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Emory RSR Outlaw: o que acontece quando se junta um Porsche 356 a um 935 de corrida

Quem nos acompanha deve lembrar do Emory Allrad, um Porsche 356 com tração 4×4 e diversas outras modificações que o tornaram um belo esportivo clássico fora-de-estrada. Rod Emory, fundador e presidente da Emory Motorsports, já é conhecido no meio entusiasta por seus restomods feitos com base no Porsche 356.

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Rod Emory é adepto da vertente outlaw. Para ele, não importa muito que o Porsche 356 seja um carro cada vez mais raro de se encontrar sem modificações: ele é a base perfeita para projetos que desafiam o senso comum a respeito de como deve ser um exemplar restaurado. E agora, pouco depois de mostrar ao mundo seu 356 off-road, Rod Emory revelou no último fim de semana sua mais recente criação: o Emory 356 RSR Outlaw – que segue um caminho completamente diferente.

Você talvez lembre do carro por causa de um post que fizemos em novembro passado, enquanto estava rolando o SEMA 2018. O carro foi uma das maiores atrações do evento – e ainda nem estava pronto, pois faltavam a pintura e diversos componentes da carroceria. A essência do projeto, porém, já estava mais do que clara.

O Porsche RSR Outlaw é como a resposta para uma pergunta absurda: o que aconteceria se misturássemos um Porsche 356, o primeiro esportivo da marca, com o Porsche 935 – o carro de corrida do Grupo 5 que, há exatos 40 anos, foi o vencedor das 24 Horas de Le Mans de 1979?

O Porsche 935 ficou conhecido como “Moby Dick” (a baleia branca do livro homônimo, escrito por Herman Melville) por seu conjunto aerodinâmico, que lhe conferia uma silhueta mais alongada que, de fato, lembrava um baleia.

Diferentemente do último projeto de Emory que vimos por aqui, o 356 RSR Outlaw não é a encomenda de algum cliente – trata-se de um projeto pessoal de Rod que foi iniciado em 2014 e só agora ficou pronto. Cinco anos de trabalho, quase todo artesanal, e sem qualquer traço de fibra de vidro.

Não fica difícil entender o motivo. Apesar de ser chamado de 356 Outlaw, o carro é na verdade um híbrido – a carroceria veio de um Porsche 356B barn find, fabricado em 1960, enquanto a estrutura veio de um Porsche 911 da geração 964, de 1990. Com isto, Rod conseguiu dar ao carro o ponto de partida que queria, do ponto de vista estético, e ainda garantir uma boa base para instalar um motor de competição com quase 400 cv – incluindo os pontos de afixação da suspensão feita sob medida.

Ao longo de cinco anos, a carroceria do Porsche 356 foi passando por diferentes transformações até chegar ao formato atual. A dianteira recebeu um bico mais longo, com tomadas de ar no para-choque semelhantes às do 911 em suas gerações 996 e 997. Debaixo do capô fica o tanque de combustível selado.

Os arcos de roda foram alargados, bem como os para-lamas, que receberam molduras bem destacadas da carroceria, com rebites aparentes. Os para-lamas traseiros também ganharam duas enormes entradas de ar para o motor.

A mudança mais importante, porém, ocorreu na face traseira. Foi construído um apêndice aerodinâmico incorporando a tampa do motor e os para-lamas traseiros, que forma uma espécie de “capa” para o conjunto mecânico e para o painel traseiro, onde ficam as lanternas e a placa. É o maior aceno ao Porsche 935, porém com identidade própria – linhas arredondadas e limpas, típicas de um projeto da década de 1960. Durante o SEMA Show, o carro ainda estava parcialmente desmontado e sem pintura, mas agora ele foi pintado de cinza fosco acetinado. Uma tonalidade que combina com a personalidade “fora-da-lei” do 356 RSR.

O visual é complementado pelas rodas Momo Heritage 5, desenvolvidas em parceria com Rod Emory especialmente para o projeto. Elas foram inspiradas nas rodas do Porsche 935, e medem 17×7 polegadas na dianteira e 17×8 polegadas na traseiras. Os pneus são um jogo de Pirelli P Zero Trofeo R, de medidas 225/45 na frente e 255/40 atrás. As rodas são presas aos cubos do Porsche 911 RSR, versão de corrida com motor central-traseiro do nine-eleven.

A postura agressiva do carro é complementada pela suspensão, que utiliza um arranjo MacPherson nos quatro cantos, com braços inferiores triangulares. Os amortecedores do tipo coilover foram fornecidos pela KW e possuem regulagem de compressão e retorno. A suspensão também conta com um sistema hidropneumático capaz de elevar a dianteira e a traseira em 45 mm, a fim de evitar raspões e danos em rampas e lombadas. Os freios são da Brembo, iguais aos que são usados no Porsche 964.

O grande trunfo do carro, porém, é mesmo o motor. Em um aceno ao Porsche 356 clássico, ele é um boxer de quatro cilindros arrefecido a ar – no entanto, trata-se de um monstro completamente diferente, com componentes forjados, cárter em billet de alumínio, comandos de válvulas Elgin no cabeçote e virabrequim feito sob medida. O sistema de alimentação, com linhas de combustível, corpos de borboleta individuais e ECU MoTec, foi desenvolvido pela Rothsport, especializada em restauração e montagem de motores Porsche de competição.

Com dois turbocompressores Garrett roletados e duas wastegate Turbosmart com controle eletrônico, o motor consegue entregar algo entre 330 e 380 cv, dependendo da pressão nos turbos – há um seletor no painel. A força é moderada por uma transmissão Porsche G50, fabricada pela Getrag e originalmente usada no 911 964. De acordo com a Emory Motorsport, a transmissão foi mantida com as especificações originais, recebendo apenas um diferencial com autoblocante.

Temos certeza de que o Emory RSR é um carro incrível de guiar em qualquer um dos níveis de potência, afinal, ele pesa apenas 907 kg graças ao interior aliviado e à carroceria de alumínio. Por dentro há poucos detalhes de acabamento – tudo o que não fosse estritamente necessário para a experiência de direção foi eliminado. Sobraram o volante e a caixa de pedais, ambos da Momo, os instrumentos no painel e, claro, um par de bancos concha revestidos com tecido anti-chamas vermelho.

Repare também na manopla de câmbio de madeira balsa – outro aceno à história da Porsche, sendo idêntica à usada pelo 917 dos anos 70

Embora a apresentação oficial à imprensa ainda não tenha acontecido, o Emory 356 RSR Outlaw já apareceu em público – ele foi um dos astros do Luftgekühlt 6, evento dedicado aos Porsche arrefecidos a ar que aconteceu no último final de semana em Los Angeles, na Califórnia. Nos próximos dias deverão ser divulgadas novas imagens do monstrinho.

Se for para dar nossa opinião, diríamos que não se trata de um projeto para todo o mundo – há quem acredite que todo 356 deve ser preservado. E mesmo quem não é contra um 356 modificado pode ficar dividido quanto à estética – em especial na dianteira, que poderia ficar mais harmônica com faróis um pouco mais baixos e um para-choque frontal de visual mais condizente com o restante do carro. Não vamos discutir, porém, a respeito do motor: um flat-four arrefecido a ar com dois turbos e quase 400 cv é algo à prova de críticas, em qualquer carro que esteja.

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