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Williams FW15C à venda: o Fórmula 1 de outro planeta pode ser seu

O ano de 1993 viu a estreia um dos carros de Fórmula 1 mais avançados da história: o Williams FW15C, carro projetado pelo visionário designer Adrian Newey – que, então, estava no topo do mundo pela primeira vez. Foi por causa deste carro que Ayrton Senna decidiu ir para a Williams em 1994, mas o regulamento da F1 tornou o carro irregular antes que o brasileiro pudesse pilotá-lo. Agora, 22 anos mais tarde, um dos chassi do FW15C está à venda.

Depois de dois títulos de construtores em 1986 e 1987, a Williams acabou superada pela McLaren entre 1988 e 1990, mas reencontrou o caminho da vitoria quando passou a usar os motores fornecidos pela Renault nos carros projetados por Adrian Newey e Patrick Head. Com esta combinação matadora de motor e chassi, a Williams foi a equipe que mais venceu na década de 1990, abocanhando os títulos de 1992, 1993, 1994, 1996 e 1997. Coincidentemente, o ano de 1997 (em que a Williams venceu seu último título) também foi o último com motores Renault e carros projetados por Newey.

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O FW15C é considerado o auge técnico da Williams na Fórmula 1. Ele foi, de uma só vez, o primeiro carro a empregar válvulas com acionamento pneumático, suspensão ativa, freios anti-travamento (ABS), controle eletrônico de tração e sistema de telemetria.

Além disso, ao longo do período em que competiu, o carro teve transmissão manual sequencial, automática e até mesmo continuamente variável (CVT) durante uma sessão de testes. O CVT, embora pareça tedioso para entusiastas, permitiria que o V10 do FW15C estivesse sempre em sua faixa ideal de torque e potência, e teria sido aplicado ao carro em 1993, se a FIA não tivesse banido esse tipo de câmbio.

O FW15C demonstrando seu sistema de suspensão ativa

Como contamos aqui, todas estas inovações foram incorporadas por Adrian Newey ao FW15C depois do sucesso do FW14B, que estreou em 1991, aproveitando boa parte de sua plataforma. Não era para menos: com o FW14B, a Williams venceu 17 corridas nas duas temporadas em que competiu e ainda faturou o título de construtores e também o pilotos, com Nigel Mansell.

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Como contamos no especial sobre a carreira de Adrian Newey, o FW15 já estava pronto para competir em 1992, mas o sucesso do FW14B fez com que a Williams decidisse usá-lo novamente. Assim, Newey teve tempo de transformar o FW15 naquilo que Alain Prost chamava de “uma pequena nave espacial” — o FW15C.

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Prost e Hill foram contratados para substituir Mansell e Patrese em 1993, e puderam desfrutar de um carro com avanços tecnológicos bem além do que as outras equipes tinham — por exemplo, um botão que poderia ser pressionado durante as ultrapassagens (o chamado push-to-pass) que, ao ser acionado, levantava a suspensão do carro para anular a downforce produzida pelo difusor e, assim, aumentar a velocidade do carro.

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Com o FW15C, Prost e Hill venceram nada menos que dez das 16 corridas da temporada. Seu desempenho avassalador levou a FIA a banir todo o tipo de “assistência eletrônica ao piloto” para a temporada de 1994 — o que, não por acaso, na prática tornava todas as inovações tecnológicas do FW15C proibidas.

Desse modo, seu sucessor, o FW16, era em essência um FW15C com aerodinâmica revisada e recursos técnicos mais tradicionais — o que acabou não apenas com sua superioridade, mas também exigiu que o acerto do carro fosse completamente retrabalhado. Ao descobrir as deficiências do FW16, Ayrton Senna teria dito algo como: “P*ta merda, bem na minha vez c*garam no carro”.

O fato é que, 22 anos depois de correr, o FW15C de chassi 02, número zero — carro que foi pilotado por Damon Hill na temporada de 1993 — está à venda.

Foi com ele, Hill conseguiu alguns marcos em sua carreira: sua primeira pole position (o Grande Prêmio da França) e sua primeira vitória (o Grande Prêmio da Hungria) foram conquistados exatamente com este carro. Também foi com esse carro que o herdeiro de Graham Hill — que se tornaria o único filho de campeão mundial a vencer um Mundial — superou Senna pela primeira vez. Assim, o mínimo que se pode dizer é que o novo dono deste carro adicionará a sua coleção um pedaço importante da história da Fórmula 1.

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As vitórias de Damon Hill em 1993

O anunciante é a oficina britânica Cars International, especializada em carros esportivos clássicos e exemplares de competição históricos. E não estamos falando de uma empresa qualquer: a Cars International está trabalhando em parceria com a Williams, que através de seu programa Williams Heritage, restaura e mantém seus carros de competição mais importantes em condições impecáveis, pronto para serem vendidos a colecionadores do mundo todo.

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Enquanto a Cars International fornece a mão de obra, a Williams oferece os serviços dos engenheiros, mecânicos e técnicos para garantir que os carros estejam sempre imaculados, com a mecânica em ordem (e em condições de correr) e, mais importante, exatamente como eram quando competiam. O FW15C de Damon Hill — é o primeiro, mas a Cars International afirma que já está trabalhando em cooperação com a Williams para colocar outros carros à venda breve.

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E quanto ele custa, afinal? Dizem que, se você precisa perguntar, não pode pagar, mas nesse caso é inevitável: é preciso entrar em contato com a Cars International para descobrir, mas não espere um valor com menos de sete dígitos.

 

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