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Vovô gearhead: conheça Arthur, que tem 75 anos de idade e um Golf de 600 cv

Você, que gosta de carros e está lendo o FlatOut nesta manhã de quinta-feira: até quando você planeja continuar? Se você frequenta encontros de posto ou participa de track days, vai continuar fazendo depois dos 60, 70, 80 anos? Ou vai sossegar e curtir a vida de aposentado como todo mundo espera que você faça?

Muita gente talvez ache que é cedo demais para pensar nisso. Mas o tempo passa, e mais rápido do que a gente consegue perceber. Então um pouco de inspiração não pode fazer mal – nunca faz.

Arthur mora no Reino Unido e tem um Volkswagen Golf R preparado para entregar cerca de 600 cv. Não é algo exatamente incomum na Europa, onde eles têm a sorte de poder comprar alguns dos hot hatches mais legais já feitos. Acontece que Arthur tem 75 anos de idade e, não fosse pelo carro que ele dirige todos os dias, seria um típico avô britânico – nas roupas, no modo de falar… e no hábito de acordar bem cedo para ir até o mercadinho. A diferença é que, em vez de dirigir o mesmo carro há décadas (como alguns idosos fazem, e merecem aplausos por isto) ou algo mais careta e “apropriado” à terceira idade, ele vai com seu Golf de 600 cv.

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O vovô mais legal do Reino Unido foi encontrado pelo canal do Youtube Living Life Fast, que conversou a respeito do carro e, claro, deu uma volta com Arthur no volante. E ele sabe o que fazer com o carro!

O test drive começa por volta dos 7:00

Arthur conta que comprou o carro há cerca de seis meses, e que depois de três meses andando com ele original – ou seja, com com 310 cv e 42,8 kgfm de torque (estes já a 2.000 rpm), câmbio DSG de sete marchas e tração nas quatro rodas com diferencial Haldex – começou a prepará-lo. Agora, de acordo com Arthur, a potência está em 600 cv aferidos em dinamômetro. Ele ainda não mediu o tempo de zero a 100 km/h e nem a velocidade máxima, mas estamos falando de um carro que, sem qualquer modificação, é capaz de ir de zero a 100 km/h em menos de cinco segundos e seguir acelerando até 270 km/h.

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A modificação principal no motor foi a troca do turbo e de toda tubulação por componentes da britânica Turbo Technics – uma turbina consideravelmente maior, que mal cabe no espaço entre o motor e a parede corta-fogo, e que segundo Arthur ainda é um protótipo e é apenas a segunda unidade deste modelo específico de turbo feito pela Turbo Technics. Todo o acerto do carro foi feito em uma preparadora que, por enquanto, pediu a Arthur para permanecer anônima. Motor e câmbio passaram por uma reprogramação eletrônica, e o carro ainda recebeu um novo intercooler e um sistema de injeção de água e metanol para ajudar a manter a temperatura do ar admitido pelo motor a mais baixa possível. “Ar frio é o segredo, sempre”, diz Arthur.

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Ele também comenta que o conjunto é capaz de render mais do que 600 cv, mas que foi avisado pelo preparador que, caso arriscasse um acerto mais agressivo, as chances de estourar o motor seriam muito altas. O que é ainda menos desejável em um carro de uso diário – o Golf R é o único carro que habita a garagem de Arthur.

Sim, ele usa o carro todos os dias e, admite, de vez em quando dá umas esticadas na estrada – especialmente quando um motorista bem mais jovem do que ele o provoca em uma saída de semáforo. Mas ele nunca disputa rachas nas ruas – só acelera o suficiente para mostrar que sabe o carro que tem nas mãos e o que fazer com ele.

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Arthur diz que já teve outros carros “bem rápidos” ao longo de sua vida e que, aos 75 anos de idade, tem experiência suficiente ao volante para não fazer besteira. Mas não dá muitos detalhes a respeito do passado e prefere e concentrar no presente.

Seu carro anterior era um BMW M135i, cujo motor seis-cilindros turbo de três litros entrega 320 cv originalmente. Ele também foi preparado, seguindo uma receita parecida com a que foi empregada no Golf – um turbo maior e uma reprogramação eletrônica para entregar 565 cv. Mas Arthur diz ter se surpreendido com o fato de o Golf ter exigido menos modificações para ficar mais potente – no M135i, por exemplo, foi preciso instalar injetores de maior vazão, enquanto o Golf só exigiu a troca da bomba de combustível. Os injetores são os originais. Arthur diz que, assim, a preparação do Golf R lhe custou um pouco menos. E ficou ainda mais discreto: rodas e pneus são originais, enquanto o BMW usava pneus mais largos e rodas mais leves que, aos mais atentos, entregavam que o carro tinha pimenta extra.

O próximo passo é colocar o hot hatch para disputar arrancadas – e o primeiro rival deverá ser o filho de Arthur, que dirige uma Audi RS6 Avant. O experiente entusiasta, humilde, acredita que seu carro seja “quase tão rápido” quanto a super perua – que, vale lembrar, usa um V8 biturbo de quatro litros que, na versão Performance, chega a 605 cv e 76,4 mkgf de torque, com um tempo de 0-100 km/h de 3,7 segundos. Mal podemos esperar para ver esta disputa!

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