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Project Cars Project Cars #93

Volkswagen SP2 1975, Project Cars #93 – a história: o bom filho a casa torna

Salve galera! Meu nome é Danilo Gamarros, 30 anos, e sou formado em manutenção de aeronaves pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tenho um carinho especial por motores boxer e trabalho como fotógrafo. Então se tudo correr como esperado teremos bons debates sobre mecânica regados a belas imagens (com exceção deste post onde a maioria das fotos foi feita com celular).

O SP2

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O VW SP2 foi o primeiro carro inteiramente desenvolvido e fabricado no Brasil, começou a ser projetado em 1970 sob o pseudônimo de Projeto X e sua produção ocorreu entre 1972 e 1976 e foi encerrada com 10.205 unidades. Um esportivo de dois lugares, com motor de 1.679 cm³ de dupla carburação e ventilação “deitada” que produzia 75 cv e levava 13 segundos para alcançar os 100 km/h.

O meu SP2

Meu carro é um SP2 1975, que está na família desde 1999 graças ao sonho do meu pai em ter um exemplar. Ele tinha uma Caravan quatro-cilindros dos anos 1970 (não lembro exatamente o ano) e um conhecido dele tinha esse SP2, mas precisava de um carro maior para poder levar a sogra à igreja, pois a senhorinha não conseguia entrar no baixíssimo esportivo. Acabaram trocando as chaves e o Volkswagen mudou-se para a nossa garagem.

No começo todos lá em casa torceram o nariz para aquele carrinho branco feito apenas para duas pessoas, mas com o tempo eu fui pegando simpatia pelo carro, principalmente por que nessa época eu já sabia dirigir e dava minhas voltinhas pelo bairro.

Em 2002 meu pai comprou outro carro e me deu o SP2, daí em diante aconteceram varias histórias que não vou me estender contando aqui se não eu me empolgo e vai faltar espaço mas tentarei lembrar delas durante os outros posts.

No ano seguinte me bateu a loucura e resolvi reformar o carro, cheguei em casa um dia, desmontei o carro inteiro e fui dirigindo ele todo depenado até a oficina que faria o serviço. Eu disse “faria” por que ele enrolou por uns quatro meses, até que eu percebi que quem estava mexendo no carro era eu — lixei, arranquei massa com talhadeira e troquei o assoalho.

Essa foi minha primeira decepção com o meu branquelo. Injuriado, acabei levando o carro para um galpão da família que estava fechado, e lá continuei meu trabalho de formiguinha lixando e arrancando massa na base do martelo e talhadeira até que veio a segunda decepção: arrombaram o barracão e roubaram o motor.

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Neste ponto da história vale um adendo: na época minha mãe e minha irmã chegaram a mandar uma carta para o Lata Velha do Caldeirão do Huck e, como vocês podem deduzir, graças a Deus não fui selecionado. Em 2005 por indicação de um amigo, levei o carro para um funileiro que estava fazendo um Gol e um Fusca do dono de uma oficina bem conhecida de Curitiba. Veio então minha terceira decepção, o cidadão pôs o carro em cima de um guincho e mandou entregar na minha casa com frete a cobrar e desapareceu, me deixando um prejuízo de uns R$2.500 entre guinchos e adiantamento que fiz pra ele.

Tomado pelo desânimo com o carro e recém-saído de um acidente de moto que me rendeu uma artroscopia e um joelho que de vez em quando incomoda, o carro acabou largado por mais de dois anos embaixo de uma lona no jardim, até que em 2008 um senhor tocou a campainha e perguntou se eu não queria vender. Acertado o preço, foi-se o pobre SP2.

Dois anos mais tarde, em 2010, aquele homem volta a me procurar, para me oferecer o carro de volta pelo mesmo valor que eu vendera a ele, porém já com a lataria já consertada, freios e suspensão novos e algumas peças do motor. Lá fomos eu e meu pai buscar o dito cujo. Meu pai acabou comprando o outro SP2 (1973) do cara, que estava em fase final de restauração.

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Depois disso, o carro ficou oito meses na oficina de um conhecido aguardando um orçamento que nunca foi feito, e voltou para a garagem da minha casa.

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No fim de 2013, finalmente foi dado mais um passo na restauração: ele foi inteiro jateado com granalha de aço, e recebeu uma pintura base pra evitar a ferrugem até o próximo passo da restauração. E eis que o que eu esperava era verdade, um trabalho de funilaria extremamente mal feito, soldas grotescas, ferrugem, amassados cobertos de massa dentre outros.

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Mas desta vez não desanimei. Minha ideia era deixar ele o mais original o possível e dar uma apimentada de leve no motor. Mas de uns tempos pra cá o diabinho gearhead andou brigando com o anjinho do bom senso e me inspirou a transformar o pacato SP2 em um pestinha para uso diário com aspirações a brincar no AIC. No próximo post vou detalhar a ideia do projeto.

That’s all folks!

Por Danilo Gamarros, Project Cars #93

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