Edição diária: 17/06/2019
FlatOut!
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Project Cars #357

Ford Ka XR Turbo: hora de acelerar na arrancada… e voltar para a preparadora

Olá, pessoal do Flatout, vamos à quarta e penúltima parte da história do Ka-ganeira. Desde que escrevi o primeiro texto, achava que tinha 95% de projeto concluído, era “achismo” mesmo, pois algumas surpresas boas e ruins aconteceram, e são elas que vou contar pra vocês hoje.

Motor “pronto”, suspensão e freios OK, hora de ir acelerar o carro na mega quinta, arrancada que ocorre uma vez por mês aqui em BH. São 201m e muitos carros fortes acelerando. Estou consciente não tenho chance com 90% dos carros ali, mas o importante é participar, conhecer o carro e brincar com segurança!

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Chego na arrancada, alinho contra um Punto T-Jet com rodas aro 15 de ferro, pneus vazios e, segundo o dono, apenas com downpipe! Eu que ja tive Punto  T-Jet com chip e downpipe, estava convicto de que ia deixar o T-Jet pra trás. Sinal verde, o  T-Jet pula na frente e não consigo buscar!

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Naquele momento, perco o bom humor e saio da pista nervoso. Aquela noite pra mim virou puro mau humor, as outras puxadas forçando o carro mais que devia, sangue no olho. Tinha esquecido que estava ali para me divertir, para poder estar em sintonia com meu carro, os tempos virados sempre piores, as arrancadas sempre com raiva, na brutalidade,  fui pra casa p*** e cada vez que acelerava o carro ficava “pulando”, enfim nem quis saber só queria chegar em casa e nem olhar mais pro carro e passei o dia seguinte querendo atear fogo ao Kaganeira. Nem quis olhar pra ele na garagem!

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Chega o sábado, acordo mais calmo e vou olhar o carro para saber se havia algo errado. Logo de cara o filtro de ar estava solto! E na posição em que ele fica é impossível prender a braçadeira com ferramentas e espaço de quem mora em prédio.

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Combino de ir até o preparador para que ele me ajude com o filtro e além de tudo pegar a rodovia e fazer as pazes com o carro. Entro na BR-381, modo soviético ativado, reparo que a pressão da turbina que marcava 0,7, marcava 0,5,  cada acelerada eu achava que estava andando num burrinho de tanto que tremia. Dane-se vamos andar e ser feliz! Já estava indo para o mecânico mesmo, no meio do caminho escuto um pipoco diferente depois de uma redução e não foi no escape, era no cofre. O carro continua ligado e andando porém com a mistura rica. Se não desligou, nem pegou fogo e já indo pra oficina, agora ele chega ate lá rodando!

Chego no Max, ele já avisa: “seu coletor furou aí, hein?!” E o que era um simples aperto da braçadeira do filtro virou uma internação! Estava chateado, triste, cabisbaixo… e a lista do desmonte do carro! Na arrancada a tulipa e o suporte da caixa foram pro espaço, e o simples furo no coletor na verdade era uma solda que tinha ido pro espaço da junção dos quatro tubos, fazendo que a turbina ficasse meio que pendurada, presa somente pela pressurização.

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Mas não só de tristezas vivem uma quebra. Quando o Max tira o coletor, ele me liga e fal: “Marcos a história da turbina Master Power .42.48 (como havia contado no primeiro post) é mentira. Com tudo desmontado aqui está mais fácil de ver, você tem uma Garret 14440-69f00”. Recebo as fotos da identificação da turbina, vou pro pai Google, e descubro que tenho uma linda Garret GT2560R, utilizada originalmente nos Silvia S14. Vejam na foto!

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Nesse momento, tudo que tinha passado de raiva com o carro na semana que havia passado foi esquecido, eu era só alegria. Na ligação de retorno falo que não quero trabalhar mais com 0,7. “Manda 0,9 e vou ser feliz”. Eu nunca tinha engolido a turbina que achava que tinha, pela pegada do carro, o Ka gira com segurança até 6.500 rpm, a turbina começa a encher com 3.000 rpm. A 3.500 rpm estou com 0,5 bar, e o pico sempre perto de 5.000 mil. Em 6.300 rpm ela sopra que é uma beleza, pedindo mais giro!

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Enfim, mistério revelado. Descubro que comprei uma turbina (como sabem uma garret GT2560R não é barata), e levei um Ford Ka com bancos elétricos de brinde. R-O-L-E-T-A-D-A, durante um bom tempo apenas essas palavras passavam na minha cabeça.

 

Muitos vão perguntar o porquê de eu não trocar por uma turbina menor. Até cogitei trocar em uma Garret GT1446R, original dos 500 Abarth e bastante usada nos T-Jet de hoje em dia. Mas a pegada do Ka é muito boa. Até 3.000 giros tenho um carro original, com um bom aproveitamento do torque em baixa do Zetec 1.6 original, e a partir disso tenho um canhãozinho, divertido e surpreendente. Mando refazer o coletor, peço para o Max uma fita térmica para ele ficar coçando uma semana com as fibras. Uma semana se passa e o Ka está pronto de novo, acerto com 0,9 lá em 5.600 rpm. É alto? É. Aproveito pouco a turbina? Aproveito. Mas ela me atende e o carro rende bem demais!

Aproveito que estou com mecânica OK, e vou dar um trato na estética do carro. Parapara choque sem pintar, um amassadinho na traseira e o carro precisando de um brilho extra. Mando o Kaganeira para o Popo um amigo da época de Marea que tem uma atenção e um dom na funilaria, trabalha com calma, alisa o carro varias vezes antes de entregar, procura sempre a tonalidade ideal. Enfim nele eu recomendo, confio e indico sem medo!

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Uma semana no aguardo e quando vou buscar o carro parecia outro, pedi ele pra tirar todos os emblemas, pra ficar mais “sleeper” e deixar as pessoas com uma curiosidade a mais do que é o Ka preto andando além do normal.

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Agora sim, o “Karrinho” está quase pronto!

Passam os meses e volto pra arrancada. O Ka estava redondinho, a fila estava grande, mas fui me ajeitando até que eu e o T-Jet — o mesmo que me tirou do sério da ultima vez — ficamos um contra o outro. Agora vai! Euforia no volante, e…

Sim. Perdi de novo. Mas dessa vez não fiquei da mesma maneira que da última, por dois fatos importantes: 1º eu estou ali pra brincar e não para perder a cabeça. 2º eu errei demais na saída, mas muito mesmo. Estou saindo com muita sede ao pote. Saí com 4.000 rpm, turbina “cheia”, e soquei o pé no fundo sem dosar. Lixei a primeira o tempo todo. Nessa o T-Jet pulou na frente. Fui buscando, mas não deu nos 201 metros. Quem sabe na próxima controlo a emoção, doso o pé e começo a aperfeiçoar minha arrancada! Acho que o mais importante é isso aprender com os erros, e saber que tudo é um aprendizado!

Ainda faltava uma coisa para a finalização do projeto, que ficará pro próximo post. Até lá!

Por Marcos Ponciano, Project Cars #357

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