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Project Cars Project Cars #45

Um Ford Escort XR3 todo original: dicas de manutenção do Project Cars #45

Em meu primeiro post contei por que e como resolvi ter uma relação (mais de amor do que de ódio) com um Experimental Research #3, mais conhecido como XR3, neste caso o conversível 1.8.

O carro estava e continua imaculado, o que me permitiu focar mais na parte mecânica, sem ter que me ocupar muito em trabalhar na carroceria ou nas peças de acabamento. Na verdade, a única coisa que tive de correr atrás foi um par daquelas coberturas plásticas das dobradiças do porta-malas. A experiência que tive para encontrar peças mais difíceis (como estas as de acabamento) me diz que vale a pena recorrer ao eBay, principalmente o da Inglaterra, pois o Escort é bastante popular por lá. Então encomendei duas capinhas, ou boot hinge covers em inglês, que chegaram aqui algumas semanas depois, a R$ 70 o par.

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Outra peça que também encontrei no eBay gringo foi o conector do sensor de desgaste da pastilha de freio (brake pad wear sensor), que já estou encomendando. Neste link há um dicionário de termos automotivos português-inglês que pode ajudar aqueles que buscam peças fora do Brasil.

 

A mecânica

Negócio feito, XR3 na garagem. E aí meu lado paranoico e detalhista começou a se manifestar. Começando com a básica troca de óleo, filtros, um rotor do distribuidor e jogos de cabos e velas (NGK BRP6ES), logo parti para as coisas mais urgentes que este carro demandava.

Se há um mal que assola o mundo dos automóveis, este é a total negligência com o sistema de arrefecimento dos carros. Não foi diferente com o Escort quando fui revisar essa parte. De dentro das galerias do motor, radiador e mangueiras saía um lodo enferrujado. “Perdoai-vos, eles não sabiam o que estavam fazendo”, pensei. Várias lavagens do sistema depois, troca do tubo metálico de refrigeração e de algumas mangueiras, aditivo na proporção correta e pronto. Pelo menos até hoje, o sistema funciona estanque, sem vazamentos. A ferrugem não fizera tanto estrago como parecia.

Outro ponto que me incomodava quando andava com o carro era a suspensão ruidosa, com batidas secas, mesmo rodando em asfalto nem tão ruim assim. Nada como uma boa olhada num carro suspenso no elevador ou em cavaletes para descobrir algumas surpresas. Aliás, não sei quanto a vocês, mas isso é uma das coisas mais prazerosas para mim. Ficar olhando para toda a estrutura da suspensão, sistema de escape, câmbio e trambulador é quase como olhar por debaixo da saia de uma garota (ok, ok, menos…).

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Uma rápida inspeção e vejo que há um fóssil do que um dia foram os batentes de suspensão, elos das molas com sinais de ferrugem e marcas de contatos entre eles e a bucha da cremalheira da caixa de direção tinha ido para o espaço – tendo como companhia os terminas axiais. Olho para a coifa de uma das juntas homocinéticas deslizantes (lado do câmbio) e vejo que ela fazia apenas figuração no local, tendo espalhado a graxa da junta por toda a parte de trás do motor. Não era um cenário apocalíptico, mas eram cenas de terror.

Ao longo dos anos tenho comprado várias ferramentas que hoje permitem que eu faça algumas “cirurgias” em casa mesmo. Com algum conhecimento em mecânica e um estudo prévio da operação que você quer fazer (os sites de grandes fabricantes de autopeças são uma fonte valiosa, com catálogos e manuais de procedimentos de reparação), você consegue realizar muita coisa na sua garagem, por conta própria.

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Fonte – Site COFAP – Clinica Técnica nº23

 

Com essas ferramentas troquei a caixa de direção e seus terminais, molas, batentes e amortecedores dianteiros, o que deixou o carro bem melhor nesta parte.

A parte dos freios também precisou de alguns cuidados, corretivos e preventivos. O cilindro mestre apresentava vazamento e precisou ser substituído. Cuidei de trocar todos os flexíveis de freio, cilindros de roda traseiros e aproveitando que o tambor do freio estava fora do carro, coloquei rolamentos de roda e retentores novos no lugar. Ainda falta a troca dos discos e pastilhas, como dá para notar pelo “degrau” formado no disco da foto abaixo.

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What’s next?

No próximo encontro vou contar sobre os cuidados que tive com o motor e a transmissão (e o que um retentor de óleo de câmbio com mais de vinte anos faz com uma embreagem). A gente se vê!

…but wait!

Só para registrar que o primeiro post do Escort no Project Cars fez com que o meu amigo Anselmo (aquele que foi comigo buscar o meu conversível há quatro anos) ficasse com o mesmo vírus que eu tive em 2010 e tratou de arrumar um XR3 para ele. Neste caso, um modelo fechado de 1992, tão original e inteiro quanto. Nada mais divertido agora do que botar os dois pra andar juntos nos fins de semana!

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Por Germinal Vilchez, Project Cars #45

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