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X5 Le Mans: quando a BMW colocou um V12 de corrida em um SUV

É difícil encontrar um entusiasta que não tenha ao menos curiosidade de andar no Nissan Juke-R. Afinal, a sensação de guiar um crossover esquisitão com o conjunto mecânico de um dos maiores esportivos da atualidade deve ser realmente incrível. Mas esta, definitivamente, não foi a primeira vez que uma fabricante decidiu brincar com a ideia de colocar um motor extremamente potente em um SUV (ok, o Nissan Juke não é exatamente um SUV, mas você entendeu).

Bem, é provável que o X5 Le Mans também não seja, mas isto não o torna nem um pouco menos espetacular. Pelo contrário: ele tem este sobrenome simplesmente porque debaixo do capô há o motor V12 de um protótipo vencedor nas 24 Horas de Le Mans — o BMW V12 LMR.

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Se você leu a história do V12 LMR (se não leu, recomendamos fortemente que o faça), vai lembrar que ele foi criado para que a BMW pudesse competir com o motor do McLaren F1 — afinal, eles não perderiam a chance de colocar seu belíssimo V12 aspirado de 6,1 litros, que movia o carro mais veloz do mundo, para arrepiar nas pistas.

Dizemos isto porque, apesar do programa do McLaren F1 GTR, iniciado em 1995, Gordon Murray (um dos pais do supercarro) não queria que ele competisse. Ele acabou cedendo depois de muita insistência por parte de vários pilotos de equipes independentes e, no fim das contas, foi a coisa certa: o McLaren F1 não apenas venceu as 24 Horas de Le Mans daquele ano, mas ficou também com a terceira, a quarta, a quinta e a 13ª colocações. Nos anos que se seguiram, a presença do F1 em corridas de longa duração tornou-se mais e mais frequente — mesmo depois que a parceria entre a BMW e a McLaren foi encerrada.

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No entanto, em 1997 a BMW percebeu que também poderia aproveitar-se do V12. Aproveitando um acordo recém-firmado com a equipe Williams de Fórmula 1, os alemães encomendaram a eles um novo protótipo de Le Mans. Este seria equipado com uma versão atualizada do V12 do McLaren F1, com deslocamento reduzido (de 6.024 cm³ para 5.990 cm³) e restritores nos coletores de admissão para para adequar-se ao regulamento. A potência passou a ser 580 cv a 6.500 rpm.

Como já contamos aqui, o BMW V12 LMR foi o vencedor das 24 Horas de Le Mans de 1999, tornando a marca bávara a última a vencer antes do início da “era Audi” em La Sarthe e começando muito bem a parceria com a Williams. E, por isto, a BMW decidiu comemorar.

E como se comemora uma vitória quando se tem belo motor V12 e um time de engenheiros altamente qualificados à disposição? Criando um monstro, claro. Tudo bem, talvez não seja tão óbvio assim, mas o fato é que a BMW decidiu comemorar sua vitória colocando o motor do V12 LMR em seu SUV recém-lançado: o BMW X5.

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Quando o X5 foi revelado, muitos puristas disseram que a BMW morria naquele momento. “Onde já se viu, a BMW fazer um utilitário? Este mundo está perdido!” Sendo assim, dá para dizer que o X5 também tinha a missão de mostrar que a BMW não havia se transformado em uma fábrica de utilitários — e que, de qualquer forma, o X5 era mais do que capaz de lidar com a força de um carro de corrida.

Não há muitas informações a respeito das adaptações necessárias mas, sabendo que o X5 original era equipado com motores de seis cilindros em linha e V8, imaginamos que o cofre não precisou ser modificado de forma extrema para acomodar o V12 relativamente compacto do LMR — ainda que, ao abrir o capô, tudo o que se vê seja o gigantesco coletor de admissão de fibra de carbono. Detalhe: sem os restritores de potência, o motor passou a entregar nada menos que 710 cv e 73,4 mkgf de torque. A transmissão manual de seis marchas levava a força para as quatro rodas.

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Foto: BMWBlog.com

Externamente, o X5 Le Mans recebeu novos para-choques, além de um capô com scoop funcional, novas saias laterais e molduras nos para-lamas. As rodas “2-piece” com borda prateada e miolo dourado tem 20 polegadas de diâmetro, e foram calçadas com pneus 275/40 na dianteira e 315/35 na traseira. Com a suspensão rebaixada em 30 mm, o conjunto confere ao SUV um stance muito mais agradável e agressivo.

As modificações continuaram no interior. Apesar de manter o painel de instrumentos completo e todos os itens de conforto, o X5 recebeu bancos concha individuais na dianteira e na traseira e cintos de competição para todos os quatro ocupantes, além de diversos detalhes de acabamento em alumínio, como dá para ver nas fotos de divulgação da época.

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No entanto, o que deveria ser um belo show car acabou tornando-se também um recordista: em 2000, o lendário Hans-Joachim Stuck (que venceu as 24 Horas de Le Mans em 1986 e 1987 com o Porsche 962C; e em 1996 com o Porsche 911 GT1) foi convidado a pilotar o X5 Le Mans em Nürburgring Nordschleife. Resultado: um tempo de 7m50s aferido pela revista Evo.

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Hans-Joachim e seu icônico capacete estrelado ao volante do X5 LM no Nordschleife

Para se ter uma ideia, o recorde do Inferno Verde para SUVs produzidos em série pertence ao Range Rover SVR, que fez o mesmo em 8:14 — 14 anos depois.

Sem dúvida o X5 Le Mans entrou para a história como um dos utilitários mais incríveis do planeta. E, pelo jeito, a BMW gostou da brincadeira — depois dele, diversos outros SUVs e crossovers com motores potentes foram lançados, incluindo alguns com tratamento Motorsport. Como o próprio X5M, que atualmente usa um V8 biturbo de 4,4 litros e 574 cv.

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