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Volkswagen GT Concept, o hot hatch do Gol que a gente sempre quis – mas provavelmente não vai ter

A verdade é que, desde que a terceira e atual geração do Gol foi lançada, lá em 2008, os entusiastas brasileiros sonham com uma versão esportiva. E não é para menos: os modelos GT, GTi e GTS se tornaram verdadeiros ícones entre os esportivos brasileiros, e o modelo atual – em termos técnicos, o melhor de todos – seria uma bela base para um hot hatch.

Só que já se passaram quase dez anos e, surpreendentemente, a Volks jamais investiu em uma versão de apelo esportivo do Gol G5/G6. Até agora.

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O Salão do Automóvel 2016 trouxe a surpresa: o Volkswagen GT Concept, inspirado no clássico Gol GT. E, ao menos no departamento estético, a fabricante acertou a mão.

Começando pela escolha da carroceria, que tem duas portas – opção que só foi incluída na linha em 2012. A equipe de design coordenada por José Carlos Pavone não economizou nas modificações. Do lado de fora, um novo para-choque, maior e mais agressivo, foi instalado na dianteira, com uma enorme entrada de ar e luzes de LED em forma de bumerangue.

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A grade dianteira, em formato colmeia, ganhou um filete vermelho que atravessa toda sua largura e invade os faróis, como no Golf GTI. O detalhe também aparece nas soleiras e no difusor traseiro, que abriga uma saída dupla de escape. Aliás, a traseira também tem elementos exclusivos, como uma moldura preta no para-choque e uma faixa preta entre as lanternas escurecidas – outra referência ao Gol GT original. Aliás, elas estão por todo carro, como no adesivo “GT” no vidro traseiro e nos emblemas espalhados pela carroceria. As grades dianteiras são do tipo colmeia, marca de todo esportivo atual da VW. A carroceria foi pintada na cor Cinza Volcano, e os detalhes tem acabamento vermelho “Lava Red”.

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As rodas de 18”, modelo Serron, são as mesmas do Golf GTE e, ao lado delas, a suspensão mais baixa garante a postura mais agressiva, que também se beneficia das proporções harmônicas da carroceria do Gol de duas portas.

Ao entrar no carro, nota-se que a VW realmente não brincou em serviço. O novo volante tem menor diâmetro, base reta e costuras vermelhas, combinando com todos os detalhes espalhados pela cabine (ou cockpit, como a VW fala no material de imprensa) – incluindo um friso vermelho que percorre toda a largura do painel, como no Gol GT da década de 1980, e também aparece nos revestimentos das portas (que têm um enorme logo “GT” gravado em relevo).

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Os bancos do tipo concha vieram diretamente do VW Scirocco R europeu, mas receberam novo acabamento, com mais detalhes em vermelho e a estampa em degradê cinza que é outra das marcas do Gol GT clássico.

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A Volkswagen é categórica em dizer que o Gol GT Concept é apenas um exercício de design, feito para celebrar a cultura esportiva da marca. Por isto mesmo, nada foi dito a respeito da mecânica. O câmbio, como dá para ver nas fotos, é manual de cinco marchas.

Só que o que eles fizeram de verdade foi mostrar no Salão o Gol que todo mundo quer, e não falta quem ache (nós, inclusive) que eles devem continuar ouvindo os fãs e transformar o GT Concept em uma versão de produção.

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Caso isto ocorra, certamente alguns elementos de estilo serão diluídos, como  asa traseira com LEDs na parte interna e a profusão de elementos vermelhos no cockpit. Isto sem falar nos componentes que seriam inviáveis por questões práticas e econômicas. O lip na dianteira é um exemplo – grande demais, ele ficaria bem no Audi RS3, modelo de nicho de um segmento muito superior. Em um mero Gol, cujo ritmo de uso, queira ou não, seria muito mais intenso, dificilmente ele seria aprovado pelos diretores. E o mesmo vale para outros componentes exclusivos, como os bancos concha e os revestimentos de porta com formato diferente (normalmente, versões esportivas variam em texturas e revestimentos, mas não em forma) – tudo isto deixaria o produto final caro demais.

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Por outro lado mas não faltam opções mecânicas interessantes nas prateleiras da marca. Um Gol GT com motor 1.4 TSI de 140 cv seria perfeito, especialmente para brigar com o Renault Sandero R.S., mas a gente já ficaria satisfeito com o 1.0 TSI de 125 cv, recém disponibilizado no Golf.

Acontece que, ao olhar no estande da VW, voltamos a encarar o mundo real. Ao lado do GT Concept, vemos o que a Volks realmente colocará no mercado: o novo Gol Track, que está de volta com sua suspensão elevada, seus pneus gorduchos e, agora, com a dianteira da picape Saveiro, mais alta e levemente inspirada na picape Amarok (o que, na nossa opinião, prejudica bastante a harmonia do desenho do Gol).

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O motor é o mesmo 1.0 três-cilindros de 82 cv das outras versões, e o pacote de equipamentos é bastante recheado, com ar-condicionado e direção assistida de série. Não deve ser um carro ruim para sua proposta mas, bem, não é o que os entusiastas esperavam. Aliás, nem mesmo o nome da versão é coerente – afinal, quando se lê a palavra track, a primeira coisa que vem à mente é um carro de pista.

Fica claro, assim, quem é que realmente toma as decisões: por mais que mereça aplausos por dar a luz verde para um conceito matador, a Volkswagen segue entregando o que o mercado pede (e aceita): um Gol aventureiro com a dianteira da picape. E isso não deverá mudar tão cedo.

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