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Voando baixo: os carros com motores de avião mais absurdamente incríveis do mundo

Se há algo que fascina todo e qualquer entusiasta, este algo são engine swaps que colocam motores de veículos maiores em veículos menores — como motos com motor de carro ou carros com motor de avião e afins. Você não curte?

Talvez todos nós tenhamos, lá no fundo, o desejo de ter um carro com motor de avião (ou melhor, aeronáutico), e por isso existem tantos exemplos ao longo da história — famosos e desconhecidos, diga-se. E é por isso, também, que fizemos esta lista com os mais incríveis carros com motor aeronáuticos e similares que existem (ou existiram) no mundo!

 

Packard-Bentley “Mavis”

Um dos membros do Vintage Sports Car Club — um dos maiores clubes de antigomobilismo do Reino Unido, com mais de 7.500 associados — construiu este monstro em 2010 usando um motor Packard 4M-2500, usado em aviões e barcos. Trata-se de um V12 de 42 litros construído na década de 1930 que, com a ajuda de um compressor mecânico, entrega 1.500 cv e 275 mkgf de torque.

Cada cilindro desloca aproximadamente 3,5 litros e tem 170 mm de diâmetro, enquanto o curso dos pistões é de 160 mm. Sem indução forçada, a potência é de 860 cv — para se ter uma ideia, é exatamente o que a Ferrari FXX K consegue com seu V12 de 6,3 litros. Mas nós duvidamos que a FXX K consiga disparar o alarme dos carros à sua volta só com o rugido da marcha lenta…

Quer mais? Dizem por aí que o lendário e imortal Lemmy, frontman do Motörhead, já foi dono do Mavis. Quem mais poderia ser, hein?

 

Brutus

Você sabe que alguém ou algo é lendário e digno de respeito quando só precisa de um nome para falar dele. Por exemplo, o Lemmy, do Mötorhead dispensa o “Ian Fraser ‘Lemmy’ Kilmister”, porque só existe um Lemmy.

Só existe um Brutus — e não se sabe ao certo a sua história. A versão mais aceita diz que, logo após o fim da Segunda Guerra, alguns alemães decidiram dar uma nova utilidade a um dos vários motores aeronáuticos que ainda não haviam sido colocados em aviões — no caso, um V12 de 46 litros construído pela BMW.

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O carro usado como base foi um American LaFrance 1908 — construído por uma das várias empresas que fabricavam automóveis no início do século passado — pois era o maior que os alemães conseguiram encontrar para acomodar aquela usina de 1,8m de comprimento, 1,1m de altura, 87 cm de largura e mais de meia tonelada.

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O motor entrega algo entre 500 e 750 cv a 1.500 rpm (dependendo da fonte que se consultar) e é capaz de rodar tranquilamente a mais de 100 km/h sem ultrapassar os 800 rpm. Tudo isto enquanto ruge como uma besta do apocalipse.

 

Tucker 48

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Agora, nem só de motores descomunais e carros maiores ainda é feito o universo dos automóveis com motores aeronáuticos. O Tucker 48 (conhecido também como Tucker Torpedo) que, muitos dizem, poderia ter mudado a história da indústria automotiva para sempre se não fosse um suposto lobby das outras fabricantes americanas que temiam a concorrência, também usou um motor aeronáutico.

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Originalmente, Preston Tucker imaginou seu carro com um flat-6 de 9,6 litros com câmaras de combustão hemisféricas, injeção de combustível e válvulas atuadas hidraulicamente, não por árvores de comando. O motor se mostrou problemático por todos os estágios de desenvolvimento e, por isso, Tucker decidiu adotar um motor aeronáutico — o Franklin O-335. Também era um boxer de seis cilindros e arrefecido a ar, mas bem menor (5,4 litros), e foi bastante modificado além de receber sistema de arrefecimento líquido.

Infelizmente o Tucker 48 não deu certo — e seu “sucessor”, o Tucker Carioca, também não.

 

Mini Jet

Avançando vários anos no tempo, temos este Mini Cooper com dois motores: na dianteira, o 1.6 turbo do Mini Cooper S — preparado para render 220 cv — e, na traseira, um motor a jato Rolls-Royce Allison 250-C20B que entrega o equivalente a 420 cv. Cada um dos motores move um dos eixos, o que significa que, na prática, o Mini Jet tem 640 cv e tração integral.  Foi construído pela BMP Design, oficina e preparadora especializada no Mini moderno.

Por fora, as únicas indicações de que tem algo estranho neste Mini são o suporte da placa, que é na verdade a saída da turbina, e o teto elevado — feito assim para abrigar as entradas de ar para o motor a jato e uma válvula que fecha estas entradas quando o motor (que fica no porta-malas) não está em uso.

 

Goggomobil com motor radial de 10 litros

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Dentre os microcarros fabricados na Alemanha depois da Segunda Guerra, o Goggomobil é, sem dúvida, o mais cuti-cuti deles — olha só para ele. Fabricada entre 1955 e 1969, originalmente esta belezinha era movida por um flat-2 refrigerado a ar de apenas 250 cm³ (0,25 litro!) — que tinha trabalho para empurrar os 420 kg do carrinho e, por isso, logo cresceu para 300, e depois para 400 cm³. A potência? Não mais que 20 cv…

Obviamente o motor ainda era fraco, mas um alemão chamado Uwe Wulf encontrou a solução. Em 2009 ele pegou um Goggomobil, o depenou inteiro e colocou nele um motor radial de nove cilindros e 10,2 litros construído pela empresa russa Vedeneyev. O chamado M14P produzia 360 cv e foi feito para aviões de caça da década de 1930, não para microcarros (“ah, jura?”), e por isso ocupa todo o espaço que seria destinado ao banco traseiro do Goggomobil.

 

Fiat Mefistofele

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Em 1908 a Fiat decidiu entrar na briga dos Grandes Prêmios (que deram origem à Fórmula 1) com o SB4, que tinha um motor de 18 litros — e foi um dos precursores do Fiat S76, de 1910, que vimos ontem. Foi em uma das corridas que o britânico Ernest Eldridge viu este carro e, assim que surgiu a oportunidade, o comprou anos depois, com o intuito de transformá-lo em um quebrador de recordes de velocidade.

Para tal, ele trocou o motor original por outro, também fabricado pela Fiat, mas para uso aeronáutico. O seis-em-linha de 21,7 litros se chamava Type A-12 Bis e entregava 320 cv a apenas 1.800 rpm — algo impressionante para a época, mesmo que o motor fosse extremamente longo e pesado. Por isso, para acomodar a nova usina de força, Eldridge alongou e reforçou o chassi do carro usando peças de ônibus.

Por causa da fumaça e das barulhentas explosões causadas pelo motor de avião, o carro foi rebatizado como Fiat Mefistofele — o nome de um demônio folclórico alemão que também costuma ser usado para se referir ao próprio Satanás. Em julho de 1924 o Mefistofele se tornou o carro mais rápido ao atingir os 234,98 km/h em Arpajon, na França — recorde que durou apenas 32 dias e, ao que tudo indica, foi o último recorde de velocidade a ser estabelecido em vias públicas.

 

Rolls-Royce Phantom II + V12 Merlin

Tudo em casa: este Rolls-Royce Phanton II recebeu um V12 Merlin, que também era fabricado pela Rolls-Royce e usado em aviões de caça como o Hawker Hurricane. Com deslocamento de 27 litros e absurdos 1.030 cv (dependendo da altitude), é o engine swap com motor de avião perfeito para os mais puristas — e tão insano quanto qualquer outro.

 

Sunbeam 1000 HP

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O Sunbeam 1000HP foi, simplesmente, o primeiro carro na história a atingir os 300 km/h — e com louvor, tendo alcançado os 327,97 km/h em Daytona Beach — um dos primeiros locais onde recordes de velocidade começaram a ser disputados regularmente no ano de 1927.

Esta máquina britânica não tem um motor V12 de 22,4 litros, mas sim dois — um em cada ponta. Com comando nos cabeçotes e  quatro válvulas por cilindro, os dois motores rendiam, juntos, cerca de 900 cv — o “1000 HP” no nome foi uma licença poética que não o impediu de entrar para a história.

 

Blastolene Special

Você com certeza já viu este cara antes — se não foi na TV ou na Internet, foi em Gran Turismo 4, onde seu nome era “Tank Car”. O Blastolene Special foi construído pelo escultor Randy Grubb, que usou como inspiração os antigos carros feitos para quebrar recordes de velocidade no início do século 20. O motor escolhido foi o V12 de um tanque Patton M47 — uma verdadeira monstruosidade de 29,36 litros que entregava, originalmente 810 cv.

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Ao comprar o Blastolene Special, Jay Leno tratou de mandar instalar dois turbocompressores — elevando a potência para mais de 1.600 cv e o torque, para mais de 418 mkgf.  E uma curiosidade: o carro só entrou no game porque os produtores da série Gran Turismo foram até a garagem de Jay Leno capturar o ronco de alguns dos carros. Eles viram o Blastolene Special e o acharam tão fodástico que decidiram incluí-lo no jogo — simples assim.

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Agora, antes que você questione o fato de que o Blastolene Special não tem motor de avião, mas sim motor de tanque de guerra, saiba que até daríamos uma explicação plausível — mas o Tank Car não daria, e por isso nós também não vamos dar. Se reclamar, vamos mandá-lo atrás de você!

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