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Achados meio perdidos

Você não vai encontrar um Fiat Uno Mille Brio tão novo quanto este à venda

O Fiat Uno Mille, versão mais econômica do longevo hatchback, pode ser considerado o primeiro carro popular propriamente dito. Ele foi lançado em 1990, logo após um decreto do então presidente Fernando Collor determinando que carros com deslocamento entre 800 cm³ e 1.000 cm³, pagariam IPI pela metade. O Uno Mille tinha uma versão de 994,3 cm³ do motor Fiasa, e por isso, pagava impostos de 20%, em vez dos 40% das outras versões.

A esta altura você já deve ter sacado que nosso Achado meio Perdido de hoje é justamente um Uno Mille. Mas não se trata de um Mille qualquer.

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O primeiro Mille não media esforços para custar pouco: além do motor menor, ele tinha bancos parcialmente revestidos em vinil (mais barato que tecido), painel sem marcador de temperatura e lhe faltavam as saídas de ar laterais no painel. Itens como servofreio, retrovisor do passageiro, lâmpada no teto, lavador do para-brisa, encostos de cabeça dos bancos e até mesmo câmbio de cinco marchas eram opcionais. De fato, o Mille vinha com o mínimo necessário para ser utilizado no dia-a-dia.

A receita fez sucesso e, e logo as concorrentes trataram de criar suas versões – a Chevrolet com o Chevette Júnior e a Volkswagen com o Gol 1000. E até pouco tempo atrás, os populares despojados ainda eram os carros mais vendidos do Brasil. Em 2014, com a obrigatoriedade dos airbags e freios ABS, os carros mais baratos acabaram ficando mais completos… e o preço aumentou.

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Mas já no início da história dos carros populares houve quem desejasse algo que fosse um pouco menos frugal – ou assim a Fiat acreditava. Foi por isto que, em 1991, a Fiat apresentou o Fiat Uno Mille Brio, primeira série especial do Uno.

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Por fora, a única diferença que se notava em relação ao Mille comum eram as faixas adesivas e o emblema “Brio” nas colunas C. Fora isto, o carro era idêntico a qualquer outro Mille.

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Do lado de dentro, os bancos ainda eram parcialmente revestidos com vinil, mas o tecido é veludo com detalhes vermelhos. Encostos de cabeça e retrovisor direito vinham de série, bem como o volante acolchoado, de aro mais grosso. O motor era o mesmo Fiasa de 994,3 cm³, porém com carburador de corpo duplo. Com isto, a potência subia de 48,4 cv para 54,5 cv e o torque, de 7,1 mkgf para 7,4 mkgf. Ainda não era muita força, mas o motor compensava com disposição para subir de giro e funcionamento suave. E, claro, na economia de combustível: 14,3 km/l na estrada e 10,8 km/l na cidade, de acordo com a fabricante.

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No fim das contas, porém, o Mille Brio não fez sucesso como a Fiat previa – talvez o mercado ainda não estivesse pronto para um “popular de luxo”. Assim, o Mille Brio só durou alguns meses, de junho a dezembro de 1991.

O Mille Brio das fotos está anunciado pela Julio Raridades, de São José dos Campos/SP, e tem uma história bonita: foi comprado zero-quilômetro por uma senhora chamada Inês, que foi a única dona que o carro teve. Ela utilizava o carro regularmente para se locomover nos arredores do bairro do Butantã, em São Paulo, e rodou pouco mais de 80.000 km.

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Oito anos atrás, Dona Inês deixou de dirigir por questões de saúde e o carro ficou aos cuidados de seu filho, que tratou de manter o carro minimamente apto a rodar. Então, o atual vendedor encontrou o carro e realizou uma revisão básica: foram trocados óleos, fluidos, filtros e mangueiras; além das velas, cabos e pneus. Suspensão e freios também foram revisados. Além disso, as calotas e frisos laterais (que não eram originais) foram removidos, a carroceria foi lavada e polida e o interior, higienizado.

Um detalhe muito interessante é que este carro tem alguns acessórios concessionária interessantes: vidros elétricos (com botões no console central), toca fitas Pioneer de época e um conjunto de alto-falantes Blaupunkt nas portas e no tampão do porta-malas. São todos itens de época, e o carro nunca rodou sem eles.

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É uma oportunidade interessante para quem busca um Fiat Mille da primeira leva completamente original – um carro que, embora não seja exatamente um colecionável, certamente tem apelo para o entusiasta certo. O preço não é dos mais baixos, mas também não parece exagerado: R$ 15 mil. Caso tenha se interessado, você pode entrar em contato com Julio pelo celular (12) 9 9770 4724.

[ Julio Raridades ]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! no qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de publieditorial, tampouco de uma reportagem aprofundada. Não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

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