O que significam os nomes dos carros? – parte 4: os brasileiros

Dalmo Hernandes 10 janeiro, 2017 0
O que significam os nomes dos carros? – parte 4: os brasileiros

Nos últimos dias, o FlatOut fez uma série especial com os significados dos nomes das fabricantes de automóveis e, depois, com os significados dos nomes dos modelos. Nesta última, foram três partes com nomes de carros icônicos pelo mundo, em ordem (quase) alfabética. Agora, vamos fazer uma quarta parte – desta vez, com carros que marcaram época no Brasil. Mesmo que nem todos tenham sido vendidos exclusivamente aqui.

Brasilia: esta é fácil, não é? A Brasilia (assim, sem acento mesmo), lançada em 1975 para substituir o Fusca (o que acabou não acontecendo, como todos sabemos), recebeu o nome da capital do País para exaltar seu desenvolvimento todo feito no Brasil.

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Foto: DKWCandango.com.br

Candango: a versão brasileira do utilitário DKW Munga foi lançada em 1958. O nome Candango é uma homenagem aos operários que trabalharam na construção da cidade de Brasilia, que foi inaugurada em 1960. Não se sabe ao certo a origem da palavra, mas acredita-se que seja a forma que os escravos africanos se referiam aos portugueses que os traficavam. Quando Brasília começou a ser construída, a palavra designava apenas os trabalhadores vindos do Nordeste, e que ela perdeu seu sentido pejorativo quando o presidente Juscelino Kubitschek passou a chamar os operários desta forma.

Carcará: ainda que não seja um carro de rua, o DKW Carcará vale a menção. Em 1966, ele ficou famoso por ser o primeiro carro brasileiro a quebrar um recorde de velocidade, ao atingir os 212,903 km/h em um quilômetro lançado na antiga BR-2, que ligava o Rio de Janeiro a Santos. Ele tinha um motor DKW de três cilindros, dois tempos e um litro, preparado para entregar 103 cv.

É um bicho que “avoa” que nem avião

Carcará é o nome de uma música composta por João do Vale e José Cândido que, na época, estava fazendo muito sucesso na voz de Maria Bethânia. A canção descrevia a ave de rapina mesmo nome (um parente distante do falcão), que “pega, mata e come”. Este duplo sentido agradou a Jorge Lettry, um dos envolvidos no projeto, que sugeriu o nome para os colegas Anísio Campos e Rino Malzoni.

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Chevette: primeiro carro compacto da Chevrolet no Brasil, o Chevette começou a ser fabricado no Brasil em 1973. Há duas versões para a origem de seu nome: a primeira diz que o nome foi escolhido por remeter ao esportivo Corvette, sendo basicamente a união das palavras Chevrolet e Corvette. A outra diz que é simplesmente uma aglutinação de Chevrolet com o sufixo francês “ette”, que designa diminutivos — algo como “Chevinho” em português.

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Corcel: tal qual o Chevette, um de seus grandes rivais, o Corcel também recebeu o nome inspirado em um ícone da matriz americana: assim como o Ford Mustang, o carro de entrada do oval azul no Brasil tinha o nome de uma raça de cavalo. A ideia é comumente atribuída ao publicitário Mauro Salles.

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Corsa: há uma associação errônea do nome Corsa à fêmea do corço, uma espécie de antílope. O Corsa tem este nome porque corsa é corrida em italiano.

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Del Rey: segundo consta, Mauro Salles também escolheu o nome do Ford Del Rey, versão “de luxo” do Corcel. A ideia era associar o carro à nobreza e à realeza, uma vez que Del Rey significa exatamente “do rei”. Ou seja: era o Ford do rei.

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Elba: a perua do Fiat Uno recebeu este nome em homenagem à Ilha de Elba, que fica a cerca de 20 km da costa da Toscana, na Itália. A ilha de Elba é a maior do arquipélago toscano e a terceira maior ilha da Itália, com cerca de 30.000 habitantes. Foi lá que Napoleão Bonaparte acabou exilado em 1814 depois de ser deposto do poder na França. Ele fugiu da Ilha de Elba no ano seguinte, mas acabou exilado novamente para a Ilha de Santa Helena, onde morreu em 1821.

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Fiorino: já a picape e furgão Fiorino foi batizada com o nome de uma antiga moeda italiana, o “fiorino d’oro” (ou “florim de ouro), usada até o século 16.

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Fissore: reparou como esta lista está cheia de DKW? O Fissore, sedã de duas portas da DKW-Vemag, foi batizado assim pois sua carroceria foi desenhada pela companhia italiana Carrozzeria Fissore.

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Fox: exportados para os EUA na década de 1980, o Volkswagen Voyage e a Parati foram batizados como Fox, que é o nome em inglês da raposa — uma referência às qualidades do animal, símbolo da inteligência e agilidade nos EUA. Também se relaciona com o nome Rabbit (coelho), que foi escolhido pela companhia para a versão americana do VW Golf  de primeira geração, em 1975. A VW decidiu trazer de volta o nome em 2004, quando lançou o VW Fox que conhecemos hoje.

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Kadett: o primeiro Opel Kadett (“cadete” em alemão), da década de 1936, deu início à tradição na companhia de colocar nomes militares em seus carros, tendo sido seguido pelo Opel Admiral (“almirante”) e pelo Kapitän (“capitão”) em 1937 e 1938, respectivamente. Cadete é o nome dado aos militares durante sua formação para se tornarem oficiais — adequado ao menor dos modelos da marca.

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Landau: a última versão do Ford Galaxie se chamava Galaxie LTD Landau. Era uma referência às antigas carruagens em que os ocupantes sentavam-se frente à frente, que tinham uma meia-capota independente em cada um dos lados, sustentada pro braços dobráveis em forma de “S”. O Landau trazia, na coluna “C”, uma imitação destes braços. Posteriormente, a Ford abandonou o nome Galaxie e manteve apenas o Landau.

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Marea: sempre fiel às raízes, a Fiat batizou o Marea com a palavra italiana para “maré”.

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Opala: há duas origens possíveis para o nome Opala. A primeira fala da pedra preciosa de mesmo nome, que normalmente apresenta uma cor neutra mas, sob a luz certa, adquire uma tonalidade muito viva e variada. A outra diz que é uma mistura de Opel, pois foi a divisão alemã da GM quem desenvolveu o projeto inicial, e Impala, o nome do Chevrolet americano que lhe cedeu o motor seis-cilindros em linha.

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SP2: o esportivo da VW, feito sobre a plataforma da perua Variant, não tem uma explicação exata para sua origem. Enquanto uns dizem que SP é uma homenagem à cidade de São Paulo, há quem acredite se tratar da sigla para Special Project ou Sport Prototype. Já o número 2 indica que trata-se da segunda versão do carro, equipada com motor de 1,7 litro e 75 cv, mais potente que o SP1, que usava um motor 1.6 de 65 cv, considerado fraco demais para um esportivo de visual tão bacana.

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Palio e Siena: olha só que interessante: o Fiat Palio foi batizado assim por causa de uma tradicional corrida de cavalos que acontece até hoje na cidade italiana de Siena, o Palio di Siena. Por isso, sua versão sedã foi batizada com o nome da cidade.

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Pampa: a picape Pampa, derivada do Corcel II, também tem nome de cavalo, mas não de uma raça – um cavalo pampa é todo aquele que tem a pelagem malhada.

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Parati: a perua Parati foi batizada em homenagem à cidade histórica do estado do Rio de Janeiro. Também é histórico o ensaio fotográfico de lançamento da Parati em Parati.

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Saveiro: se Parati é o nome de uma cidade praiana, Saveiro é o nome de uma espécie de barco produzido artesanalmente usando apenas madeira como matéria prima. Em alguns casos até mesmo os cravos que uniam as tábuas eram feitas do material vegetal.

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Uno: ao criar o Uno, a Fiat buscava intruduzir uma nova filosofia para seus carros pequenos, unindo modernidade no projeto com o máximo de economia e aproveitamento de espaço. Por isso, deu a ele o nome de Uno, que é “um” em italiano, simbolizando o primeiro carro a seguir este novo conceito.

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Vectra: segundo a lenda, o Vectra (um projeto da Opel, vale lembrar) foi batizado por um computador que, através de um algorítimo, sugeriu diferentes nomes com base na palavra vetor.

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Versailles: tal como o Del Rey, o Ford Versailles tem um nome associado à realeza – no caso, prestando homenagem ao Palácio de Versailles (Versalhes, em português), construído em 1673 pelo rei Luís XIII na vila de mesmo nome.