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Os melhores hot hatches do universo: Subaru Impreza WRX STI CS400 Cosworth

Sentiu saudade? A série do FlatOut sobre os hot hatches mais fodásticos que existem neste plano terreno está de volta com um carro que ficou famoso como sedã de alto desempenho, mas também deu origem a um belo hatchback apimentado: o Subaru Impreza WRX STI. Ou melhor: o Subaru Cosworth Impreza STi CS400 — se você não o conhece, apostamos que este nome já te deixou bem curioso, não é?

É a segunda vez que falamos sobre um carro da Cosworth nesta série — a primeira foi o Ford Escort RS Cosworth. E os dois carros têm algumas coisas em comum: ambos são turbinados, têm tração integral e são britânicos — o Impreza, ainda que tenha origem japonesa, foi todo preparado na Inglaterra e só esteve disponível na terra da rainha em uma série limitada a 75 unidades, algo que por si só já torna este carro bastante especial. Mas claro que não é só isso — nunca é.

A capacidade do WRX STI é mais do que conhecida e comprovada por seus milhões de fãs e pelos títulos em competições — especialmente nos ralis, com nomes do calibre de Colin McRae no currículo. A fórmula também não é segredo para ninguém: motores turbinados e potentes, câmbio manual e tração nas quatro rodas.

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O CS400 Cosworth tem tudo isso — mas dá um gás em um dos elementos mais importantes da equação: POWEEEERR, como diria seu conterrâneo Jeremy Clarkson. E não é pouco: na verdade ele foi o Impreza mais potente já oferecido no Reino Unido e, provavelmente, no mundo, com 400 cv.

Para tal, os engenheiros da Cosworth pegaram o boxer de quatro cilindros e 2,5 litros do STI e deram a ele novos pistões (forjados com a mesma técnica usada pela Cosworth nos pistões de Fórmula 1), bielas de aço de alta resistência, bomba de óleo de alta pressão, junta do cabeçote e até mesmo os parafusos, além de retrabalhar os sistemas de admissão e escape e, claro, dar ao carro uma turbina maior.

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Os 400 cv surgem a 5.750 rpm, acompanhados de 55,2 mkgf de torque a 4.000 rpm — um salto de 95 cv em relação ao STI “comum”. Com estes números, o carro é capaz de chegar aos 100 km/h em apenas 3,7 segundos e percorrer o quarto-de-milha (402 metros) em 12,57 segundos — ah, e com câmbio manual de seis marchas, claro.

Contudo, não foi apenas o desempenho em linha reta que a Cosworth melhorou com o CS400. Na verdade, as publicações que testaram o carro — como a revista britânica Autocar — elogiaram com ainda mais eloquência o trabalho da Cosworth no comportamento dinâmico do carro.

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A companhia manteve os componentes básicos da suspensão Impreza — McPherson com molas helicoidais na dianteira, multibraço na traseira. Contudo, as molas originais foram trocadas por peças da Eibach — que deixaram o carro 10 mm mais baixo na dianteira, e o carro recebeu amortecedores Bilstein calibrados sob medida nos quatro cantos. Além disso, as rodas de 18×8,5 (!) polegadas foram calçadas com pneus Michelin Pilot Sport 3, de medidas 245/40, e os freios são da AP Racing, com discos de 355 mm e pinças de seis pistões na dianteira.

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Para a Autocar, a Cosworth conseguiu deixar o carro mais rápido e ainda resolver algumas de suas “falhas” — detalhes, na verdade: a menor altura na dianteira reduziu a rolagem da carroceria, e o carro ficou mais “controlável, responsivo e preciso de guiar“, enquanto os novos amortecedores o tornaram “surpreendentemente silencioso e suave” em terrenos mais acidentados. Ou seja: além de andar mais, o carro se comporta melhor dinamicamente e ainda ficou mais confortável.

Claro que uma boa edição limitada também precisa ter um visual à altura. E a Cosworth acertou bem onde a gente mais gosta na hora de modificar o CS400: na multidão, ele consegue se passar por “só mais um” STI hatch, mas os entendidos logo o reconhecem pelo stance mais agressivo, pelo para-choque redesenhado com novas luzes de neblina, pela grade com novo padrão e pelos emblemas discretos na traseira, nos bancos, tapetes e pinças dos freios.

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Ah, e como acontece com toda boa série especial, cada uma das 75 unidades do STI CS400 é numerada, com plaquetas de identificação nas soleiras dasportas e no motor, além de um certificado de autenticidade emitido pela Subaru e pela Cosworth.

Mas é claro que um carro tão especial tinha que ter alguns defeitos. O primeiro deles era o turbo lag: mesmo em altas rotações, a turbina levava cerca de quatro segundos para “encher” totalmente e, no fim das contas, o carro não se fazia sentir tão rápido, ainda que fosse. Por outro lado, a Autocar fez questão de esclarecer que a Cosworth fez um trabalho tão bom com a dinâmica do carro que isto não fazia diferença, e ele valia cada centavo cobrado.

O que nos traz ao segundo defeito deste carro: o preço. Na época, ele custava £ 49.995 (R$ 186 mil, sem impostos) — quase o dobro do preço de um STI comum, que saía por £ 27.590 (R$ 102 mil). E ainda assim eles venderam como água — quando as primeiras análises começaram a ser publicadas pela imprensa especializada, o carro já estava quase esgotado — o que significa que, por aquelas bandas, ele já nasceu colecionável.

Se isto não for o suficiente para que o Subaru Impreza WRX STI CS400 Cosworth seja um dos melhores hot hatches do universo, não sabemos o que pode ser!

Não deixe de conferir todos os outros posts da nossa série “Os Melhores Hot Hatches do Universo“!

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