necessário”, diz a ficha técnica.

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Completam o pacote freios Wilwood nas quatro rodas, com discos de 13” na dianteira e 11” na traseira (perfurados e slotados) e pinças de quatro pistões, além de rodas de 18×9,5 polegadas na dianteira e 18×12” na traseira calçadas com pneus BF Goodrich de medidas 275/35 e 335/30, respectivamente.

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O resultado, de acordo com Matt Farah, é um carro que “tem o suficiente de um Mustang 1968 para te fazer se sentir especial, e o suficiente de um Mustang moderno para torná-lo fácil e prazeroso de guiar”. Cerca de 140 kg mais leve do que um Mustang 2015, ele também é mais ágil, e o sistema de suspensão atualizado faz com que o carro transmita, nas curvas, confiança que um Mustang original jamais teria.

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É claro que o carro também tem seus defeitos: o carro testado por Farah era um protótipo, e por isso o capô não fechava direito e a suspensão traseira fazia alguns ruídos. Totalmente perdoável, pois de acordo com o apresentador o carro foi montado em pouco mais de um mês para ficar pronto a tempo de aparecer no SEMA Show. A CR garante, porém, que os carros vendidos aos clientes terão montagem de alto nível e que cada carro pode levar até 15 meses para ficar pronto.

O preço? US$ 150 mil  (R$ 455 mil em conversão direta), ou quase cinco vezes o preço de um Mustang GT, que parte de US$ 32.300 (R$ 97.980). Você pagaria?

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