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Pagani Zonda Fantasma Evo: quase falecido em um acidente, renascido muito mais brutal

Há alguns anos, um executivo chinês comprou um Pagani Zonda F de segunda mão. O carro, de chassi nº 53, havia sido encomendado pelo empresário britânico Peter Saywell em 2005, e foi o segundo Zonda F fabricado – e o primeiro com o volante do lado direito.

Em 2012, o tal executivo acabou batendo o carro durante um passeio noturno em Hong Kong, e o resultado não foi bonito de se ver: ainda que tenha saído praticamente ileso, o homem acabou ficando no prejuízo. Olha como seu Zonda F laranja ficou:

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Este tipo de carro não costuma ir para o ferro-velho: seu valor elevado e sua raridade fazem com que, em 90% dos casos, eles sejam recuperados – por vezes, precisam ser quase totalmente reconstruídos. Foi o que aconteceu com este Zonda, que do alto de seus 12 anos de idade é a última novidade da Pagani. Mas como assim? É o que a gente vai explicar agora.

Para quem não lembra, o Pagani Zonda F foi a primeira grande atualização do Zonda, supercarro lançado em 1999 pela fabricante italiana fundada pelo argentino Horacio Pagani. O “F” era uma homenagem a Juan Manuel Fangio, uma das maiores lendas do automobilismo, e o motor era um V12 M120 de 7,3 litros preparado pela Mercedes-AMG que, naturalmente aspirado, entregava 602 cv a 6.150 rpm e 77,5 mkgf de torque a 4.000 rpm – força moderada por uma caixa sequencial de seis marchas ligada às rodas traseiras. Ele também tinha um novo desenho na dianteira, com um farol a mais em cada conjunto óptico, e um novo padrão na fibra de carbono, que tornava o material mais resistente.

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Na hora de mandar o carro de volta à Pagani para ser recuperado, o proprietário já aproveitou para pedir que fossem feitas algumas mudanças. Na prática, o carro nasceu de novo, tornando-se um Pagani Zonda 760 – parte da série de exemplares feitos sob depois do “fim” do Zonda. A fabricante só encerrou a produção seriada do modelo, porque na prática basta ir até a fábrica da Pagani com a quantia certa para conseguir comprar um Zonda novo em folha.

O sobrenome 760 tem origem na potência gerada pelo V12 M120 de 7,3 litros, que recebe uma reprogramação na ECU, novo coletor de admissão e outras modificações para chegar aos 760 cv a 8.000 rpm e 79,5 mkgf de torque. É bem mais que a potência original do Zonda F.

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O carro, que ficou pronto em 2014, teve a carroceria laranja substituída por outra, totalmente nova, feita de fibra de carbono na cor natural (na porção central do “capô”e também com tingimento vermelho, dando um aspecto muito mais sofisticado ao carro. A dianteira recebeu um novo bico, igual ao dos outros Zonda 760, e o interior preto original deu lugar a um ambiente com couro vermelho e fibra de carbono exposta. Também foram instalados novos elementos aerodinâmicos, como saias laterais, um duto no teto, uma barbatana na traseira (como nos protótipos Le Mans) e uma asa traseira fixa.

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O novo dono até mudou o nome do carro: primeiro, para Pagani Zonda 760 SH (suas iniciais), e depois para Pagani Zonda Fantasma – um nome apropriado, de certa forma. E por que estamos falando tudo isto? Simples: porque neste ano o carro foi enviado à Pagani novamente para maiss modificações. O resultado foi revelado agora, e seu nome é Pagani Zonda Fantasma Evo.

O que mudou nele? De cara, podemos ver que a dianteira foi levemente remodelada, perdendo as luzes auxiliares de LED abaixo dos faróis e ganhando dutos no capô dianteiro, provavelmente com função aerodinâmica. As rodas agora são pretas, e podemos ver em algumas fotos que o interior voltou a ser preto – na nossa humilde opinião, mais harmônico com a cor da carroceria. Os para-lamas receberam alargadores de fibra de carbono, que vêm se juntar às aletas na dianteira e à barbatana na traseira para contribuir com o stance de carro de corrida.

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A modificação mais importante, porém, foi o câmbio: a caixa sequencial que equipava o carro até agora deu lugar a uma transmissão manual de seis marchas, com pedal de embreagem, do jeito que a gente gosta. A Pagani ainda realizou outras modificações mecânicas, mas estas não foram reveladas ainda. O que temos são fotos, e a certeza de que este é um dos últimos representantes dos supercarros old school: sem indução forçada, sem motores elétricos, sem borboletas atrás do volante.

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O interior do carro antes da conversão para o câmbio manual

Só não dá para ter certeza se é o último dos Pagani Zonda

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