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Mazda MX-5 Miata 2016 testado: afinal, como ficou a nova geração do pequeno roadster? (dica: animal!)

Em setembro do ano passado a Mazda revelou a nova geração daquele que, talvez, seja seu modelo mais querido pelos entusiastas — talvez até mais que o RX-7 (desculpem-nos os fãs mais ardorosos do esportivo Wankel). O lançamento veio cheio de promessas: o novo roadster seria menor, mais leve e o mais fiel possível à primeira geração, lançada em 1989 e considerada a melhor de todas por muita, muita gente mesmo — incluindo a própria Mazda.

A dúvida que ficou, claro, era se o carro cumpriria as promessas na hora da verdade. Ontem (30) começaram a sair os primeiros reviews da imprensa especializada internacional e, a julgar pelo teor das análises, os engenheiros da marca japonesa conseguiram exatamente o que queriam. Vamos ver o que andam falando dele?

Primeiro, vamos assistir ao primeiro vídeo do bichinho em movimento, feito pela britânica AutoExpress. Não espere power slides, zerinhos ou burnouts: o apresentador prefere sentar-se ao volante e dirigir curtindo a estrada. Mas isto não significa que não valha a pena assistir: é uma boa maneira de ver na prática como a Mazda falou sério quando disse que queria trazer o Miata de volta às raízes:

Dá para ver como o carro é pequeno, sendo cinco centímetros mais curto do que a geração anterior, lançada em 2006, e 1,3 cm mais baixo. Mais impressionante ainda foi a redução de peso obtida com maior uso de alumínio e aço de alta resistência — que foram empregados longe do centro de gravidade do carro, para mantê-lo baixo e o mais próximo possível do centro do carro — algo que ajuda na hora de mudar de direção com agilidade.

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O motor recebeu um cárter mais compacto e assim pôde ser rebaixado em 1,3 cm, além de ter sido recuado em 1,5 cm, ficando totalmente atrás do eixo e fazendo do novo MX-5 efetivamente um carro de motor central-dianteiro. O resultado é um capô mais baixo (e mais aerodinâmico) e, novamente, um carro mais equilibrado.

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Sabe o que é ainda mais impressionante? Estas medidas deixaram o carro mais leve. A Mazda não ainda não revelou todas as especificações técnicas, mas o Autoexpress diz que o Miata testado pesa exatamente 1.000 kg — cerca de 100 kg a menos que a geração anterior e só 50 kg mais pesado que o primeiro Miata. Isto impressiona em todos os aspectos, especialmente porque os carros estão cada vez maiores e mais pesados devido aos testes de segurança cada vez mais rigorosos.

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Quando à estética, no geral novo Miata agradou à maioria — ficou mais ousado e agressivo, com faróis pequenos e estreitos, a característica grade “bocão” (conjunto que confere à dianteira um sorriso maléfico) e recebeu bonitas lanternas traseiras que, de certa forma, lembram as do Jaguar F-Type. Na verdade o carro todo lembra vagamente um F-Type, e não tem como isto ser ruim.

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A Car and Driver americana diz que o carro tem proporções melhor equilibradas e que o efeito sobre a posição de dirigir é direto: o espaço ficou melhor distribuído e a cabine mais espaçosa, o capô mais baixo proporciona uma visão perfeita do caminho, as portas têm soleiras mais altas e o banco fica mais baixo. “No Miata anterior, o banco alto e as portas baixas davam a impressão de que o motorista estava sentado em cima do carro, e não dentro dele”. 

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Mas afinal, como ele anda? Novamente a impressão geral foi muito positiva — a Mazda não mudou sua essência e nem transformou o Miata em algo que ele não é. Sendo assim, o acerto dinâmico da suspensão independente nas quatro rodas (braços sobrepostos do tipo “duplo-A” na dianteira, multilink na traseira) brilha.

Contudo, há de se fazer uma observação importante (que foi reproduzida de forma quase idêntica em todas as análises que encontramos: o novo MX-5 poderia ter amortecedores e molas mais rígidos, mas a Mazda preferiu um acerto mais macio e complacente — por dois motivos: 1) o Miata é um carro de dia-a-dia, e por isso precisa ser confortável; e 2) a rolagem da carroceria ajuda o motorista a ter uma noção perfeita do que o carro está fazendo, de para onde a dianteira está apontando e a carga que cada uma das rodas está suportando a todo momento. Isto é envolver o motorista, algo que sempre foi um dos princípios básicos do roadster.

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Mais do que isto: a dinâmica rouba a cena. E por isso, o fato de o motor de 1,5 litros entregar “apenas” 129 cv a 7.500 rpm e 15,3 mkgf de torque a 4.800 rpm não atrapalha. Pelo contrário: os americanos irão receber uma versão maior e mais potente, de dois litros, 155 cv e 20,5 mkgf, mas a ideia geral é que, mesmo que o Miata americano fosse idêntico ao modelo testado — uma versão de pré-produção japonesa, da qual só existem unidades o bastante para contar nos dedos —, os 26 cv não fariam falta.

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Aliás, este motor é menos potente do que o 2.0 anterior, que tinha 167 cv, mas tem mais torque (20,5 mkgf contra 19,4 mkgf). Uma manobra ousada por parte da Mazda, mas que faz sentido quando lembramos dos 100 km a menos do novo Miata.

O carro americano também terá rodas maiores, de 17 polegadas (o modelo testado vem equipado com rodas de 16 polegadas) e, possivelmente, freios maiores.

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O tom geral é de um carro que mantém viva a linhagem do Miata, e da melhor forma possível: com uma grata surpresa. Não há revoluções — na verdade, se não fosse o visual mais moderno do que nunca, o MX-5 2016 seria um completo aceno ao passado. Talvez seja o deslumbramento, mas até agora não encontramos críticas ao roadster em lugar algum.

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É uma pena que a Mazda já não atue no Brasil há mais de uma década — se já estávamos com vontade de pilotar o novo MX-5 Miata, agora mais ainda.

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