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Os melhores conceitos que foram parar nas ruas — e não mudaram quase nada

Há alguns dias falamos aqui sobre os carros conceito que acabaram frustrando nossas expectativas quando se tornaram modelos de produção. Contudo, acabaram surgindo vários comentários com conceitos que, para nossa felicidade, inspiraram carros de rua praticamente iguais. Sendo assim, nada mais justo que selecioná-los em uma lista — com algumas sugestões por conta da casa, claro!

 

Audi Le Mans quattro

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Em 2003 a Audi apresentou no Salão de Genebra o Le Mans quattro, celebrando suas três vitórias consecutivas em Le Mans (2000-2002). O conceito tinha vários recursos inovadores há 10 anos — faróis de LED, estrutura de alumínio (a mesma do Lamborghini Gallardo) e amortecedores magnetorreológicos (ajustáveis por meio de um eletroímã que atua sobre um fluido magnético).

Audi R8/Fahraufnahme

Em 2007, o visual e boa parte da tecnologia foram parar no Audi R8 que todos conhecemos e adoramos. De 2007 para cá, quase 55 mil unidades do supercarro foram fabricadas, e a próxima geração (que compartilhará a plataforma com o Lamborghini Huracán) deverá ser apresentada em 2016.

 

Pontiac Solstice Roadster Concept

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Depois de 30 anos, Bob Lutz — um dos maiores visionários da indústria automotiva — retornou à Chevrolet em 2001 com a missão de chefiar o departamento de desenvolvimento de produtos. Sua primeira encomenda foi um roadster que trouxesse de volta a simplicidade dos esportivos da década de 60, e o resultado foi o Solstice Roadster Concept, equipado com um motor Ecotec de 2,2 litros supercharged de 240 cv.

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O conceito foi desenvolvido em apenas quatro meses e deu origem ao Pontiac Solstice, que foi fabricado entre 2005 e 2009 — e foi o canto do cisne da divisão da GM, extinta em 2010.

 

Ford Mustang GT Concept

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As expectativas para a quinta geração do Mustang, no início da década passada, já eram altas quando em 2003, a Ford levou ao Salão de Detroit o Mustang GT Concept. Desenvolvido entre fevereiro e novembro de 2002 e inspirado no clássico Mustang de 1964, o conceito causou furor no Salão e deixou o público ainda mais ansioso — bem como sua contraparte conversível, que também marcou presença no evento.

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O resto é história: dois anos depois, a versão de produção do carro foi lançada — e era bastante parecida com o conceito, por dentro e por fora. A maior diferença é a traseira, que no conceito tinha lanternas inspiradas no GT500, enquanto o carro de produção gannhou peças menores, divididas em três partes inspiradas no Mustang original. O Mustang de quinta geração foi o precursor da onda de muscle cars retrô e hoje, quase dez anos depois, vamos ter que nos despedir de um ícone com a chegada da sexta geração, que voltou a adotar um visual mais contemporâneo.

 

Nissan GT-R

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Em 2001, o Skyline GT-R R34 estava perto do fim de seu ciclo de vida. No Salão de Tóquio daquele a Nissan mostrou um conceito que, para a marca, representava exatamente como deveria ser um GT-R para o século 21 — e o batizou simplesmente de “GT-R” (a foto de cima). O mundo ainda não sabia, mas ali nascia um dos maiores esportivos dos próximos 15 anos. Em 2005, a marca levou para o mesmo salão uma versão atualizada do conceito, chamada GT-R Proto — e disse que o Nissan GT-R seria 80-90% baseado naquele conceito.

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Eles não estavam mentindo: o Nissan GT-R, lançado em 2007, era a cara do segundo conceito e, mesmo que fosse maior e bem diferente de qualquer Skyline GT-R até então, sua tecnologia e o desempenho do motor V6 3.8 biturbo aliado à tração integral acabaram redefinindo a percepção do mercado sobre a relação custo x desempenho — e desafiando a física.

 

Plymouth Prowler Concept

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O conceito Prowler, apresentado em 1993, era a interpretação moderna da Plymouth para os hot rods da década de 30: uma traseira com para-lamas protuberantes e curvas sinuosas levava à dianteira estreita, com rodas quase descobertas, e no meio ficava um cockpit aberto com teto de lona. Quatro anos depois, em 1997, era lançado o Plymouth Prowler de produção, que era virtualmente idêntico ao conceito.

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Infelizmente, seu visual bacana não era acompanhado pelo desempenho: em vez de um V8, que seria a escolha óbvia a qualquer entusiasta, o carro recebeu um V6 de 3,5 litros e 214 cv (que ganhou bloco de alumínio e um aumento de potência para 253 cv em 1999) acoplado a uma caixa automática de quatro velocidades. Não era o conjunto mais empolgante, e a Plymouth nem teve a chance de dar ao carro um motor mais potente — a companhia foi extinta em 2001.

 

Ford GT40 Concept

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Este foi um daqueles casos em que a boa recepção do público ajuda a marca a tomar decisões. O Ford GT40 Concept foi apresentado em 2002 no Salão de Detroit. O carro, projetado por Camilo Porto e J Mays, era uma homenagem ao Ford GT40, que venceu em Le Mans quatro vezes consecutivas (1966-1969), e era muito parecido com o clássico da década de 60. Como o carro foi muito bem recebido no Salão, a Ford decidiu que o colocaria nas ruas.

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Equipado com um V8 de 5,4 litros supercharged de 558 cv a 6.500 rpm e 50,9 mkgf de torque a 3.750 rpm, o Ford GT (batizado assim porque uma oficina britânica registrou a marca “GT40” na década de 80) teve pouco mais de quatro mil unidades produzidas entre 2005 e 2006 e se tornou um dos maiores clássicos de nossa geração.

 

Audi TT Coupe Concept

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O R8 não foi o primeiro caso de um carro conceito da Audi que foi parar nas ruas praticamente inalterado: em 1994 os designers J Mays, Freeman Thomas e Peter Schreyer começaram trabalhar em um cupê que usaria a plataforma e o conjunto mecânico do Audi A3. No ano seguinte, o Audi TT Coupe Concept foi apresentado no Salão de Frankfurt de 1995 ao lado de sua versão sem teto — o TT Roadster Concept.

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Como aconteceu com o Ford GT, a recepção do público foi tão calorosa que acabou com qualquer dúvida que a Audi pudesse ter sobre uma versão de produção, e esta chegou ao mercado em 1998 na versão cupê, com o conversível sendo lançado no ano seguinte. Ambos os carros eram muitíssimo parecidos com seus respectivos conceitos, por dentro e por fora.  A maior diferença? A coluna posterior do cupê ganhou uma pequena janela, ausente no conceito.

 

Volvo Tundra

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Esta é a breve e curiosa história do Volvo que virou Citroën: em 1979, Marcello Gandini —  o designer do Lamborghini Countach — , projetou pelo estúdio Bertone o conceito Tundra, encomendado pela Volvo com o intuito de criar “algo delicioso” com base no bem sucedido Volvo 343. Gandini sempre foi famoso por seus conceitos de linhas retas e marcantes, e com o Tundra não foi diferente.

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Contudo, a Volvo acabou rejeitando o conceito por ser inovador demais — os suecos temiam que o carro fosse difícil de vender. O designer então ofereceu o projeto à Citroën que, sempre vanguardista, o aceitou de pronto e o transformou no Citroën BX. O hatchback acabou muito parecido com o conceito — perdendo apenas os faróis escamoteáveis e ganhando duas portas a mais. Eventualmente o BX provou que os suecos estavam errados, tornando-se um sucesso comercial e vendendo quase 2,5 milhões de unidades durante seus 12 anos de produção, entre 1982 e 1994.

 

Porsche Boxster

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Em 1992 a Porsche começou a desenvolver um conceito para um roadster, influenciado pelos clássicos 356 e 550 Spyder. Apresentado em 1993, o conceito Boxster (nome derivado das palavras “boxer” e “roadster”) propunha um conversível luxuoso, com linhas fluidas e interior cheio de detalhes inovadores — como ventoinhas na saída de ar.

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O problema é que, na década de 90, a Porsche não estava nas melhores condições financeiras, e um projeto como este seria dispendioso demais. Para transformar a ideia em um carro viável, a Porsche contratou ex-engenheiros da Toyota, que usaram sua experiência para desenvolver o carro da forma mais econômica possível, com o mínimo de comprometimento à proposta. O modelo de produção foi apresentado em 1996, e não apenas foi visualmente fiel ao conceito que lhe deu origem, mas também salvou a Porsche da ruína ao custar metade dos US$ 80 mil que a Porsche previa no início do projeto — e emprestar alguns componentes, como faróis, capô e para-lamas dianteiros, ao 911 da geração 996, lançado três anos depois.

 

Toyota FJ Cruiser

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Uma das maiores lendas entre os veículos off road é o Toyota Land Cruiser FJ40 — que, no Brasil, você deve conhecer como Toyota Bandeirante. E foi justamente ele a inspiração para o conceito FJ Cruiser apresentado no Salão de Detroit em 2003, que era a aposta da Toyota para se reaproximar da parcela do público jovem masculino. Deu certo: o conceito foi bem recebido no salão e, como todos os outros casos desta lista, deu origem a um modelo de produção quase sem alterações.

2009 Toyota FJ Cruiser

A cor azul “Voodoo Blue” se tornou a marca registrada do FJ Cruiser que, equipado com um V6 de quatro litros e 240 cv, foi lançado em 2006 e é vendido até hoje.

 

Land Rover LRX Concept

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Quando o conceito LRX foi apresentado pela Land Rover no Salão de Detroit de 2008, a ideia era dar forma a um modelo menor e mais sustentável — intenção materializada em um conjunto híbrido, com um motor elétrico responsávem por mover as rodas traseiras. Contudo, o que consquistou mesmo foi seu visual robusto e arrojado, que foi transferido quase totalmente para o modelo de produção.

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O Range Rover Evoque acabou sendo muito elogiado pelo desempenho dos motores turbinados a gasolina e a diesel e por seu comportamento dinâmico, e marcou o a introdução de uma nova linguagem de design e o início de uma nova fase para a Land Rover.

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