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Car Culture

Wörthersee 2015: os conceitos do Golf que a Volkswagen preparou para o evento

O ano de 2016 marcará os 40 anos do Golf GTI, mas a Volkswagen parece ter resolvido adiantar as comemorações para agora: na edição de 2015 do Wörthersee. Isto porque o evento, além de todos os carros dos entusiastas que lotam a beira do lago na Áustria, a Volks levou uma bela seleção de conceitos do Golf – afinal, que melhor lugar para mostrar novas ideias do que a maior reunião de fãs da marca?

Nos dias que antecederam o Wörthersee e no primeiro dia do evento a VW não revelou muita coisa, mas agora os detalhes dos conceitos foram divulgados. Nós vamos conhecer cada um deles agora, além de dar uma olhada nos conceitos que outras preparadoras – mais especificamente, a ABT e a Oëttinger — também apresentaram no festival.

 

Golf GTI Clubsport

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Este, provavelmente, é o único conceito que tem chances reais de se transformar em um modelo de produção. O GTI Clubsport é baseado no GTI “comum” e traz o mesmo quatro-cilindros de dois litros turbinado, porém calibrado para entregar 265 cv — um ganho de 35 cv. Além disso, um botão de overboost deverá aumentar a potência em cerca de 10%, chegando a 290 cv, por um curto período.

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A Volkwagen diz que o GTI Clubsport é um conceito muito próximo do produto final, cujo lançamento no ano que vem já é dado como certo. As modificações estéticas são relativamente simples, mas fazem diferença: o para-choque dianteiro é totalmente novo, com defletores de ar maiores e um splitter; a traseira recebeu um novo difusor e um spoiler funcional no teto; as rodas de 19 polegadas são exclusivas, modelo “Bresica”, o teto é pintado de preto, e uma faixa lateral remete ao primeiro GTI, de 1976.

O interior também recebeu atenção, com revestimento de Alcantara e costuras vermelhas nos bancos concha, de visual bastante ousado e apoio lateral ainda melhor; nos painés de porta e no volante de base chata, que também traz a famosa marca das “12 horas” na parte superior. O câmbio, para alegria dos puristas, é manual, e a alavanca traz a clássica manopla em forma de bola de golfe.

A Volkswagen garante que a grande maioria destes itens (incluindo os bancos) estará na versão de produção do Golf GTI Clubsport, porém não disse a que altura de 2016 o carro será lançado. Uma coisa, porém, é certa: ele será o GTI produzido em série mais potente de todos os tempos.

 

Golf Variant Biturbo

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Há um culto cada vez maior às peruas esportivas — talvez porque, como tudo que começa a desaparecer, elas se tornaram ainda mais atraentes aos olhos de um entusiasta. Assim, é natural que você acabe olhando com bastante carinho para uma perua com dois turbocompressores, como o Golf Variant Biturbo, um dos dois conceitos feitos por aprendizes que a Volkswagen levou para o Wörthersee.

É bem provável que você saiba que, no Brasil, apenas veículos de carga e transporte coletivo podem usar motores a diesel, o que nos priva da diversão de poder acelerar um carro com motor torcudo, ronco agressivo e consumo de combustível bem moderado como os europeus podem fazer.

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Curiosamente, os europeus têm certo preconceito com esportivos a diesel. Por exemplo, por mais desejável que seja o Golf GTD, versão esportiva com um 2.0 TDI de 184 cv e 38,7 mkgf de torque, ele não é considerado um esportivo “de verdade” lá no Velho Mundo. E mais: ele ainda por cima é vendido como perua — o Golf GTD Variant. É justamente neste carro que é baseado o Golf Variant Biturbo, criação conjunta de 14 estagiários da equipe de engenharia da Volkswagen em Zwickau, Alemanha.

Ao melhor estilo hot rod, os aprendizes retiraram o motor original e colocaram em seu lugar o 2.0 biturbo usado no Passat Variant, que é capaz de desenvolver 240 cv e 51 mkgf de torque. O sistema de tração integral 4Motion do Passat também foi instalado no Golf, embora a transmissão DSG de dupla embreagem e sete marchas pareça ter dado lugar a um câmbio automático convencional. A VW não forneceu dados de desempenho, infelizmente, mas considerando que o Passat chega aos 100 km/h em seis segundos, dá para imaginar que, sendo mais leve, o Golf Variant Biturbo seja ainda mais veloz.

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Esteticamente o carro recebeu pintura na cor azul “Alor Blue” com faixas em preto perolizado e novas rodas. Por dentro, o interior foi customizado para acompanhar as novas cores da carroceria, com couro azul e preto nos bancos e painéis de porta. O porta-malas traz uma prateleira deslizante, enquanto o revestimento do teto foi decorado com um motivo “céu noturno” que inclui um mapa do estado da Saxônia, onde fica a fábrica de Zwickau.

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Apesar de ter um visual que, para alguns, pode ser chamativo demais, gostamos bastante do conceito (olha o stance visto de traseira!) e certamente adoraríamos acelerá-lo.

 

Golf GTI Dark Shine

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Outro conceito feito por estagiários, o GTI Dark Shine é ainda mais radical. É um show car, sim — condição logo denunciada pelo esquema de pintura em dois tons e pela suspensão preparada, mas no quesito performance é que ele mostra a que veio. Fabricado por uma equipe de 13 aprendizes que inclui dois técnicos em pintura, quatro técnicos em interiores, quatro técnicos em mecânica e eletrônica automotiva, um designer de mídia e dois técnicos especializados em engenharia de plásticos e borracha, o GTI Dark Shine é uma verdadeira demonstração do que uma equipe tão jovem (os garotos e garotas têm entre 19 e 23 anos) consegue fazer.

Indo direto ao ponto: um motor 2.0 turbo capaz de entregar nada menos que 395 cv e 49,7 mkgf de torque (números bem próximos do Golf R400, diga-se), o que significa que o Dark Shine é um caso de all show, all go. Novamente, não há dados de desempenho, mas sabemos que o R400 é capaz de chegar aos 100 km/h em menos de quatro segundos com máxima de 280 km/h. Com só 5 cv a menos, o Dark Shine não deve ficar muito atrás.

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Seu nome, como não é difícil presumir, vem da pintura bicolor nas cores cinza “Daytona Grey” e amarelo perolizado “R-yellow”, toda feita e polida de forma artesanal. A temática se repete no filete da grade (que no GTI é vermelho) nas rodas cinza e nas pinças de freios amarelas. Por dentro, o couro dos bancos Recaro é cinza enquanto as costuras e detalhes no acabamento, como os raios do volante e as molduras dos instrumentos e saídas de ar, são amarelos.

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O toque tuning fica pelo sistema de som que, com oito alto-falantes distribuídos pelo interior e três subwoofers no porta-malas, tem potência total de 3.500W. O subwoofer central é iluminado por LEDs e o amplificador fica em um compartimento no assoalho do porta-malas, coberto por uma tampa de vidro, e todo o sistema é gerenciado por um aplicativo em um tablet.

 

Golf GTE Sport Concept

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Agora, o conceito mais radical que a VW levou para o Wörthersee foi o GTE Sport, um Golf híbrido com visual futurista e desempenho de supercarro: 0 0-100 km/h do híbrido de 400 cv é de apenas 4,3 segundos, com máxima de 280 km/h.

Seu visual segue a linha de outros conceitos recentes baseados no Golf que dificilmente se tornarão realidade, como o Design Vision GTI de 2013 e os carros para Gran Turismo 6: carroceria toda feita de fibra de carbono é mais baixa e larga, perfil mais próximo do chão e entradas de ar nas laterais. A dianteira, porém, parece adiantar o aspecto do Golf com a nova identidade visual da Volkswagen, já empregada no novo Passat.

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O interior é tão futurista quanto o lado de fora, com cockpit dividido por um enorme console central e bancos concha. O volante lembra os usados na Fórmula 1 e fica na frente de um cluster totalmente digital. O lado do passageiro também tem um pequeno display capaz de mostrar em tempo real dados de funcionamento do carro, como a velocidade, as rotações do motor e a marcha usada no momento.

O grande segredo do GTE Sport, obviamente, está no conjunto mecânico, que usa um motor a combustão e dois motores elétricos. O primeiro veio direto do Polo que compete no WRC: um quatro-cilindros de 1,6 litro com turbo, 300 cv e 40,8 mkgf. Os motores elétricos entregam 115 cv cada e são instalados na dianteira e na traseira, um em cada eixo. O motor dianteiro entrega 33,5 mkgf de torque e o traseiro, 27,5 mkgf.

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O GTE Sport pode rodar movido apenas pelos motores elétricos ou, obviamente, por todo o conjunto propulsor. Nesse caso, a potência total é de 400 cv e o torque, de 68,3 mkgf — moderados pela transmissão DSG de dupla embreagem e seis marchas.

 

Bônus: ABT e Oettinger

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Não foi apenas a VW que levou carros para o Wörthersee: as tradicionais preparadoras alemãs ABT e Oettinger também marcaram presença, cada uma com um Golf preparado e modificado.

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A ABT pegou um Golf R (que já é um belo carro, com 300 cv e tração integral) e o transformou no ABT 400. Como você já deve ter deduzido, a potência do 2.0 TSI passou de 300 cv para 400 cv, enquanto a carroceria recebeu um chamativo envelopamento verde e grafite (notou como o bicolor anda com força entre os conceitos nos últimos meses?), além de rodas de 20 polegadas com as mesmas cores.

A ABT também instalou um novo sistema de escape menos restritivo com saídas de 102 mm de diâmetro, grade personalizada e faróis com aplique do tipo “bad boy” na cor da carroceria.

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Já a Oettinger foi ainda mais radical. Já mostramos uma prévia do Golf 500R aqui, mas é a primeira vez que ele aparece em público. Seu maior atrativo é o motor: em vez do 2.0 TSI de 300 cv, o Golf R agora exibe orgulhoso em seu cofre o 2.5 TSI do Audi TT, preparado para entregar nada menos que 518 cv e 69,3 mkgf de torque graças a um turbo maior e à ECU reprogramada. Acoplado à transmissão DSG de sete marchas, o motor leva o 500R aos 100 km/h em 3,4 segundos com máxima de “mais de 300 km/h”.

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Para frear o bicho, a Oettinger instalou discos perfurados e ventilados e pinças de seis pistões nos quatro cantos. As rodas são da ATS, de 20 polegadas, e calçadas com pneus Dunlop Sport Maxx de medidas 275/25.

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Por dentro, a habitual combinação de bancos concha e Alcantara se faz presente, com o volante de base reta revestido no mesmo material. O diferencial fica pelos apliques laranja e pelo acabamento do painel, que troca o preto brilhante de fábrica por um criativo padrão com os emblemas de marcas icônicas de lubrificantes, combustíveis e peças de alta performance.

Por fora, o laranja reaparece em detalhes na carroceria cinza, mas a principal mudança é o body kit com para-lamas que aumentam a largura do carro em 10 cm, dando ao 500R uma postura bem agressiva.

Agora, nos diga: qual foi o seu Golf favorito no Wörthersee 2015?

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