A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Eventos

Os momentos mais memoráveis do Goodwood Festival of Speed 2019

Goodwood Festival of Speed. O nome do evento traz à mente uma reunião espetacular de carros de corrida históricos e pilotos que fizeram história com eles. Mas, como já mencionamos no nosso post com os lançamentos de Goodwood, o encontro anual na propriedade do Duque de Richmond, Lord March, é muito mais do que isto. Especialmente nos últimos anos, o FoS se tornou uma verdadeira celebração ao automobilismo como um todo. E, nesta condição, o palco perfeito para momentos memoráveis.

Em que outro encontro, por exemplo, vemos um recorde quebrado por um bólido elétrico – o futuro do automobilismo, segundo alguns – no mesmo asfalto sobre o qual, minutos antes, acelerou um carro de corrida com motor de quase trinta litros, construído há mais de um século? Que outro evento automobilístico coloca frente a frente, mais de quatro décadas depois, um piloto campeão de Fórmula 1 e o carro que o ajudou a conquistar seu título?

Infelizmente, por questões geográficas e financeiras, ainda não pudemos conferir tudo de perto. Por sorte, o evento é transmitido ao vivo pela Internet e os momentos mais memoráveis podem ser apreciados pelo mundo todo. Nós resolvemos dar uma forcinha separando aqui alguns deles.

 

O recorde do VW ID.R

O recorde de um elétrico a que nos referimos é este: o prótipo elétrico da VW, o ID.R, virou impressionantes 41,18 segundos com Romain Dumas ao volante – quebrando o recorde de Nick Heidfeld, que em 1999 levou o McLaren MP4/13 ao topo da montanha em 41,6 segundos. Vinte anos separam os dois tempos e mostram como o automobilismo mudou: o McLaren MP4/13, carro do título de Mika Hakkinen em 1998, era movido por um V10 Mercedes-Benz de quase 800 cv, enquanto o VW ID.R possui dois motores elétricos, um para cada eixo, com potência total de 680 cv. Mesmo pesando quase o dobro (1.100 kg contra 600 kg), o Volkswagen se vale de duas décadas de evolução em aerodinâmica, pneus e entrega de torque imediata. E sua vantagem foi pequena: pouco mais de 0,4 segundo.

 

No vídeo comparativo acima, porém, não resta dúvida de qual deles é o mais empolgante para quem está assistindo.

 

A insanidade de Oliver Solberg no DS 3 WRX

Oliver Solberg é filho de Petter Solberg, campeão do WRC em 2003 e bicampeão do FIA World Rallycross (WRX), sua atual categoria, em 2014 e 2015. Oliver tem só 17 anos mas dá sinais claros de que aprendeu direitinho com o pai: ao volante do DS 3 WRX, ele deu um verdadeiro espetáculo de pilotagem, com derrapagens controladas além do limite. Estamos falando de uma máquina acertada especificamente para proporcionar o máximo de aceleração – com seus motores turbinados, câmbio sequencial e tração integral, os carros de rallycross são capazes de ir de zero a 100 km em menos de dois segundos.

 

Valtteri Bottas destroçando os pneus do Mercedes-AMG W08

Os monopostos da Fórmula 1 representam o supra sumo da engenharia de competição, e ficam mais à vontade usando toda sua potência e aerodinâmica nos autódromos – e não subindo a ladeira de Goodwood cortando giro, dando zerinhos e fazendo burnouts. E foi exatamente isto que Valtteri Bottas fez com o Mercedes-AMG W08, seu carro na temporada de 2017 (a primeira do piloto pela Mercedes).

 

Rubens Barrichello reencontra o Brawn BGP001 depois de dez anos

Um reencontro mais emocional foi o de Rubens Barrichello com o Brawn BGP001, carro com o qual o brasileiro disputou a temporada de 2009 da Fórmula 1 e esteve perto de brigar pelo título. A Brawn foi um caso atípico na Fórmula 1: fundada por Ross Brawn, que no fim do ano anterior, havia comprado a Honda F1 Team, a equipe foi a primeira a conquistar os títulos de construtores e de pilotos (com Jenson Button, colega de equipe de Barrichello na época) em seu ano de estreia e o fez praticamente sem patrocinadores em sua carenagem; provando que um design inteligente combinado a pilotos competentes pode virar a mesa.

 

O McLaren MP4/4 de Ayrton Senna com Takuma Sato ao volante

Mesmo que não tenha sido um membro da família Senna, ou mesmo um brasileiro, o piloto escolhido para conduzi-lo, é sempre emocionante ver um carro usado por Ayrton Senna na pista. No caso, o carro foi o McLaren MP4/4 – sim, aquele modelo que venceu 15 das 16 provas da temporada de 1988 – e o piloto, Takuma Sato. O japonês, que competiu na F1 entre 2002 e 2008, já declarou em entrevista que Ayrton Senna é um de seus heróis, e que foi o grande responsável por fazê-lo perseguir a carreira de piloto. Ele viu Senna correr no GP do Japão de 1987, quando tinha apenas dez anos de idade. Sato visita o túmulo de Ayrton Senna, em São Paulo, sempre que vem para o Brasil e, como muitos japoneses, considera-se tão fã do piloto quanto qualquer brasileiro.

Talvez o significado de pilotar o carro com o qual Senna foi campeão em 1988, seu primeiro título, signifique mais para Takuma Sato do que qualquer um de nós possa imaginar.

 

Emerson Fittipaldi e o Lotus 72D

Outro reencontro épico proporcionado pelo Festival of Speed envolveu o Lotus 72D e Emerson Fittipaldi. Os dois formaram uma dupla matadora que, em 1972, dominou a competição e rendeu ao brasileiro seu primeiro título – o quinto da equipe. Um aspecto bacana de Goodwood, repetimos, é este contraste – sobre o mesmo asfalto em que vemos um Fórmula 1 contemporâneo queimar pneus, podemos também vislumbrar um ícone setentista, com motor V8 Cosworth naturalmente aspirado, dançando mais uma vez nas mãos daquele que foi um dos melhores em seu cockpit.

 

Lando Norris e um clássico McLaren da Can-Am

Por outro lado, Goodwood também é onde vemos a nova geração encontrando a velha guarda. No caso, nos referimos a Lando Norris, que tem apenas 19 anos e corre atualmente pela McLaren. Na subida da colina, ele teve a chance de guiar o McLaren M8D, protótipo aberto com o qual Denny Hulme e Dan Gurney venceram nove das dez corridas da temporada de 1970 da Can-Am. Apesar do título, aquele foi um ano triste: a temporada começou dias após a morte de Bruce McLaren, que acidentou-se enquanto realizava testes aerodinâmicos no M8D. Apesar do background trágico, o M8D se destaca como um dos protótipos mais brutais já feitos na Can-Am, com um V8 Chevrolet de 7,6 litros e 680 cv.

 

A Besta de Turim e seu motor de 28,5 litros

Falando em clássicos, dificilmente se fica mais clássico do que isto: o Fiat S76, mais conhecido como “A Besta de Turim” (saiba mais nesta reportagem), com seu motor quatro-cilindros de 28,5 litros, no circuito de hillclimb que circunda a Casa de Goodwood. Construído em 1911, o carro de corrida ficou mais de 100 anos parado antes de ser restaurado em 2014. Desde então, ele se tornou um dos favoritos do público de qualquer evento para o qual seja levado – e, no FoS 2019, não foi diferente. É fácil entender o motivo: seu tamanho monstruoso, suas proporções verticais que o fazem parecer querer tombar a qualquer momento, o ronco estralado e irregular, o fato de piloto ter de ficar com o corpo quase todo para fora do carro para operar a alavanca de câmbio… e, claro, a vitalidade que este veterano mostra.

 

Drift com um caminhão de 10 toneladas? Sim!

Quem diria que, no mesmo evento em que a Besta de Turim se destaca, também podemos ver um caminhão de 10 toneladas em uma exibição de drift? O Kamaz Master que venceu o Rali Dakar de 2017 fez exatamente isto com seu V8 turbodiesel de mais de 18 litros, 1.000 cv e 450 kgfm de torque. A Kamaz já venceu 16 edições do Rali Dakar desde 1996 – eles têm motivos para comemorar com um show de fumaça de pneu em Goodwood.

 

Terry Grant, um Jaguar F-Type e duas rodas

Para andar sobre duas rodas com um carro, é preciso passar por uma rampa com ambas as rodas de um dos lados do carro em uma velocidade na qual a inércia seja capaz de preservar o momentum. Depois, mantém-se o equilíbrio dosando o acelerador, e tomando todo o cuidado do mundo com o volante. Pois foi exatamente isto que o piloto-dublê Terry Grant, detentor de diversos recordes em manobras – como o looping mais alto, o salto parafuso mais longo, e o maior número de zerinhos em 100 segundos – fez. O motor começou a soltar uma fumaça branca perto do final da subida – presumivelmente algum problema de lubrificação – mas a demonstração finalizou sem grandes traumas. Exceto, possivelmente, ao motor, claro.

 

O fim de um Lancia Delta S4

“Sem grandes traumas”, porém, é exatamente o que não foi a participação deste Lancia Delta S4 no circuito de Goodwood. Ao contornar uma curva de alta velocidade, as rodas traseiras travam e o carro se joga violentamente para a esquerda, rodando e acertando as barreiras de feno em seguida. Embora o carro tenha ficado totalmente destruído, não houve feridos – nem o público, nem os ocupantes, que saíram andando do carro.

O Lancia Delta S4 foi um dos monstros do Grupo B, com seu motor 1.8 dual-charged (com turbo e supercharger) de 500 cv em uma carroceria de 890 kg. O problema aqui parece ter sido com o equilíbrio de força entre os freios dianteiro e traseiro.

 

Daniel Ricciardo e um embaraçoso “drift” com o Mégane RS

No nosso último meta-review, vimos como o Mégane RS Trophy-R consegue ser um dos melhores hot hatches da atualidade ao apostar na redução de peso e na pegada old school. Sem esterçamento das rodas traseiras, sem tração 4×4, e apenas com um belo motor 1.8 turbo de 300 cv e câmbio manual de seis marchas, ele é o atual recordista FWD em Nürburgring, com um tempo excelente de 7min40s1 – quase quatro segundos de vantagem sobre o recordista anterior, o Civic Type R.

Daniel Ricciardo, por algum motivo, decidiu (ou foi instruído a) fazer o percurso quase inteiro com o freio de mão puxado, resultando num “drift” (com muitas aspas) meio esquisito, no qual o carro simplesmente não desenvolvia velocidade. Para ser franco, preferiríamos que ele encarasse a prova no modo hot lap, mesmo. Esta demonstração, infelizmente acabou sendo memorável pelo certo embaraço.

 

Jackie Stewart, seus filhos e um trio de monopostos clássicos

Este foi um dos momentos mais emocionantes do Goodwood Festival of Speed, sem dúvida. O lendário Jackie Stewart, tricampeão de Fórmula 1 que completou 80 anos no mês passado, subiu a colina de Goodwood acompanhados de seus dois filhos, Mark e Paul Stewart. Cada um deles conduziu um clássico da F1: Jackie foi com o Matra-Cosworth MS80 de 1969; Mark ficou com o Tyrrell Ford 002 de 1971, e Paul conduziu o Tyrrell 003, também de 1971. Os três carros foram usados por Jackie Stewart em dois de seus três títulos (1969 e 1971).

No entanto, o melhor momento da participação de Jackie Stewart no Goodwood Festival of Speed aconteceu fora do alcance das câmeras – sendo registrado, em vez disso, pelo próprio Paul Stewart: antes de dar início à demonstração, Jackie Stewart parou o carro e entregou uma rosa à sua esposa, Helen Stewart. Os dois se conhecem desde a infância e são casados desde 1962. Helen, que sofre de demência, está em uma cadeira de rodas, mas o ex-piloto ainda é tão apaixonado por ela quanto era há 57 anos.

 

Coletâneas

Abaixo, você confere algumas coletâneas captadas pelos canais de YouTube NM2255 e Cvdzijden. Vale a pena!

Matérias relacionadas

3008 vira um SUV de verdade, o belo conceito Fractal e mais no estande da Peugeot no Salão do Automóvel

Dalmo Hernandes

Confira o que rolou no 2º Encontro de Autos Antigos de Casa Branca

Leonardo Contesini

Tokyo Auto Salon 2018: todas as culturas no maior evento de carros modificados do Japão

Dalmo Hernandes