Edição diária: 18/06/2019
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Car Culture Sessão da manhã

12 cilindros em fúria: o ronco do insano Alfa Romeo 33TT12 dos anos 1970

A história do automobilismo é tão rica que, de vez em quando, a gente se surpreende ao topar com um carro de corrida lendário sobre o qual nunca falamos aqui no FlatOut. É o caso do Alfa Romeo 33 TT 12, um protótipo monstruoso baseado no clássico Tipo 33 da década de 1960 (o mesmo que deu origem ao estonteante 33 Stradale) que venceu não apenas a Targa Florio de 1975, ficando também com o título do WSC (World Sportscar Championship) daquele ano com Arturo Merzario ao volante. É hora de dar um jeito nisso, porque o carro é realmente matador.

Como você deve lembrar (especialmente se leu este post), o Alfa Romeo Tipo 33 foi criado em 1966 para competir nas provas de longa duração do WRC. O motor era um V8 de apenas dois litros e 270 cv, e a primeira prova do carro foi uma subida de montanha em Fléron, na Bélgica.

33tt12 (3)

Até meados da década de 1970, diferentes evoluções do Tipo 33 continuaram usando motores V8 – incluindo o Tipo 33/3, que tinha um V8 de três litros e mais de 400 cv que, em 1971, competiu contra verdadeiros monstros como o Porsche 917 e a Ferrari 312.

33tt12 (2)

 

O motor V12 de três litros projetado por Carlo Chiti (na verdade, um flat-12, pois as bancadas eram separadas por um ângulo de 180°) era monstruoso, não há outra definição. Escuta só este ronco. É assim que soam 500 cv a mais de 11.000 rpm!

Todas as variações do Tipo 33 foram projetadas pela Autodelta, a divisão de competição da Alfa. No livro Alfa Romeo Tipo 33: The development and racing history, de Peter Collins e Ed McDonough, um dos pilotos de testes da Autodelta, Teodoro Ziccoli, conta:

No chassi do TT, a rotação e o torque do flat-12 eram suficientes para torcer o bloco do motor e toda a estrutura do carro. Eles torciam e se dobravam. Havia pouca potência abaixo das 8.000 rpm e o carro movia-se constantemente para a esquerda e para a direita. Havia uma curva assustadora na pista de testes de Balocco, na qual você entrava a 270 km/h e saía a 280 km/h. O 33TT12 flexionava por metade do traçado e, se você estivesse 10 cm fora do traçado, você saía da pista!

O Alfa 33TT12 em Balocco – simplesmente ensurdecedor

Nada disto impediu Arturo Merzaro de alcançar a glória com o Alfa Romeo 33TT12 em na Targa Florio de 1975. A prova foi disputada em um circuito cujo traçado de 72 km era composto por diversos trechos de estradas entre as montanhas da Sicília de de Palermo. Era o chamado Circuito Piccolo delle Madonie, adotado na década de 1950.

33tt12 (2)

Para Arturo Merzario, foi uma verdadeira honra pilotar para a Alfa Romeo em 1975. Naquela temporada, além da Targa Florio, Merzario venceu quatro outras corridas e garantiu o título para a equipe do cuore sportivo.

Os outros pilotos a vencer corridas pela Alfa naquele ano foram Vittorio Brambilla, Jacques Laffite, Henri Pescarolo, Derek Bell e Jochen Mass. Verdade seja dita, era um belo time. Tanto que em 1977, o próprio Merzario, ao lado de Brambilla e Jean-Pierre Jarier venceram todas as corridas da temporada ao volante do Alfa 33SC12, evolução do 33TT12 equipada com uma versão de 520 cv do flat-12 de três litros.

Tanto o piloto quanto o motor também marcaram presença na Fórmula 1. Entre 1975 e 1977, Merzario correu pela Williams, pela Copersucar de Emerson Fittipaldi e pela March. Já o flat-12 foi adotado pelo monoposto Alfa Romeo 177, de 1979, que foi nada menos que o primeiro carro de Fórmula 1 da Alfa após um hiato de quase três décadas. Entre 1976 e 1979, a Brabham também utilizou o flat-12 Alfa Romeo.

 

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