A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Car Culture Top

Os carros mais icônicos (e colecionáveis) da década de 1990 – parte 1

Estamos vivendo em um momento de nostalgia noventista. Muito do que estamos ouvindo, assistindo, vestindo e consumindo é visivelmente influenciado pela década de 1990. E isto inclui o que estamos… dirigindo.

Não estamos falando apenas da volta de caras como o Toyota Supra e o Honda NSX (já vamos falar deles, claro), mas sim que o culto aos carros da década de 90 anda bem mais forte por estes tempos. Isto significa, também, que muitos deles estão ficando mais caros e, em breve, se tornarão objetos de coleção.

Pensando nisto, decidimos começar nossa série sobre os carros mais icônicos de cada década pelos anos 1990. Perguntamos aos leitores quais seriam suas escolhas há alguns dias, e agora temos a primeira parte da lista com as respostas.

Utilizamos um critério duplo: além de selecionar os carros que estão pegando preço e se tornando colecionáveis, também incluímos carros icônicos que marcaram os anos 1990 – no Brasil e no mundo.

 

Golf GTI Mk3

3085428761_112a1ebb73_o

Foto: Ed Cunha PH

Sugerido por: The Power Guido

O primeiro nome da lista foi objeto de debate aqui nos bastidores do Flatout. “Incluímos ou não?”, era a pergunta. Por um lado, ele foi um dos primeiros importados da VW com a reabertura do mercado em 1990. Por outro, não era exatamente apimentado, trazendo o mesmo 2.0 8v empregado no Golf GLX, de 114 cv. Levava 10,4 segundos para chegar aos 100 km/h com máxima de 196 km/h, segundo a VW.

Não foi até a década de 2000, com o Golf GTI Mk4 e seu motor 1.8 turbo, que o brasileiro pode finalmente entender o que deveria ser um Golf GTI. Claro, havia o GTI VR6, com motor de seis cilindros, 2,8 litros e 174 cv. Ele tinha desempenho superior, mas é bem mais raro e difícil de encontrar.

8120612570_50242dcd31_z

Foto: Joe-Veedub

O caso é que, mesmo não sendo exatamente o que se espera de um GTI hoje em dia, o Golf GTI de terceira geração marcou a década de 1990 pelo simples fato de ser importado. Hoje em dia, é cultuado por qualquer fã de Volkswagen no Brasil e, pela alta procura, anda subindo de preço razoavelmente nos últimos tempos. Merece um lugar na lista.

 

Mazda MX-5 Miata

19285403080_7eeaf9cf52_z

Foto: Nicolas Garcia

Sugerido por: Yuri Franzoni

Este é um ícone lá fora e aqui. Nos EUA e na Europa, a primeira geração do Mazda MX-5 é indiscutivelmente um dos esportivos mais fantásticos já feitos. Leve, potente na medida certa, bem acertado, com câmbio manual e tração traseira. Dois lugares, conversível, divertido, barato e fácil de manter. A receita é tão boa que a Mazda a repete até hoje: o atual Miata, em sua quarta geração, tem praticamente o mesmo tamanho e peso que o primeiro, de 1989. Isto sem falar que quase todo mundo aqui já pilotou um destes em Gran Turismo, verdadeiro celeiro de ícones noventistas.

6903901305_2d596dda26_b

Foto: hopetorture

Ah, e ele foi vendido brevemente no Brasil a partir de 1990, equipado com um motor de 1,6 litro e 116 cv. Hoje em dia, boa sorte ao procurar um exemplar custando menos de R$ 50 mil.

 

Chevrolet Calibra

7118999463_cc84dad5b9_k

Sugerido por: Marcos Pastori

Lá fora, o Opel Calibra foi um cupê derivado do Vectra de segunda geração vendido entre 1989 e 1997. Tinha design belíssimo e versões com turbo e tração integral, mas não é um carro exatamente memorável. Só que a gente está falando da Europa.

No Brasil, o Calibra é um verdadeiro ícone. E não apenas por causa do visual esguio e do motor C20XE, uma versão mais apimentada do famoso “família II” com comando duplo no cabeçote (este fundido pela Cosworth), injeção multiponto sequencial e uma série de modificações que elevavam sua potência para 150 cv, sem indução forçada. Ele ia de 0 a 100 km/h em Era uma prova incontestável de que, antes de 1990, estávamos bem atrasados no mercado automotivo.

2287848480_6ed3c7c8ec_b

Foto: Fabio Copetti de Queiroz

Até pouco tempo atrás era possível comprar um bom Calibra por cerca de R$ 15 mil. Hoje, pode incluir pelo menos mais R$ 10 mil à conta.

 

Porsche 911 993

LF16_r187_002

Sugerido por: franco

A geração 993 do Porsche 911 nasceu em 1993. Talvez o mundo ainda não soubesse, mas aquela seria a última geração do Porsche 911 com o motor boxer de seis cilindros arrefecido a ar. A chegada do modelo seguinte, em 1998, marcou o fim de 35 anos de história. De início, o Porsche 911 996 foi rejeitado pelos fãs mais radicais.

Quando o Porsche 993 completou 20 anos, seus valores começaram a subir a patamares absurdos. Cara, no dia 7 de setembro, alguém pagou US$ 2,4 milhões por um 993 GT2 em um leilão da RM Sotheby’s. São quase R$ 8 milhões, cara! Isto não tem a ver apenas com a idade, mas também com a escassez cada vez maior de exemplares originais e bem conservados. Leilões de versões muito especiais, como o insano 911 GT2 Evo, também contribuem para que os exemplares comuns fiquem acumulem valor.

RWB Porsche 993 on Brixton Forged Wheels

E fica impossível não lembrar que os 993 são os exemplares favoritos de Akira Nakai, da RAUH-Welt, para realizar seus projetos – o que certamente aumenta a percepção do valor que estes carros têm hoje em dia.

 

BMW Série 3 E36

15261992375_8839fdca08_h

Foto: Aleš87

Sugerido por: Rafael Henrique P

Já faz algum tempo que o BMW Série 3 E36 deixou de ser exatamente acessível, a não ser que você esteja ciente de que vai ter trabalho (e gastar dinheiro) para tornar o carro minimamente confiável. Se quiser um exemplar para não ter dor de cabeça, você vai precisar garimpar bastante antes de tacar o f*da-se se conforma e pagar um pouco mais pela garantia de uma boa procedência. É isto aí: falta um cisco para o E36 se tornar colecionável (desconsideradas, claro, as versões raras e esportivas).

8496602327_90c82cd202_b

Foto: tbtstt

Além disso, a verdade é que a geração E36 do Série 3 foi um marco no mercado automotivo brasileiro. O modelo médio de linhas elegantes, tração traseira e mecânica robusta (ainda que de manutenção dispendiosa) elevou o padrão dos carros de luxo (ainda que não o fosse) no Brasil e conquistou àqueles que já não se convenciam comprojetos da década de 1960. Tanto que este é o BMW mais fácil de se encontrar à venda entre os usados.

 

Ferrari F355

12331727105_122d320095_b

Foto: Renato Viani

Sugerido por: nós mesmos, ora essa

Não há Ferrari mais noventista do que esta, honestamente. Claro, há a F50, mas ela está um degrau acima (vamos falar dela depois). A F355 marcou o início da Ferrari moderna, com sua estética mais limpa e sensual. Era só uma das melhorias em relação à 348, que já nasceu antiquada e era muito criticada em seu tempo.

3828535804_c89261c470_b

Foto: Denniske

Produzida por seis anos, entre 1994 e 1999, a F355 teve mais de 11 mil unidades vendidas – para o segmento, um sucesso absoluto. Ela representou não apenas uma evolução visível no design, mas também nos aspectos técnicos. O motor era um V8 de 3,5 litros com cinco válvulas por cilindro (daí o nome, F355), capaz de produzir 375 cv e levar o supercarro até os 100 km/h em 4,7 segundos com máxima de 295 km/h. A transmissão podia ser manual de seis marchas com grelha, que certamente devia ser incrível, mas a partir de 1997 a F355 passou a oferecer uma caixa sequencial eletro-hidráulica, tornando-se a primeira Ferrari com borboletas para trocas manuais atrás do volante. Por fim, ela também marcou o início de uma nova era em termos de construção e acabamento, deixando um pouco de lado a fabricação artesanal e passou a ser mais meticulosa neste processo.

Ah, e tem o ronco. Que ronco, amigos.

Matérias relacionadas

Tokyo Drift: dez anos de “Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio

Dalmo Hernandes

Lendas do WRC: MG Metro 6R4, o patinho feio do Grupo B que tinha motor de supercarro

Dalmo Hernandes

Ayrton Senna, do coração – por Emerson Fittipaldi

Juliano Barata