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Car Culture

Nissan Stagea: o Skyline GT-R em forma de perua (ou quase isso)

Em 2014 não paramos um minuto de falar no Nissan GT-R, Skyline ou não. OK, talvez seja exagero, mas ainda assim, falamos bastante deste que é um dos esportivos japoneses mais cultuados no mundo todo — com toda a razão, diga-se. Agora, você se incomoda se falarmos nele de novo? “É claro que não!”, temos certeza.

De qualquer forma, não vamos falar exatamente do Skyline, mas de um parente próximo dele: a Stagea, perua fabricada pela Nissan a partir de 1996 para competir com o Subaru Legacy. Suas armas? Tração integral e até o motor RB26DETT do GT-R em algumas versões. Bacana, hein?

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Sem dúvida que é. Só que, como acontece com boa parte das coisas mais legais do Japão, sua origem é meio nebulosa para quem vive no ocidente. Deste lado do mundo é muito comum ver a Stagea sendo chamada de “perua do Skyline”, mas na verdade seu parentesco mais próximo é com o sedã Laurel.

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Por outro lado, o Nissan Laurel de sétima geração da época era um sedã executivo que dividia plataforma com o Nissan Skyline R33. Antes dele, o Laurel de sexta geração dividia a plataforma com o R32. Voltando no tempo até a década de 1970 (mais precisamente, 1972), o Laurel era um cupê que dividia a plataforma com o Skyline C110 “Kenmeri” — e era muito parecido com ele.

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Sendo assim, não está totalmente errado dizer que a Stagea é, sim a perua do Skyline — só que você vai impressionar mais os seus amigos se contar esta história toda na hora da conversa. Não precisa agradecer.

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Enfim, voltando à perua: ela foi lançada em 1996 e vendida exclusivamente através da rede de concessionárias Nissan Prince Store — uma das quatro . Esta segmentação era muito comum no mercado japonês da época e várias fabricantes tinham redes de concessionárias específicas para alguns modelos — a Stagea dividia os showrooms (e o público) com o Skyline. E nem dá para dizer que a “competição” era injusta — porque a Stagea também tinha seus atrativos, e não eram poucos.

É um carro de dimensões generosas (quase cinco metros de comprimento) e uma traseira reta que lembra as melhores peruas da Volvo. A dianteira trazia faróis largos, mais altos que os do Skyline e do Laurel, garantindo a identidade própria sem se afastar muito do visual do resto da “família” (vamos considerar uma família)… e, como todo bom Skyline, havia versões com turbo e tração integral.

Antes de falar delas, porém, não custa lembrar que existiam versões mansas (como o próprio Skyline tinha, mas a gente finge que esquece, não é?), como a Stagea 20G, com um motor 2.0 de aspiração natural, comando simples e parcos 130 cv acoplada a uma caixa manual. E, mesmo com este motor “fraco” (na verdade, está a par dos 2.0 vendidos por aqui em 1997, por exemplo), ela tinha tração traseira, o que é sempre um ponto positivo.

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Mas nós não estamos aqui para falar de uma Stagea com motor de 130 cv e tração traseira, estamos? Pois então: a melhor versão da Stagea vendida pela Nissan tinha um seis-em-linha com turbo e tração integral. Não era nenhum RB26DETT — o icônico seis-em-linha biturbo de 2,6 litros e 280 cv do GT-R — mas não reclamaríamos: comando duplo no cabeçote, 2,5 litros, turbo e potência de 235 cv a 6.400 rpm, com 28 mkgf de torque a 4.800 rpm. Era o bastante para acelerar até os 100 km/h em cerca de sete segundos!

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Só que a aceleração não o único destaque. A Stagea RS Four — é este o nome da versão — tinha um sistema de tração integral muito parecido em atuação com o encontrado no Skyline GT-R, com sensores e acelerômetros que liam as condições de aderência da pista e distribuíam o torque entre os eixos da melhor forma possível. Some a isto a suspensão independente nas quatro rodas — também de arranjo idêntico ao do Skyline, com duplo wishbone na dianteira e multilink na traseira e fica fácil imaginar como este carro era estável.

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No fim de 1998 a Stagea recebeu uma leve remodelação, com faróis duplos na dianteira e lanternas traseiras com setas brancas em vez de bicolores, além  de um novo kit aerodinâmico. Mecânica e versões continuaram as mesmas, e a Stagea baseada no Laurel foi descontinuada em 2001.

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De 2001 a 2007 a Nissan fabricou a segunda geração da Stagea, batizada de M35. Sua base é o sedã Skyline — que já não tinha mais apelo esportivo e adotou um perfil mais conservador (levando a Nissan a separar o GT-R da família, apesar das similaridades estruturais) e, embora ainda seja um belo carro, não tem o mesmo carisma. E nós temos um palpite sobre o motivo.

Chama-se Nissan Stagea Autech Version — esta sim uma verdadeira perua GT-R, pois era entregue pela Nissan à Autech, uma de suas divisões esportivas menores. Não se sabe ao certo quantas foram feitas, e nem até quando, mas membros de fóruns especializados acreditam que a Autech tenha feito algo entre 1.000 e 2.000 unidades da perua com motor de Skyline GT-R — sim, o RB26DETT.

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Com ele, a Stagea era capaz de acelerar até os 100 km/h na casa dos seis segundos e você ainda podia trocar as marchas sozinho, porque o câmbio tinha alavanca e pedal de embreagem — como deve ser.

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Não por coincidência, é muito comum vermos facelifts da Stagea com a dianteira do Skyline GT-R R34, e o resultado é tão bom que fica parecendo original de fábrica — até porque a 260RS até tinha um kit aerodinâmico muito parecido com o do GT-R. Soa familiar?

[ Fotos: craigwoodbridge, zanthraxnl, Alan Lavery, Richard de Heus ]

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