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Nomad: o Ariel Atom feito para acelerar longe do asfalto

Não faz muito tempo que fizemos, aqui no FlatOutuma seleção de esportivos superleves (que apelidamos de pernilongos sobre rodas) — aqueles carros que trazem apenas o básico do básico para andar rápido, sem itens de luxo e conforto desnecessários e, em alguns casos, até mesmo ausência de carroceria.

Um dos mais conhecidos representantes desta categoria é o Ariel Atom, que nasceu como um projeto de faculdade e se tornou um verdadeiro sucesso entre os adeptos dos track days no mundo todo.

Não é difícil de entender o motivo: além do visual bacanudo (ainda que não seja exatamente o que se espera de um carro), ele tem motor central-traseiro, suspensão independente com braços sobrepostos nos quatro cantos, pesa só um pouco mais de 600 kg e traz o atrás dos bancos o famoso Honda K20, de dois litros com comando duplo variável VTEC — preparado para render, no mínimo, 248 cv a 8.600 rpm.

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É possível optar por um compressor mecânico e aumentar sua força para 355 cv a 8.400 rpm. O câmbio é sempre manual de seis marchas, com carcaça de alumínio e relações bem próximas entre si. Em sua versão mais potente, o Atom chega aos 100 km/h em 2,7 segundos (!) com máxima de 250 km/h.

No entanto, o maior barato do Atom é a experiência visceral que ele proporciona quando se dirige rápido. Afinal, não há qualquer tipo de isolamento entre o piloto e o mundo a sua volta com exceção do exoesqueleto tubular de aço e um pedacinho de acrílico que a Ariel tem a ousadia de chamar de para-brisa e não pára brisa nenhuma, servindo apenas para tornar o carro apto para rodar nas ruas.

Não, nós nunca vamos cansar deste vídeo e sim, sempre vamos usá-lo ao falar do Ariel Atom

Dito isto, não fica difícil entender porque, em meio a tantas fabricantes independentes que têm vida curta, a Ariel resiste firme e forte há mais de dez anos. O primeiro Atom começou a ser produzido oficialmente em 2004 e, desde então, jamais deixou o mercado — com direito a uma edição limitada com motor V8 de três litros (feito com dois quatro-cilindros de supermoto unidos pelo virabrequim) e 507 cv. Sendo assim, em 2015, a empresa decidiu que já estava mais do que na hora de expandir sua linha.

O resultado foi o Ariel Nomad, apresentado em janeiro deste ano durante o Autosport International Auto Show, maior feira de carros de competição e esportivos do Reino Unido. Como sugerido por seu nome, inspirado nos povos nômades da África, o apelo do Nomad está no fato de ele trazer a mesma filosofia minimalista e radical do Atom e levá-la para longe do asfalto — não apenas no deserto, obviamente, mas a inspiração nos dune buggies de areia é clara e assumida.

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Uma maneira simples de descrever o Ariel Nomad é dizer que ele é um Atom com suspensão elevada. E, de fato, não há muito o que inventar, porque ele é isto mesmo — simples e minimalista como o Atom, com algumas diferenças.

A mais importante delas é, naturalmente, a suspensão elevada. O esquema é semelhante ao do Atom, mas a geometria é toda retrabalhada e os componentes são mais resistentes. Os amortedores ajustáveis podem ser Bilstein ou Öhlins, e em ambos os casos contam com molas maiores e braços sobrepostos de alta resistência, iguais aos usados nos carros de rali.

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Naturalmente, o curso da suspensão é bem maior do que no Atom, e os amortecedores e molas não são tão rígidos. Os pneus de uso misto, de medidas 235/75, calçam rodas de 15×7 polegadas. Assim, a Ariel garante que o Nomad também é suficientemente confortável para uso na cidade e na estrada — ainda que ele se sinta em casa de verdade na terra.

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Ou na água

A verdade é que o Nomad foi imaginado paralelamente ao desenvolvimento do Atom, mas o fundador da companhia, Simon Saunders, preferiu deixar a ideia de lado. Foi seu filho, Henry Siebert-Saunders, o responsável pelo desenvolvimento do modelo de produção depois de insistir que ele deveria se tornar realidade. Ele estava certo.

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Imagine um Ariel Atom que digi-evoluiu: a estrutura de aço com soldas de bronze usa tubos mais grossos e traz arcos no teto, formando uma gaiola de proteção exposta. O motor continua sendo um Honda de quatro-cilindros, porém é o K24 — com deslocamento de 2,4 litros e preparação para entregar 238 cv a 7.200 rpm. A transmissão é exatamente a mesma do Atom, uma caixa manual de seis marchas com embreagem hidráulica. As relações, no entanto, são mais distantes.

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O Nomad é mais pesado que o Atom, devido a seu porte mais avantajado. Mas o acréscimo é pequeno: de 600 kg para 670 kg. Assim, com a potência extra, o desempenho ainda impressiona: 0-100 km/h em 3,4 segundos e máxima de 200 km/h — mesmo porque dificilmente você vai chegar aos 200 km/h no meio de uma trilha. Ou não.

Sendo um carro feito para terrenos empoeirados, elameados e acidentados, o Nomad dá uma atenção especial à proteção dos ocupantes: além da gaiola, ele conta com uma carenagem removível a prova d’água e de sujeira, além de um para-brisa de verdade (que também é removível) e um suporte para o estepe acima do motor.

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E, bem… só: como no Atom, não há itens de conforto e conveniência, nem qualquer tipo de acabamento refinado. Precisa mais? Bem, veja-o em ação e tenha a resposta:

Claramente não, não precisa mais. De acordo com o review da Car and Driver americana, “é impossível dirigir um Ariel Nomad como se deve sem ficar com um sorriso idiota no rosto”. A gente acredita.

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