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Esta Ferrari Enzo ganhou uma carroceria nova com fibra de carbono sem pintura. Por quê? Porque sim!

A gente de vez em quando debate aqui no FlatOut a respeito da real exclusividade dos supercarros. Às vezes, ter um superesportivo original de fábrica, por mais raro que seja, não é o suficiente — por isto existem aqueles supercarros alternativos, feitos por companhias independentes; e as próprias fabricantes muitas vezes se oferecem para atender aos desejos dos clientes que têm mais dinheiro e mais vontade de se destacar.

Agora, talvez o ápice da exclusividade seja uma Ferrari modificada pela própria fabricante — só caras realmente especiais, como o deus da guitarra Eric Clapton, podem se dar ao luxo de encomendar à empresa de Maranello um carro feito sob medida. No caso de Clapton, estamos falando da estonteante Ferrari SP12 EC, uma 458 Italia modificada com inspiração na clássica 512 Berlinetta Boxer.

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O Sultão do Brunei (de quem a gente não é muito fã, pois prefere deixar seus carros acumulando poeira em um enorme galpão) é outro destes caras — são dele as únicas Ferrari F40 com bancos de couro e vidros elétricos, a perua 456 Venice e a primeira Ferrari com câmbio semi-automático, por exemplo.

E hoje, vamos conhecer outra Ferrari exclusivíssima. A modificação é esteticamente simples, mas o resultado é nada menos que matador: esta Ferrari Enzo tem todos os painéis da carroceria com acabamento em fibra de carbono nua, sem qualquer tipo de pintura. Não, não foi um envelopamento e muito menos a remoção da pintura — todos os painéis da carroceria foram logo trocados de uma vez.

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Um carro comum que tivesse todos os painéis da carroceria substituídos certamente perderia muito valor. No caso dos supercarros, porém, a história se inverte — dependendo da raridade do modelo, uma substituição completa (ou quase completa) da carroceria pode torná-lo ainda mais valioso. Como aconteceu com o McLaren F1 de Rowan Atkinson, o Mr. Bean, que sofreu dois acidentes feios, foi restaurado duas vezes e ainda foi vendido por US$ 12 milhões, ou cerca de R$ 40 milhões em conversão direta.

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O caso é que esta Ferrari Enzo apareceu há alguns anos na Internet e sempre despertou dúvidas — seria mesmo uma Enzo de fibra de carbono ou um belo trabalho de envelopamento? Até que, em 2015, um membro do fórum Ferrari Chat, comunidade famosa por reunir fãs, proprietários e até funcionários da Ferrari, esclareceu as coisas. De acordo com ele, em meados de 2008 o proprietário desta Enzo simplesmente queria um visual diferente e, por isso, levou o supercarro até a companhia para que fosse modificado.

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A ideia era trocar todos os painéis da carroceria por fibra de carbono exposta — o tipo de coisa que a Ferrari só faz se o cliente for muito fiel e se o número na folha de cheque for realmente grande. Assim, o carro foi enviado para a Carrozzeria Zanasi. Talvez você não conheça a oficina pelo nome, mas certamente já viu o resultado de seu trabalho: é para lá que a Ferrari manda os carros que tiveram danos muito grandes na carroceria e precisam de conserto, em uma parceria que já existe desde 1964.

A diferença é que esta Enzo jamais sofreu um acidente — o proprietário só desejava que ela tivesse um visual mais exclusivo. A nova carroceria foi feita utilizando os moldes originais, com supervisão da Ferrari. Para todos os efeitos, portanto, são originais. Eles levaram quatro meses para ficar prontos.

O interior também foi customizado com acabamento em Alcantara vermelha nos bancos, volante e painel (detalhe para as costuras ao estilo matelassê nas portas e ono console central. Além disso, a fibra de carbono exposta no lado de dentro foi tingida de vermelho — algo discreto a ponto de parecer apenas o reflexo do revestimento interno, porém com um efeito visual muito interessante.

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E é claro que a gente não pode deixar de lembrar que esta Enzo continua sendo uma das Ferrari mais velozes de todos os tempos — e a última movida unicamente por um motor V12 naturalmente aspirado em posição central-traseira, sem motores elétricos. O chamado Tipo F140B é um V12 derivado do V8 F136, desenvolvido em parceria pela Ferrari e pela Maserati. Com doze cilindros de 92 mm de diâmetro cada e pistões com curso de 75,2 mm, o V12 desloca, ao todo, 5.998 cm³, arredondado para seis litros. Com alta taxa de compressão (11,2:1) e cárter seco, é um motor girador e de alto desempenho — na Enzo, rende 660 cv a 7.800 rpm e 67 mkgf de torque a 5.500 rpm.

É força o bastante para, acoplado a uma caixa de transmissão eletro-hidráulica de seis velocidades, levar a Enzo de 0 a 100 km/h em 3,65 segundos, enquanto a velocidade máxima fica em 355 km/h.

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Como se não bastasse tudo isto, a Ferrari Enzo de fibra de carbono é única no mundo, rodou apenas 5.104 km (3.172 milhas) e está à venda por US$ 3,5 milhões em uma concessionária dos EUA. São cerca de R$ 12 milhões em conversão direta — um pouco mais do que se costuma pedir por uma Enzo nova em folha como esta, mas tanta fibra de carbono visível (até as rodas são de fibra de carbono, algo que ainda é bastante raro entre os esportivos e supercarros) deve valer alguma coisa, não?

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