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As rodas mais bonitas e marcantes dos carros brasileiros – parte 1

Uma das primeiras coisas que todo mundo faz quando quer personalizar seu carro, seja para deixá-lo mais bonito ou com “más intenções”, é trocar as rodas. Ao mesmo tempo em que são fundamentais para o funcionamento de qualquer carro, elas também são o acessório mais visível logo de cara. Não é à toa que dizem que o jogo de rodas certo pode mudar completamente o visual do carro para melhor — e, naturalmente, um jogo de rodas feias pode ser o responsável por arruiná-lo.

É por isso que certas rodas acabam tornando-se icônicas. Algumas delas se tornam irremediavelmente associadas com determinado modelo, enquanto outras viram clássicos por si só. E isto vale tanto para rodas OEM, originais de fábrica, quanto para as aftermark. No Brasil, inclusive!

 

Scorro S-27 “Cruz de Malta”

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Foto: MBF Autofoto

As rodas Cruz de Malta foram extremamente populares na década de 1970 e 1980. O modelo fabricado pela Scorro fez parte da era de ouro da personalização automotiva brasileira, assim podemos dizer — a oferta de acessórios beirava o absurdo, com centenas de empresas dedicadas a suprir a falta de carros e equipamentos importados no Brasil. Muitas vezes a inspiração era o visual dos carros gringos, mas o desenho dos itens brasileiros tinha um charme especial.

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O visual das Cruz de Malta caía especialmente bem em cupês como o Opala e o Maverick e, não por acaso, eram uma das opções mais populares para os donos destes carros. Elas também foram usadas em suas respectivas versões de corrida — os Opala de Stock Car e os Maverick que disputaram a Divisão 1 do Campeonato Brasileiro de Turismo calçavam rodas Scorro Cruz de Malta.

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Se até então elas só podiam ser encontradas usadas ou como réplicas (de todas as épocas, algumas de qualidade ao menos suspeita), neste ano a Scorro decidiu relançar a Cruz de Malta como edição limitada. Foram fabricados 250 jogos, vendidos como item de colecionador.

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Com diâmetro de 15” e furação de 5×114, a nova Cruz de Malta foi feita para o Opala. O kit com quatro rodas custava R$ 3,9 mil mas, por R$ 4,5 mil, você levava um kit completo de colecionador, com camiseta, chaveiro, embalagem especial, certificado de colecionador, certidão de nascimento, uma caixa de ferramentas e a gravação dos quatro últimos números do chassi do seu Opala nas rodas. Os que compraram também ganharam direito a uma visita à fábrica da Scorro, onde as rodas foram entregues.

rodas

O visual não é exatamente igual à das Cruz de Malta clássicas mas, sem dúvida, ficou muito bacana. A Scorro disse estudar a possibilidade de oferecer o modelo para o Fusca e até mesmo para o Alfa Romeo 2300.

 

Scorro Bolo de Noiva

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Apesar de lembrar apenas vagamente um bolo de noiva, o desenho destas rodas foi suficiente para inspirar o nome criativo. As rodas Bolo de Noiva de 13” eram as originais do Puma GT em 1969, mas também eram especialmente populares no VW Fusca e no Karmann Ghia, que as utilizavam nas medida 15×5,5”. Para buggies, que tinham para-lamas bem mais largos e podiam usar pneus maiores, as medidas eram 14×6” na dianteira e 15×9” na traseira.

Fiat Uno 1.5/1.6 R

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Quando foi apresentado no Brasil, em 1984, o Fiat Uno tinha como apelo a tradição dos carros pequenos italianos — formas modernas, aproveitamento de espaço exemplar e motor econômico. O que poucos imaginavam é que, leve e bem acertado, ele tinha vocação para esportivo. A primeira grande prova disto foi o Uno 1.5R, cujo motor Sevel de 1,5 litro entregava 85 cv e era suficiente para levá-lo aos 100 km/h em 12 segundos, com máxima de 163 km/h (lembre-se, estamos falando de um carro lançado em 1987).

Fiat Uno 1.6R

Ele também tinha visual bem ousado, com tampa do porta-malas preta, faixas nas laterais, faróis auxiliares integrados ao para-choque dianteiro, cores vibrantes e, como cereja do bolo, um jogo de rodas… quadradas? Pois é: o visual inusitado das rodas de 13 polegadas parecia inspirado pela própria carroceria do carro mas, estranhamente, caía bem ao 1.5R.

 

Magnum 500

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Sim, as rodas Magnum 500 são americanas, mas os Dodge fabricados no Brasil nos anos 1970 também tiveram sua versão. O desenho clássico, que harmoniza muito bem com praticamente qualquer cupê americano da época, foi visto no Dodge Charger fabricado até 1973. Depois, o modelo passou utilizar as chamada Rallye, que são bem mais comuns — um jogo original devidamente restaurado das Magnum 500 passa facilmente dos R$ 4 mil.

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Claro, é sempre possível importá-las (novas, inclusive), mas aqui vai uma dica: se quiser um visual mais próximo das Magnum 500 brasileiras, compre rodas usadas em modelos da Buick, que serviram de inspiração para as nossas. As Magnum 500 utilizadas pelos Dodge eram mais abauladas.

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Em cima, a Magnum 500 da Buick. Embaixo, o modelo da Dodge

 

Roda Gaúcha

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Todo mundo certamente já viu aquelas rodas de alumínio com uma estrela de seis pontas no miolo — normalmente, carros dos anos 1970, como o Ford Corcel e o Maverick, o Chevrolet Opala e a família dos Volkswagen refrigerados a ar. São estas as famosas rodas gaúchas.

Não é tarefa das mais fáceis encontrar informações a respeito delas mas, aparentemente, elas receberam este apelido por serem fabricadas em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. A fabricante, chamada Alemão Indústria de Rodas, funciona até hoje.

 

Rodas Palito

 

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Como as rodas gaúchas, as Palito eram onipresentes entre os carros modificados nos anos 1970. Fabricadas por diversas empresas, elas eram feitas de magnésio, o que lhes conferia um brilho amarelado bem característico quando polidas.

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Seu desenho era uma mistura das clássicas American Racing Torq Thrust originais e as Torq Thrust D — que ficaram famosas no Ford Mustang 1968 de Steve McQueen em Bullitt.

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