WRC BR: quando o Campeonato Mundial de Rali veio para o Brasil

Dalmo Hernandes 10 agosto, 2017 0
WRC BR: quando o Campeonato Mundial de Rali veio para o Brasil

Nos últimos dias temos falado bastante em ralis, no WRC e em categorias off road em geral. E provavelmente você não achou ruim – o rali é uma das modalidades automobilísticas que melhor conseguiram se manter interessantes e competitivas, sendo tão emocionante de se assistir quanto em sua era de ouro. Nosso post recente sobre o Rali da Finlândia é um bom exemplo.

Em termos de densidade de pilotos de rali por metro quadrado, o Brasil não é nenhuma Finlândia (na real, o Brasil é praticamente o oposto da Finlândia em todos os aspectos). Nosso país tem sua cota de fãs, pilotos e entusiastas do rali e algumas competições que já acontecem há tempos. Até já fizemos parte do trajeto de algumas edições do Camel Trophy, uma das provas off road mais difíceis de todos os tempos, mas nada do nível do WRC. Ou será que…

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Uma passadinha no mercado

Na verdade, sim: o Brasil já fez parte do calendário oficial do Campeonato Mundial de Rali. E foram duas vezes: em 1981 e 1982, quando nomes como Ari Vatanen, Michèle Mouton, Walter Röhrl e Hannu Mikkola aceleraram em território brasileiro.

Isto aconteceu por uma razão simples: desde sua concepção, o calendário da temporada muda constantemente. Coincidentemente, o Brasil estava começando a se destacar no cenário internacional de rali, com a primeira prova sancionada pela FIA realizada em 1979. Conforme conta o blog Historic Rally & Classic Race Cars (que, apesar do nome, é brasileiro), o primeiro “Rallye Internacional do Brasil” foi uma prova de 2.200 km com 75 carros inscritos, dos quais 50 conseguiram largar. Organizado pelo Automóvel Clube Paulista, o rali brasileiro tinha como objetivo exatamente a homologação do Brasil para receber o WRC.

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Sem valer pontos no campeonato, a prova era opcional para os pilotos que estavam brigando pelo título. O que não impediu a participação de dez equipes internacionais, como a Ford, a Fiat e a Datsun, que trouxeram consigo Mikkola, Röhrl e Timo Salonen, respectivamente. Os pilotos percorreram rodovias secundárias dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, em um traçado que até hoje tem parte utilizada nas 1000 Milhas Históricas Brasileiras.

A FIA voltou a promover um rali no Brasil em 1981 – com uma diferença: desta vez batizado como “Marlboro Rallye do Brasil”, a prova valeria pontos para o Campeonato Mundial de Pilotos, e foi encaixada no lugar do Rali da Nova Zelândia (que não deixou de ser realizado, apenas não contou pontos). E foi aí que a coisa ficou séria de verdade. A não ser que se converse com quem estava envolvido, é difícil saber qual foi o traçado exato mas, conforme contou o Flávio Gomes em seu blog, o ponto de partida foi o Ginásio do Ibirapuera, na Grande São Paulo.

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Para quem não lembra, o campeão dos pilotos naquela temporada foi Ari Vatanen, que naquele ano estava na Ford. E ele foi o vencedor do Rali no Brasil, com o britânico David Richards como navegador. Guy Fréquelin e Jean Todt, da Talbot (que ficou com o título das fabricantes) ocuparam a segunda posição, seguidos de Domingo de Vitta e Daniel Muzio, que vinham do Uruguai e também pilotavam um Escort. Walter Röhrl, que estava em plena ascenção naqueles tempos, não participou direito do WRC naquele ano, poupando energias para as 24 Horas de Le Mans (aliás, deu certo: em 1981, Röhrl foi um dos pilotos que conduziram o Porsche 944 LM que chegou primeiro lugar na categoria GTP para carros acima de três litros).

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Walter Röhrl e seu Opel Ascona

Em 1982, o WRC voltou ao Brasil. Não havia tantos pilotos de renome quanto na edição anterior, mas Walter Röhrl voltou a disputar o WRC pela Opel, e Michèle Mouton, que já pilotava o Audi Quattro WRC desde 1980. E ela foi a vencedora, com a italiana Fabrizia Pons como navegadora. Foi a última das quatro vitórias de Mouton no WRC – depois disto, ela competiu com a Audi por mais três anos antes de, em 1986, mudar para a Peugeot, onde se aposentou dos ralis.

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É claro que não poderia faltar um carro brasileiro!

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Walter Röhrl, na época piloto da Opel, conduziu o Ascona 400 da equipe alemã ao lado de Christian Geistdörer no banco do carona, chegou em segundo colocado. Na terceira posição, veja só, iicaram novamente os uruguaios Domingo de Vitta e Daniel Muzio.

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Depois disto, o Marlboro Rallye do Brasil deixou de fazer parte do WRC. Em seu lugar entrou o Rali da Argentina, também patrocinado pela fabricante de cigarros. Traíras.

As fotos deste post foram publicadas na página World Rally Archives 73-93, e retratam a edição de 1982 do Rallye do Brasil. Não há muito mais material disponível, mas você pode se deleitar em nostalgia na galeria abaixo, que é só uma amostra do álbum completo.

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