Como decidi salvar um Volkswagen Golf GTI mk3 1994

Richard Jesus 9 julho, 2017 0
Como decidi salvar um Volkswagen Golf GTI mk3 1994

Meu nome é Richard, sou designer (User eXperience designer), isso quer dizer que meu dia-a-dia nada tem a ver com carros ou mecânica, mas de alguma forma eu os amo. Muitas vezes me vejo sempre encontrando relações com o desenvolvimento de projetos automotivos e tecnológicos, em engenharia e desenvolvimento de software e assim vai.

Acredito que como muitos daqui adquiri aquele vírus que faz você gastar mais dinheiro que devia com eles, no meu caso isso aconteceu em 1980 e poucos, em um domingo qualquer, enquanto ajudava meu pai a terminar de polir o Passatão branco (mas que na minha memória era vermelho!) para depois ver a Fórmula-1. Era o dia da semana que eu mais passava com meu velho, e eu adorava ver aquele carro brilhando e aqueles bancos aveludados, foi isso ou só um resultado daqueles anos todos sentindo cheiro de gasolina misturado com Grand Prix na garagem. Vai saber!

Sempre fui geek, então por muito tempo a gasolina ficou adormecida, eu só curtia motos (pra ter ideia por algum tempo meu daily era uma Triumph Daytona 675!), mas uma coisa que sempre pensava era um carro antigo e revitalizar, até que esbarrei nesse vídeo:

Claro que um 911 é uma lenda, mas o design alemão como um todo sempre me atraiu, mais que isso, levo comigo muito da filosofia de Dieter Rams e os 10 princípios do bom design, que explica muito das formas da vários carros que o grupo Volkswagen possui.

Taí, meu projeto tinha que ser VAG, mas qual?

 

Encontrando um Golf MK3 GTI

Eu não sabia p*rra nenhuma de mecânica (e ainda hoje sei menos do que deveria), por isso precisava manter as coisas simples, logo poderia escolher nada raro demais, mas ao mesmo tempo queria que fosse um carro interessante, na época cheguei a pensar até no SP2!

Com essa ideia sempre minimizada na cabeça certo dia vi um Golf MK3 todo original, mas todo f*dido, é esse mesmo!

Pensei: “Taí um carro que tem puta história! Não se vê muitos dessa geração em bom estado por aí, mas precisa ser duas portas!”

Abri na hora um classificado de carros pra saber dos preços, e além de ter uma ideia dos valores praticados do mercado já percebi na enrascada que ia me meter, percebi também que só os GTI eram duas portas, o que seria até uma vantagem, já que ganharia uns itens a mais sem alterar muito o valor.

Dica de quem quase sefu: defina inteiramente o projeto antes de comprar o carro, vejo hoje que as coisas deram bastante certo, mas muito disso por mera sorte, se tivesse optado por fazer um engine swap poderia ter economizado uma boa grana comprando um carro sem mecânica alguma.

Dei uma pesquisada em uns grupos para entender quais eram os itens mais raros de se achar na esperança que isso me ajudasse a encontrar um bom carro e em duas semanas achei um que parecia valer a pena, mas lá em Porto Alegre. Ciente de toda a cagada e talvez pelo baixo valor do carro, acabei fechando o negócio só olhando fotos e alguns vídeos. (Não façam isso!)

Era um GTI 94 simpático, não tinha ABS e nem airbag (no airbags, we die like real man!), mas como um bom GTI, tinha freios a disco, teto solar e ar condicionado (que, pasmem, funcionava!). O carro estava alinhado, tinha os bancos sport no lugar e um interior bem cuidado, os spoilers laterais (extremamente raros de se comprar), os frisos laterais em bom estado, rodas originais e uma lata que parecia boa, o único problema já sabido era o teto solar precisava de alguma ajuda para ser fechado.

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Lógico que nem tudo são flores, um dia antes do carro vir de cegonha até São Paulo, o cara me liga de manhã e diz que uma chuva de granizo havia judiado bastante do carro, em um dos carros do mesmo estacionamento havia desabado um telhado inteiro de telhas, parecia brincadeira, mas não era.

O antigo dono deu opção de desfazer o negócio ou pagar o serviço completo de funilaria, naquela altura eu já estava empolgado demais e como pintar o carro inteiro estava nos meus planos, aceitei o desafio e uma coisa levou a outra, respirei fundo, mandei ver e esperei o carro.

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Era um sábado quando o carro chegou e até que não estava tão mau, as marcas do granizo eram principalmente no capô e teto, nenhuma funda demais, mas eu já tinha pintado um cenário bem pior na cabeça, entrei no carro e me posicionei ao volante e pensei: Cara! Volkswagen velho tem um cheiro característico né?

Rapidinho já comecei a fazer uma lista de itens internos (não eram muitos) que deveriam ser trocados, um deles (que fui descobrir que era um dos mais difíceis!) era o acabamento de capa de volante com regulagem de altura, mas esse aí eu falo mais pra frente, afinal demorei mais de seis meses pra achar a peça nova!

Voltando ao carro… abri o capô, conferi cabos da bateria, nível de óleo, água e polia e aí dei partida, pegou de primeira! É claro que não estava redondinho, tinha mais de 350 mil km pra conta, na minha primeira volta além ir abastecer fui sentindo o carro, me impressionei porque não haviam barulhos internos e a direção estava bem “na mão” do jeito que esperava.

Levei então o carro para um amigo mecânico para descobrir o quão mal estava de motor, e ele fez uma lista modesta de itens, todos de manutenção, nenhuma novidade.

Troquei os itens de manutenção (filtros, óleos, pastilhas de freio, velas e etc) tudo OEM, consertei o teto solar e fui dar uma volta, parecia um bom carro, e várias ideias começaram a vir em mente, faria uma versão euro? Restauraria fielmente?

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Antes disso tinha que tirar todas as marcas que a chuva de granizo havia deixado.

Depois de uma série de conversas e orçamentos em diferentes funilarias, acabei encostando o carro, tinha que ficar zero e, se possível, sem nenhuma massa! Sabia que isso me daria tempo para pensar, só não sabia quanto…

Dias depois voltei para a funilaria e tive certeza que debaixo da pintura a lata estava boa, nenhum ponto podre ou algo do gênero, mal sabia ele que ia ficar um tempão desse jeito…

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PS: Sim, esse é o mesmo Golf MK3 GTI que postei um tópico no fórum, mas aqui poderei contar mais detalhes de todo o processo, compra das peças e, inclusive, a finalização do projeto que espero ficar pronto até o próximo BGT!

Por Richard Jesus, Project Cars #437

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