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Car Culture

Você sabia que os carros e motoristas têm santos protetores?

O dia 13 de maio é o Dia do Automóvel — uma data que você provavelmente não conhecia, mas que existe, acredite, há 81 anos, bem antes do discutível Dia Mundial Sem Carro. A data foi criada em 1934 pelo presidente Getúlio Vargas para comemorar a construção da primeira rodovia asfaltada do Brasil — um trecho da atual BR-040 que ligava as cidades do Rio de Janeiro e Petrópolis e foi construído no governo do presidente Washington Luís, aquele do “governar é abrir estradas”. Um presidente petrolhead, como podemos ver.

Os motoristas também têm seu dia: 25 de julho, data escolhida por ser o dia de São Cristóvão, o santo patrono (ou padroeiro) dos turistas e viajantes. Você sabe, santos têm seus trabalhos e o de Cristóvão é proteger o pessoal que cai na estrada. Na verdade, os motoristas, os carros, as estradas, turistas e viajantes têm vários santos. Se você acredita nisso, saberá a quem mais pedir proteção. Se não acredita certamente vai ler este post pensando que nos tornamos o Pastor Contesini e a Igreja FlatOut das Linhas de Chegada, mas as histórias são bem interessantes independentemente de sua crença ou ceticismo.

Segundo a lenda Cristóvão se chamava Reprobus e tinha 2,30 m de altura e “uma face temível”. Com seu porte avantajado ele dedicou sua vida a servir “os homens mais poderosos e corajosos que poderia encontrar”. Serviu ao rei de Canaã e ao demônio em pessoa, mas quando descobriu que o demônio temia Cristo, foi procurar o tal homem.

Obviamente ele não encontrou — Cristo havia sido executado pelos romanos havia 230 anos — , mas encontrou um ermitão cristão e perguntou ao velho como poderia servir o temido Cristo. O ermitão tentou ensiná-lo a rezar, mas o gigante não conseguiu. O velho então sugeriu que em vez de rezar ele poderia trabalhar para Cristo ajudando as pessoas a cruzar um rio no qual vários já haviam morrido tentando atravessar. Em uma das travessias uma criança pediu ajuda, mas no meio do caminho o moleque começou a ficar cada vez mais pesado. No outro lado, já salvos e depois de quase morrerem, o garoto revelou a Reprobus que era Cristo e sumiu. Convertido, ele mudou de nome para Cristóvão (que significa “aquele que carregou Cristo”) e acabou preso pelo imperador romano Décio durante a perseguição aos cristãos. Após várias tentativas de executá-lo, os romanos acabaram o decapitando e, depois de muitos séculos ele foi canonizado e se tornou o patrono dos viajantes justamente por proteger as pessoas na travessia do rio lendário.

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Outro protetor de motoristas é São Ricardo, mas de forma “extra-oficial” uma vez que ele é, na verdade, o padroeiro dos cocheiros. Em alguns países ele é considerado o patrono dos taxistas. O motivo? Segundo a lenda sua família vivia do que plantava na Inglaterra feudal, e ele garantiu o sustento da família conduzindo a carroça para vender a produção no mercado. A lenda conta que ele era um excelente condutor e conseguia chegar a qualquer lugar rapidamente. Seu dia é 3 de abril.

As motos e motociclistas também têm seus patronos e eles são o Beato Sebastião de Aparício e São Columbano. O primeiro, era um colonizador espanhol que viveu no México e construiu uma rodovia de 750 km ligando a cidade do México a Zacatecas. A obra o deixou milionário, mas no fim da vida, depois de perder duas esposas, ele se tornou franciscano e doou todo o seu dinheiro. Seu dia é 25 de fevereiro.

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O outro, São Columbano, foi declarado pelo Vaticano o padroeiro dos motociclistas, mas ele não abriu estrada alguma, apenas teve uma vida itinerante e um tanto rebelde para os padrões da igreja de sua época, o século VII. Ele era irlandês mas viveu na Itália e pela França, causando alguns confrontos com outros membros da igreja e viajando de cidade em cidade. A relação com os motociclistas? Quem sabe? Vai ver o papa João Paulo II assistiu a “Sem Destino” (Easy Rider – 1969) e achou que São Columbano tinha um quê de easy rider. Sua data festiva é 23 de novembro.

Já os mecânicos têm em Santa Catarina sua padroeira — e de uma forma um tanto curiosa. Catarina de Alexandria foi condenada à morte na roda. A roda, como seu nome sugere, era um instrumento circular com raios, onde o condenado era amarrado e recebia golpes de martelo para quebrar seus ossos. Quando todos os ossos estivessem quebrados, o carrasco/torturador literalmente enrolava os membros nas bordas da roda e a pendurava para que o condenado agonizasse até a morte.

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Acontece que Catarina de Alexandria não morreu com a tortura, e por isso ela acabou decapitada. Ela nunca consertou nada, nem cavalgou, viajou ou algo do tipo, mas sempre foi retratada com a roda ao seu lado e por isso acabou adotada como padroeira pelos mecânicos. Sua data é 25 de novembro.

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