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OFICIAL: Porsche 911 GT2 RS crava 6:47,3 em Nurburgring – veja on board e análise

Enfim, aconteceu: depois de não esconder de ninguém que estava em Nürburgring para quebrar um recorde, o Porsche 911 GT2 RS o fez, e percorreu todos os mais de 20 km do circuito em 6min47s3, simplesmente destroçando o recorde anterior e igualando-se a alguns protótipos e modelos de pista. É um recorde histórico.

O lendário circuito de Nürburgring Nordschleife é território familiar para a Porsche. Mais do que isto: historicamente, a fabricante de Stuttgart é soberana no Inferno Verde. Para começar, o recorde absoluto no circuito de mais de 20 km é de um Porsche – em 1983, Stefan Bellof, que percorreu o circuito todo em 6min11s13 e jamais foi superado. Quatro anos depois, em 1987, o Ruf CTR Yellowbird – em essência, um Porsche 911 Carrera com carroceria aliviada, dois turbos e quase 500 cv – eternizou o vídeo Faszination Nürburgring, no qual o piloto alemão Stefan Roser tentava domar o monstro sobresterçante e não morrer a cada curva. OK, no papel o Ruf Yellowbird podia até não ser um Porsche, mas na prática era sim. E parece que a fabricante quis acenar para ele na hora de escolher a cor do GT2 RS que foi até Nürburgring.

Por mais que seja o quintal da Porsche e ela detenha o recorde absoluto, a companhia sempre foi ofuscada quanto aos carros de rua. Nenhum 911 foi o recordista antes do GT2 RS. Neste campo, os alemães acabam ofuscados por caras como o Chevrolet Corvette, o Chevrolet Camaro, o Nissan GT-R e o Dodge Viper – ainda que um dos recordes mais recentes, e o primeiro abaixo dos sete minutos (6min57s), tenha sido com com o Porsche 918 Spyder conduzido por Marc Lieb em setembro de 2013. Até porque, desde então, o hipercarro híbrido foi superado pelo Lamborghini Huracán Performante na polêmica volta de 6min52s algumas semanas atrás, sobre a qual todo mundo já discorreu e rediscorreu, mesmo que esta última palavra nem exista de verdade.

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A Porsche decidiu, então, colocar um basta em tudo isto e, quando levou o 911 GT2 RS e seu motor biturbo de 700 cv para o Inferno Verde, foi para jogar sério. E eles o fizeram, escolhendo a melhor época do ano para tal – o primeiro mês do outono na Alemanha, com clima ameno, temperaturas agradáveis e nenhuma chuva. O resultado está aí: Lars Kern (que pilotou sem luvas, provavelmente para sentir melhor o limite de aderência) demonstrando uma pilotagem absurdamente limpa na volta mais veloz que um carro produzido em série já deu em Nürburging Nordschleife.

Seis minutos, 47 segundos e três décimos – 4,76 segundos a menos que a volta do Huracán Performante, dez segundos a menos que o Porsche 918 Spyder, um hipercarro híbrido de quase 900 cv e tração integral (ainda que este tenha entre-eixos maior, o que aumenta a inércia polar e torna mais lenta a mudança de direção), e meio minuto mais rápido que seu antecessor, o 997 GT2 RS. O Nio EP9, que fez 6min45s, é um one-off elétrico de 1.340 cv. O Pagani Zonda R, que é praticamente um carro de pista e teve só 15 exemplares produzidos, também virou 6min47s.

Relembrando: o GT2 RS tem um flat-six biturbo de 3,8 litros e 700 cv, câmbio PDK de sete marchas, tração traseira e peso aliviado. O carro está com a gaiola de proteção parcial opcional na traseira, como fica evidente pela posição horizontal do cinto de segurança. E repare como o interior está completo, com couro, Alcantara e revestimento vermelho. Importante: vale lembrar que, mesmo assim, o GT2 RS pesa 1.470 kg, ou quase 250 kg a menos que o Porsche 918 Spyder, que também tem entre-eixos mais longo e, por estes dois fatores, acaba sofrendo mais com a inércia polar e não muda de direção tão rápido. Mérito do GT2 RS.

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Na verdade, este nem foi o único recorde quebrado do 911 GT2 RS em Nürburgring: em tentativas anteriores, o alemão Lars Kern e o britânico Nick Tandy completaram cinco voltas abaixo dos 6min50s, superando logo de cara o Huracán.

A Porsche comenta que, quando o desenvolvimento do 911 GT2 RS começou, foi estabelecida a meta de 7min05s em Nürburgring. Era natural que, ao baixar de 6min50s, os caras tentassem baixar ainda mais este tempo para testar os limites do carro. E, de fato, a volta mais rápida começou às 19:11 da noite, no limite: mais tarde que isto, o asfalto começaria a esfriar demais e comprometeria o desempenho dos pneus. Além disso, o horário proporcionou um céu muito bonito no vídeo.

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Agora, chega de papo e vamos à ação! Em seguida, temos alguns insights do Juliano Barata, nosso editor-chefe, que já foi a Nürburgring Nordschleife com o Audi R8 – e até fez um guia curva-a-curva para ajudar a quem decidir se aventurar no Green Hell.

Logo de cara, o que me chamou a atenção é o quanto o GT2 está tracionando nas saídas de curva, mas talvez mais do que isso, o quanto que ele está apontando. O quanto de velocidade está sendo possível carregar para trechos como Hatzenbach (17s aos 28s do tempo de volta) de forma natural, sem precisar chamar no volante.

Aos 48s do tempo de volta, o carro DESTRACIONA a mais de 200 km/h na saída do Flugplatz! Quando pensamos que o carro está calçando Michelin Sport Cup com 325 mm (!) de seção, temos uma ideia do nível de obscenidade de torque do GT2 RS.

O momento é quase invisível porque o Lars é muito suave, mas é só acompanhar o som e o sutil contra-esterço (muito sutil).

Logo depois, aos 1:02s da volta, o carro salta (!) a quase 300 km/h na entrada do Schwdenkreuz. Obsceno. Nunca vi um carro fazer isso dessa forma naquele trecho.

Ele desce aquele trecho com tanta velocidade que a frenagem e a entrada da Aremberg são feitas num traçado pouco ortodoxo, mas muito eficaz, entrando pelo meio da pista com trail braking profundo, levado até o ponto de tangência.

Na toca da raposa (Fuchsrohre), aos 1:25s da volta, a velocidade é tão bizarra (mais de 270 km/h) que Lars precisa frear antes da quebra de relevo. Logo depois, na entrada da floresta de Adenau (1:35s da volta), novamente Lars faz um traçado não-convencional.

Em comum a estes dois momentos de traçado esquisito é a saída de uma curva ou trecho veloz e a entrada de uma curva lenta. Isso ainda ocorrerá em vários outros trechos similares, como a frenagem para Klostertal (3:56s da volta).

Esse tipo de traçado só é possível com um carro com níveis pornográficos de aderência na dianteira. A Stock Car segue filosofia de traçado parecida na entrada do S do Senna, entrando pelo meio da pista, não por fora. Já estou pensando se a Porsche não foi um passo além (no bom sentido) no mapeamento do sistema de esterçamento das rodas traseiras…

A saída da Kallenhard (2:06s da volta), uma demonstração do quanto que o GT2 RS consegue tracionar na saída de uma curva de baixa, mesmo sendo apenas tração traseira. Aqui, o motor traseiro faz toda a diferença.

Entre os 2:24 e 2:27 da volta, a demonstração do quanto que o GT2 RS consegue apontar para dentro, mesmo durante a frenagem.

A partir de 4:20, noto que o overlay do conta-giros e o som/vídeo saem de sincronia. Não de forma exponencial nem escandalosa, mas o conta-giros passa a registrar uns três décimos atrás, até o fim da volta, como se tivesse perdido o fio da meada por um átimo. Se Misha Charoudin e Dale Lomas não estivessem lá como testemunhas independentes (penetras) que cronometraram as passagens do GT2 RS, teria um gatilho para uma polêmica. Porsche, vocês devem um 911 pra estes caras.

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