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As motos com motor de carro mais insanas já feitas

Há alguns dias vimos os carros mais legais construídos com motores de moto. A combinação sempre é matadora: geralmente temos carros leves — e consequentemente ágeis — com motores estupidamente giradores. O problema é que nem sempre a relação peso/potência é das melhores. Se para você é isso o que realmente importa, talvez seja melhor fazer a receita ao contrário: colocar um motor de carro em uma moto. Nada pode superar a relação peso/potência de um quadro com duas rodas embalado com algo produzido para levar uma armadura de metal, quatro rodas e mais de uma pessoa. Selecionamos a seguir as motos mais insanas feitas com motor de carro.

 

AlfaBeast

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Poucas máquinas roncam com tanta personalidade quanto uma moto com motor seis-cilindros — basta lembrar da subida de giros da clássica Honda CBX. O problema é que encontrar um motor desses não é tarefa das mais simples. O que fazer então quando você quer uma moto seis-cilindros com um ronco matador?

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Simples: você instala um V6 da Alfa Romeo nela. Essa é a receita da AlfaBeast, uma bobber hardtail construída por um americano chamado Chris Barber usando um chassi/quadro Kraftek e uma transmissão Harley Davidson de quatro marchas ligada ao virabrequim do V6 2.5 por uma corrente.

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O radiador fica entre o garfo e o motor, enquanto a admissão usa quatro cornetas que atravessam a parte de trás do tanque de combustível. A potência, contudo, não é nada assombroso: a AlfaBeast é empurrada pelos mesmos 158 cv do Alfa Romeo 6 que lhe doou o motor. Mas quem se importa? É uma moto com um V6 de Alfa!

 

Amazonas

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Foto: alphamotoclube.com.br

Yes, nós temos bananas. Ou melhor, motos com motor de carro. A representante brasileira dessa lista é a famosa Amazonas, uma moto enorme, com mais de 300 kg, que usava o motor boxer 1.500 da Volkswagen (e mais tarde o 1.600) e um monte de peças de carros e caminhões da época. Era o jeito de fazer uma custom por aqui, já que importar dezenas de Harley-Davidson não era exatamente uma opção naquele tempo.

Dizem que ela foi a primeira moto do mundo com marcha à ré, e também a maior moto do mundo em sua época. É bem provável que fosse mesmo, mas a imprensa demorou algum tempo para levar a moto a sério — foi somente depois que a empresa começou a vender motos para clientes estrangeiros do Japão, Europa e EUA, que a Amazonas passou a ser vista com mais respeito, digamos.

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Ela era oferecida em três versões: Turismo Luxo, Esporte Luxo e Militar Luxo — essas últimas usadas pela polícia rodoviária. Apesar do motor enorme (para uma moto da época, claro) o desempenho não era muito melhor que o de um Fusca, os testes feitos pela imprensa registraram máxima de 144 km/h. Só a aceleração que era mais empolgante: o zero a 100 km/h leva 8,7 segundos — temo mais alto que o das japonesas CB750 e RD350 vendidas por aqui na época. Nenhuma delas, contudo, tinha o porte e a promessa de conforto para a estrada. A Amazonas deixou de ser produzida em 1988, dois anos antes da reabertura das importações.

 

Boss Hoss

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A Boss Hoss não é exatamente um modelo de moto, mas sim uma fabricante artesanal que produz toda uma linha de motos equipadas com motores V8 LS da Chevrolet desde 1990. A linha de produtos inclui somente motos tipo “custom” e trikes — mas não aqueles triciclos com garfo longo e um stance meio pós-apocalíptico que temos aqui no Brasil, e sim a trike americana, que mais parece um velotrol para barrigudos da terceira idade.

Infelizmente o melhor vídeo das Boss Hoss é em finlandês…

As motos são feitas por encomenda, e por isso praticamente nenhuma é igual à outra visualmente. Mecanicamente você tem duas opções: o 350 (5,7 litros) de 365 cv, ou o 502 (8,2 litros — sim, 8,2 litros em uma moto) com 510 cv e 78,3 mkgf. Obviamente, o peso também acompanha o potencial dos motores, variando de 500 a 590 kg sem fluidos.

Boss Hoss BHC-3 ZZ4SS

Considerando que o tanque tem 32 litros, o motor usa mais uns 10 litros de óleo, o sistema de arrefecimento deve usar outros bons cinco litros de água e ela é pilotada por americanos, o peso total chega perto dos 750 kg — por isso também as Boss Hoss usam pneus automotivos na traseira. Mesmo assim, você não encontrará nada mais leve para acelerar um V8. Com exceção daquela moto-serra V8, mas você não pode cruzar a Route 66 montado em uma moto-serra…

 

Olson Zephyr

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A Olson Zephyr está longe de ser a mais radical desta lista, mas é dela o título de moto com mais cilindros. Não vá bancar o novato e contar as saídas de escape, veja os cabos de vela do motor: seis em cada cabeçote, ou doze cilindros no total.

Esse é o motor FlatHead que originalmente impulsionava o Lincoln Zephyr nos anos 1930, mas os caras da Olson V8 Motorcycles acharam que seria uma boa ideia usá-lo em uma moto — especialmente por que ele tem um ângulo menor entre as bancadas, o que deixa a moto menos larga e concentra a massa mais próxima do eixo central da moto.

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A instalação do motor começa na troca de componentes antigos por peças mais novas e mais confiáveis. Depois ele é montado no chassi exclusivamente feito para ele, com direito a radiador e ventoinha na traseira para encarar os dias mais quentes dos EUA. A potência gira em torno dos 130 cv e o ronco não poderia ser mais intimidador. Você pode ler mais detalhes sobre a Olson Zephyr V12 neste post que fizemos sobre ela há alguns meses.

 

Von Dutch XAVW

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Eu sei, você achava que Von Dutch fosse uma moda passageira, mas na verdade Von Dutch era o apelido de Kenny Howard, um lendário preparador de motos, pin striper, armeiro e fabricante de cutelaria americano. É por isso que esta moto, a XAVW, leva seu nome. Ela é uma de suas mais famosas criações.

Kenny usou peças de uma Moto Guzzi, transmissão Harley-Davidson e o tanque de uma CB400 para construir a moto ao redor deste motor boxer 1200 da Volkswagen, o motor que o Fusca usava quando chegou aos EUA. Isso significa que ela não tem mais que 30 cv, mas também não pesa muito mais que 200 kg. Se era suficiente para um Fusca, para uma bobber isso é mais que suficiente. Especialmente com esse estilo matador, que faz ela parecer ter acabado de cruzar os desertos americanos.

 

Jade Warrior

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Se você pensa em carros de rali e monopostos antigos ao ler o nome Cosworth, essa moto irá ampliar seus horizontes. Tudo bem, ela não parece exatamente uma moto, mas qual é a máquina que tem duas rodas enfileiradas longitudinalmente, muda de direção com os movimentos de um guidão e transporta somente uma pessoa? Um Segway fazendo drift? Claro que não.

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A Jade Warrior é sim uma moto, mas ela é assim diferente pois é uma moto de arrancada — o que acaba tornando-a brilhante pois com o piloto deitado dessa forma a transferência de peso para a traseira não é acentuada a ponto de empinar a moto, e ela acaba sendo bastante aerodinâmica. Ali atrás, nos pés do britânico Angus MacPhail — o piloto e criador da Jade Warrior — há um Cossie de quatro cilindros sobrealimentado com um compressor para gerar cerca de 400 cv.

Com essa potência, Angus conseguia cumprir o quarto-de-milha das drag races em menos de oito segundos e a mais de 200 mph (320 km/h). Apesar do layout bizarro a moto era relativamente fácil de se controlar na pista.

 

Dodge Tomahawk

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Ela tem quatro rodas e um motor V10 de 500 cv, mas também tem um guidão, um tanque sobre o motor e um banco individual. A Tomahawk é, possivelmente, o projeto mais insano já feito pela Dodge — mais até que o Hellcat — e talvez seja por isso que esta supermoto nunca chegou perto de ser produzida em série.

O modelo foi apresentado como conceito no Salão de Detroit de 2003, e usa o V10 de 8,3 litros do Dodge Viper da época, freios a disco com 16 pistões na frente e oito na traseira e pesa quase 700 kg.

Na época, a Dodge declarou que a Tomahawk poderia chegar a 680 km/h, mas depois mudou sua estimativa para um número mais realista: 480 km/h. Isso por que o conceito nunca foi testado pra valer — todas as estimativas são projeções matemáticas baseadas no peso, potência, relações de marchas e na experiência de construtores de carros para Bonneville. Ninguém nunca andou, oficialmente, a mais de 160 km/h com esse monstro. É fácil entender por quê…

 

 

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