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Pergunta do dia Zero a 300

Do lado da lei: qual é o melhor carro de polícia que existe (e que não existe)?

Faz alguns dias que perguntamos aos nossos estimados leitores qual é o melhor carro de fuga que existe (ou poderia existir), e vocês deram várias respostas bem bacanas – a ponto de render duas listas (veja aqui e aqui). Agora, decidimos andar dentro da lei, e por isso queremos saber: qual é o carro perfeito para ser uma viatura de polícia?

Novamente, para tornar as coisas mais divertidas, você pode sugerir carros reais ou carros que só existem nos filmes, desenhos, séries de TV e até videogames. Só que a gente vai ser tradicional na nossa sugestão: vamos com o clássico Ford Crown Victoria.

Honestamente, poderia ser outro? O Crown Vic é um ícone, um carro instantaneamente reconhecível, assim como o Fusca, o Porsche 911 ou o Mini Original. Ele tem carroceria sobre chassi, motor V8, tração traseira e câmbio automático. É uma banheira americana clássica, grandalhona e confortável, mas também aceita “maus tratos” sem reclamar.

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O nome Crown Victoria foi usado pela primeira vez em 1955, em uma versão especial do Ford Fairlane que tinha uma barra metálica atravessando transversalmente o teto – este com caimento bem mais suave em direção à traseira. A parte da frente do teto podia ter o metal substituído por acrílico. Nesse caso, o carro era chamado Crown Victoria Skyliner.

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O Ford LTD, primeiro carro feito sobre a plataforma Panther, também ganhou uma versão especial Crown Victoria nos mesmos moldes do carro de 1955, com teto parcialmente revestido em vinil e dividido ao meio por um acabamento de metal.

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Em suas versões mais comuns e baratas, o LTD também fez a estreia da plataforma Panther da Ford a serviço da lei. Ele foi vendido até 1991, quando foi lançado o primeiro carro a se chamar apenas Ford Crown Victoria. O meninão aí embaixo:

O Crown Vic 1991 trouxe linhas mais modernas e arredondadas, inspiradas pelo Ford Taurus da época, e também diversas melhorias à plataforma Panther, modificando a suspensão e o sistema de direção para aumentar a agilidade e a estabilidade. O motor era o então novo V8 Modular de 4,6 litros, com comando simples no cabeçote e 213 cv.

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Acoplado a uma caixa de quatro marchas, era motor o suficiente para que o sedã chegasse aos 100 km/h na casa dos oito segundos, com máxima de 210 km/h. Pode não ser o carro mais veloz de seu tempo, mas certamente era suficiente para perseguir malfeitores nas ruas e rodovias dos Estados Unidos. Ele também foi um dos primeiros Ford a sair de fábrica com freios a disco nas quatro rodas. A construção com carroceria sobre chassi permitia reparos mais baratos depois de colisões, e também dispensava a necessidade de desentortar o chassi. Com a tração traseira, era mais fácil realizar manobras ágeis em situações de emergência, e passar sobre obstáculos como lombadas e calçadas na cidade judiava menos do carro.

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As vendas do Crown Vic exclusivas para pessoas comuns durante 14 meses após o lançamento, e só depois a Ford passou a oferecer o carro a frotistas, incluindo companhias de táxi e departamentos policiais. E, no fim das contas, foram justamente as vendas a frotistas que mantiveram o carro em produção até setembro de 2011. O pacote que incluía as luzes e sirenes, além de suspensão e câmbio reforçados e, em alguns casos, pintura da carroceria, se chamava P71.

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A segunda geração foi lançada em 1997 como modelo 1998 e ganhava um visual mais enxuto por fora, com uma grade dianteira “de verdade”, faróis maiores e linhas mais limpas. O interior ganhou só um novo volante, e a suspensão traseira, anteriormente um eixo rígido simples, passou a contar com um mecanismo de Watt (uma espécie de barra Panhard articulada, feita para impedir movimentação lateral do eixo) que melhorava bastante sua estabilidade nas curvas.

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Foi também na segunda geração que o Crown Victoria passou a vir de fábrica com o pacote Police Interceptor, identificado por um emblema exclusivo na traseira. Em 2000, passou a ser padrão a remoção dos componentes cromados, como a moldura da grade e os frisos na traseira, por peças pretas, mais discretas. Em 2004, a potência aumentou para 251 cv graças à adoção de um novo sistema de admissão, mais eficiente.

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Isto ajuda a entender não apenas por que o Crown Vic é um dos melhores carros de polícia que existem, mas também explica por que, depois de aposentados, eles são tão populares entre os civis: por mais rodados e gastos que esteja, um ex-Police Interceptor ainda é um carro potente, grande, confortável e confiável. E ainda é barato.

Você pode ter outras razões para achar que qualquer outro automóvel seria um excelente carro de polícia. E é exatamente isto que a gente quer saber: qual é o melhor carro para se tornar uma viatura policial, na sua opinião? Sugerimos também que você pense em algum cenário – o Crown Vic se sente em casa nas Interstates americanas e nos centros urbanos, mas existem outros lugares e outras situações que pedem carros diferentes. Use sua criatividade!

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