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Os melhores esportivos com menos de 150 cv já feitos – Parte 1

É fácil morrer de encantos com um carro potente, rápido e agressivo, com centenas de cavalos à disposição do pé direito e visual à altura do desempenho. Contudo, mais cedo ou mais tarde a gente aprende que um bom esportivo não precisa ser um poço de potência – especialmente se for leve, ágil e gostoso de guiar.

Assim, decidimos perguntar a vocês quais eram os melhores esportivos com menos de 150 cv já feitos – modelos ou versões que fazem questão de deixar claro sua vocação e não precisam de mais do que isto para provar que falam sério. Nós demos o chute inicial com o Suzuki Swift Sport, mas agora temos primeira parte da lista com outras incríveis sugestões!

 

Mazda MX-5 Miata

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Miata Is Always The Answer. O meme que se originou no Jalopnik US e dizia que para qualquer pergunta relativa ao mundo automotivo, de algum jeito a melhor resposta é Mazda Miata, certamente tem sua razão de ser: o pequeno conversível japonês é inspirado na era de ouro dos roadsters britânicos, como Austin-Healey Sprite e o Triumph Spitfire.

O Miata que melhor se encaixa nos nossos requisitos para esta lista, sem dúvida, é o de primeira geração. Lançado em 1989, o roadster não trazia nada além do necessário para garantir sorrisos a quem quer que o guiasse: baixo peso (940 kg), ergonomia acertada, tração traseira e um competente motor de quatro cilindros e 1,6 litro com comando duplo no cabeçote e 115 cv. Acoplada a ele, uma caixa manual de cinco marchas (no Japão havia a opção por um câmbio automático de quatro marchas, mas quase ninguém queria).

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Some a isto a suspensão independente do tipo “duplo-A” nas quatro rodas e o fato de ser um conversível, e você entenderá o que o Miata tem de tão especial.

 

Peugeot 106 GTi

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No Brasil, conhecemos o Peugeot 106 como um carro barato, econômico e… lento. Com apenas 50 cv, o motor 1.0 era incapaz de levar o carro até os 150 km/h. Sendo assim, é até engraçado que o 106 tenha dado origem a um dos hot hatches mais legais dos anos 90.

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Lançado em 1996 e dotado de um motor 1.6 16v fornecendo 120 cv (que não era muito diferente daquele encontrado em algumas versões do 206), o 106 GTi era menor que o famoso 205 GTi (na verdade, era o menor hot hatch vendido na Europa na época) e garantia tanta diversão quanto ele: o câmbio manual de cinco marchas, a suspensão bem acertada (McPherson na dianteira, eixo de torção atrás) e os cerca de 850 kg faziam do 106 GTi um verdadeiro foguetinho de bolso.

 

Porsche 356

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O primeiro Porsche produzido em série é, sem dúvida, mais do que digno de ser chamado de esportivo? Se você acha que não, bem, talvez (só talvez) esteja no site errado. Ele podia não ter a esportividade latente de seu sucessor, o 911, mas sabia muito bem o que fazer com seu flat-4 que, na versão mais potente, deslocando dois litros, entregava 130 cv.

Novamente, o que fez a diferença foi sua leveza (o peso partia de 770 kg) e o acerto de suspensão, independente do tipo McPherson na dianteira e com braços semi-arrastados na traseira. Não foi à toa que o conceito foi mantido no 911, e ainda deu origem ao spyder 550 que, em 1954, fez misérias com seu boxer de 1,5 litro e apenas 110 cv.

 

Volkswagen Gol GTi 16v

Já colocamos o Gol GTI 16v na lista de “Melhores Hot Hatches do Universo”, e não foi à toa. Apesar de não ser tão icônico ou ter o mesmo refinamento técnico dos hatchbacks apimentados europeus, o Gol GTI 16v, lançado em 1995, tem credenciais mais do que suficientes para garantir um lugar entre os esportivos de menos de 150 cv mais legais já feitos. Seu melhor argumento é o motor 2.0 com 16 válvulas e comando duplo no cabeçote, capaz de produzir 141 cv. Acoplado à caixa do Audi 80, o motor conseguia levar o carro aos 100 km/h em menos de nove segundos, com máxima superior aos 200 km/h.

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O comportamento dinâmico também era sensivelmente melhorado graças aos amortecedores e molas mais firmes, barras estabilizadoras e rodas de 15 pol calçadas com pneus de perfil alto. Dava até para fazer a traseira desgarrar com certa facilidade!

 

Honda Civic Si (EG6)

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Foto: Sean Klinghoefer/Flickr

Todo mundo fala do Civic VTi (EG e EK) e seu motor B16, um quatro-cilindros de 1,6 litro e 160 cv com comando de válvulas variável V-TEC e nenhum tipo de indução forçada — 100 cv/L, uma das maiores potências específicas da época. Agora, não é preciso encontrar um Civic VTi para se divertir — um Civic Si de quinta geração é o suficiente.

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Foto: Sean Klinghoefer/Flickr

Com um 1.6 V-TEC de comando simples (o VTi tinha comando duplo) e 125 cv, o Si era o segundo Civic mais potente do mundo e capaz de acelerar até os 100 km/h em 7,5 segundos. Além disso, como todo EG, o Si tem suspensão independente nas quatro rodas, garantindo o comportamento dinâmico afiado e recompensador. A cereja do bolo era o alto regime de trabalho do motor, que beira os 8.000 rpm.

 

Toyota AE86

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É simplesmente impossível fazer uma lista de esportivos que valorizam a dinâmica antes da potência e não citar o Toyota AE86, o famoso hachi-roku. Seja Corolla Levin ou Sprinter Trueno; com faróis expostos ou escamoteáveis; hatchback ou sedã de duas portas, o prodígio da Toyota em meados dos anos 80 é um verdadeiro ícone entre os entusiastas (especialmente os que fãs do JDM e os que gostam de cultura japonesa, por razões óbvias).

É verdade que o potencial de preparação do motor 1.6 16v do Trueno é alto e que seus donos sabem disso, mas a verdade é que seus 130 cv, seu câmbio manual, sua tração traseira e seu estilo deliciosamente datado o fazem um dos carros mais legais que existem, sem exagero.

 

Polo GTi (9N)

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Talvez o Volkswagen Golf GTi Mk7 estivesse nesta lista caso nosso teto de potência fosse mais alto — afinal, a sua primeira geração foi, para muita gente, o primeiro hot hatch da história. Só que ele cresceu demais ao longo do tempo e já faz alguns anos que sua potência quebrou a barreira dos 200 cv. O que não nos deixa alternativa que não o Polo GTi da geração passada (o atual tem 190 cv). O chamado 9N emprega o mesmo conhecido motor 1.8 turbo do Golf GTi, com 150 cv  e 22,5 mkgf (que chegam logo às 1.950 rpm), acoplado ao elogiado câmbio manual da VW, com engates curtos e precisos.

O 0-100 km/h em 8,2 segundos e a máxima de 216 km/h nem são as atrações principais, e sim a excelente ergonomia e a agilidade garantida pela plataforma PQ24, sobre a qual foi feita a quarta geração. O visual de muito bom gosto também conta pontos — os bancos com estampa xadrez e o lip vermelho na grade já são clássicos.

 

Chevrolet Opala SS

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E se a gente mudasse totalmente a abordagem? Até agora falamos de esportivos pequenos, ágeis e mordenos, mas há carros maiores, mais ferozes e mais antigos que também são belos esportivos com menos de 140 cv. Um exemplo: o Chevrolet Opala SS, que foi lançado em 1970 e inaugurou o motor de seis cilindros e 4,1 litros (um 3.8 com curso ampliado de 82,5 para 89,7 mm).

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Foto: Fabio Aro

Mesmo com 115 cv líquidos (ou 140 cv brutos, como era costume divulgar na época), os pneus mais largos, o torque de 29 mkgf já a 2.400 rpm, a barra estabilizadora traseira e, é claro, o visual todo decorado com faixas e emblemas, tornaram o Opala SS um dos esportivos mais icônicos da história automotiva brasileira.

 

Chevrolet Calibra

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Um dos muitos esportivos icônicos vendidos pela Chevrolet no Brasil foi o Vectra GSi. O sedã esportivo tinha um brilhante quatro-cilindros de dois litros com comando duplo no cabeçote, psitões forjados, injeção sequencial e exatos 150 cv (o famoso C20XE) debaixo do capô, e com ele seu desempenho era primoroso naqueles tempos: 0 a 100 km/h em 8,5 segundos e máxima de 210 km/h.

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Contudo, se você quisesse o mesmo desempenho em uma carroceria mais moderna e exclusiva, havia o Chevrolet Calibra, que usava exatamente as mesmas plataforma e mecânica (até o interior era idêntico), porém o coeficiente aerodinâmico de 0,26 era o mais baixo do mundo na época.

 

Fiat Uno Turbo

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Com o Uno Turbo, a Fiat mostrou ao Brasil do que eram feitos seus hatches esportivos. Usando um motor 1.4 turbo importado da Europa e capaz de entregar 118 cv (em uma carroceria muito mais agressiva e exagerada, no bom sentido, do que sua contraparte italiana), o nosso Uno Turbo chegava aos 100 km/h em 9,2 segundos com máxima de 195 km/h.

Além de ser o primeiro carro nacional com motor turbinado, o Uno Turbo trazia freios do Tempra, suspensão mais firme e barra estabilizadora, exaltando ainda mais as já muito boas qualidades dinâmicas do simpático quadrado italiano. Só não é muito fácil encontrar um deles à venda — foram fabricadas apenas 1.081 unidades enre 1994 e 1996 — e mais raras ainda são as unidades em amarelo modena, produzidas para fins promocionais: dá para contá-las nos dedos de uma mão.

 

Morgan 3-Wheeler

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Agora, se você quer mesmo provar que potência não é tudo e que leveza e diversão são muito mais importantes, não há carro mais apropriado do que o Morgan 3-Wheeler. Fabricado artesanalmente no coração do Reino Unido com componentes de madeira no chassi, carroceria de alumínio, design inspirado na aviação clássica e um motor V2 de 80 cv e apenas 525 kg na balança, o 3 Wheeler é certamente a experiência mais purista que se pode ter sobre… três rodas.

De qualquer forma, se você gosta de números, também não sairá decepcionado: são apenas seis segundos para chegar aos 100 km/h e máxima de 185 km/h. Ah, e voltamos ao começo, de certa forma: o câmbio vem do… Mazda Miata!

 

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