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Project Cars Project Cars #107

Project Cars #107: pneus, rodas e uma dúvida sobre o próximo passo na preparação do meu Honda Today JA4

Olá, pessoal do FlatOut! Quanto tempo! Nos últimos meses estive no Brasil e minha estada acabou se estendendo um pouco mais do que previa, o que significa que o projeto não teve uma evolução durante esse período. Como não podia mexer com o carro, aproveitei o tempo para fazer uma wishlist e um replanejamento de tudo já que algumas questões — como casamento, por exemplo — acabaram surgindo. Mas calma! Não vou desistir do projeto, vender o carro e comprar uma minivan… In fact, a única diferença é que talvez daqui alguns posts eu passe a assinar como Kenji Watanabe.

Voltando ao projeto, nos posts anteriores contei o início da história com o Today e os primeiros upgrades que foram dando forma ao projeto. Agora vou falar um pouco dos próximos upgrades que tenho em mente e também sobre como é ter um kei car no dia-a-dia.

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Como é sabido, os pneus são uma parte importantíssima para quem deseja dirigir rápido e até então não havia investido de verdade em pneus de alta performance por puro capricho de não querer me desfazer das Watanabes — as rodas atuais aro 13 tala 4,5 não são realmente as mais adequadas pra calçar pneus de alta performance. Sendo assim, o próximo passo é conseguir um jogo de rodas 14x6J e pneus 185/55/R14; Pode não parecer muita coisa mas lembrem-se de que estamos falando de um kei cujas caixas de roda não são exatamente grandes e fundas o suficiente pra acomodar um pneu de 215mm sem sair pra fora da carroceria ou pegar dentro dos paralamas. Sem falar que o carro não tem potência pra um pneu largo demais.

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Um bom motivo pra aprender japonês: Leilões do Yahoo. 

Bem, rodas esportivas de 14 polegadas são mais populares do que as 13, logo não faltam opções de peças usadas nos leilões do Yahoo ou em lojas como a Up! Garage, o que facilita as coisas. Como não estou preocupado com estética, irei me focar nas melhores opções de custo-benefício — Ou seja, só quero algo pra calçar os pneus. Pra fechar o conjunto estou cogitando os Bridgestone Potenza RE-01, mas ainda posso mudar de idéia se encontrar uma opção mais intere$$ante, se é que me entendem…

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Com o conjunto novo de rodas e pneus posso então me focar em outros detalhes como freios, interior, reforços estruturais e é claro, potência. Mas ao invés de falar disso agora, achei que seria interessante comentar sobre uma idéia antiga do projeto que acabou voltando à tona depois de passar um tempo no Brasil dirigindo apenas carros com câmbio manual.

Por mais que eu goste do carro e o câmbio automático seja prático em algumas ocasiões, não dá pra comparar com o que a liberdade de poder escolher as próprias marchas, especialmente num projeto que visa a diversão ao volante. Dessa forma, nada mais justo do que planejar um swap; Não de câmbio, mas de carroceria… Mas hein? Swap de carroceria? Como assim?

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Explico. No primeiro post comentei sobre a existência de versões com câmbio manual e carroceria 2 portas, além da versão esportiva RS. Como podem ver, a carroceria do meu Today é 4 portas e particularmente prefiro a carroceria 2 portas, sendo assim, ao invés de tentar fazer um swap de câmbio por que não fazer o inverso e aproveitar o que foi feito no meu em um modelo duas portas e manual?

Eu sei que não poderia simplesmente comprar outro carro do nada e passar as modificações do atual para ele. Alguns pontos precisam ser levados em consideração, em especial o estado geral do carro que vai servir de base para o “transplante” — lembrem-se que é um carro de quase 20 anos. Felizmente não é uma missão difícil encontrar um JA4 manual e com a quilometragem mais baixa que o meu, alguns com preços bem interessantes, por sinal.

Claro que fazendo isso não sei se poderia dizer que é o mesmo projeto  — ainda que seja essencialmente o mesmo carro apenas com um pedal a mais e duas portas a menos. Eu poderia simplesmente optar pelo bom e velho swap de câmbio que por si só já daria uma boa diferença, então ainda é algo a se pensar. Com duas ou quatro portas, o carrinho tem potencial pra se tornar uma fonte de diversão sobre rodas, basta querer.


Um Today mostrando seu potencial na pista. Vídeos como esse servem como inspiração do meu projeto.

Obviamente até chegar lá ainda vou ter uma longa fase de aprendizado e investimento, mas acho que estou no caminho certo. A certeza é que o carro já demonstrou que pode ser divertido no dia-a-dia e eventualmente também ser usado pra “tacar-lhe pau” em circuitos — afinal não dá pra ser um hashiriya o tempo todo, né?


Sabe quando a gente coloca um jogo de corrida no easy e passa todo mundo na reta? É mais ou menos isso que esse Today turbo faz…

E por falar em dia-a-dia, antes de encerrar este texto vou falar um pouco sobre a convivência com o carrinho. Quem já dirigiu ou entrou em um kei sabe que em geral eles são altos — uma forma de aproveitar o espaço, considerando as limitações impostas — passando a sensação de “dirigir sentado numa cadeira” como em alguns SUVs. Mas por ser um kei dos anos 1990, Today é relativamente baixo — apenas 1,35m de altura — e consequentemente a posição de dirigir também é. Esta é uma das características que mais gosto nele.

Na frente, ainda que os bancos não tenham qualquer suporte lateral — é preciso se segurar firme para não escorregar do banco nas curvas — a ergonomia não é das piores e posso até dizer que há até um certo conforto. O mesmo já não pode ser dito do banco traseiro, que praticamente não deixa espaço para as pernas e serve mais como lastro. O porta-malas é também é meramente ilustrativo e nesse caso um nome mais apropriado seria “porta-marmita”, o que não chega realmente a ser realmente um problema, a menos que queira viajar com 4 pessoas e ainda levar a bagagem.

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Pequeno e baixo, como um kart. E karts não precisam de espaço pra bagagem ou passageiros, certo?

No trânsito, quem sofre de claustrofobia provavelmente não se sentiria muito a vontade dentro dele. Carros do tamanho de um Corolla ficam enormes do seu lado, caminhões e ônibus então, parecem colossos gigantes prontos para te esmagar — e só piora quando você lembra que o carro inteiro não tem mais que 690kg. Por outro lado, o tamanho também faz dele é um carrinho bastante ágil e que “cabe em qualquer lugar”, algo que faz diferença na hora de encontrar uma vaga pra estacionar — muitos estacionamentos tem vagas exclusivas para kei — ou ter que entrar em vias estreitas, que não são raras no Japão.

Sendo um kei é de se imaginar que gastos com impostos, seguro, manutenção e consumo de gasolina são bem menores do que os de um carro de maior porte, e de fato são. O único detalhe fica por conta das peças de preparação e performance que não são assim tão baratas mesmo pra um kei; Mesmo assim, a simplicidade mecânica somada as vantagens que já citei fazem dele — e de muitos outros keis — o tipo de carro ideal para ser o primeiro projeto de alguém sem muita experiência mas que quer aprender na prática.

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Because Racecar Lights.

No fim, acaba sendo um carro divertido de guiar quando se descobre o potencial dele. Pode não ter espaço, conforto e potência nas retas, mas garante diversão na hora de atacar as curvas ou fazer aquela “zoeira moleque” na ida ao trabalho ou ao mercado; O fato de ser um motor pequeno e com baixo torque, quase te obriga a fazê-lo girar se quiser ter um bom rendimento — donos de 1.0 sabem o que é isso.

Para encerrar, deixo aberto a seção de comentários para sugestões e opiniões a respeito do projeto, além de dúvidas que eventualmente podem surgir não apenas sobre o carro, como sobre a cultura automotiva japonesa em geral. Terei prazer em respondê-los na medida do possível.

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Créditos da arte: Victor Braga Design

Também gostaria de agradecer novamente ao FlatOut pela oportunidade de contar um pouco a história do meu carro, além de me desculpar à todos pela demora. Espero revê-los em breve com mais novidades e avanços no projeto. Feliz ano novo e até a próxima!

Por Kenji Ashimi, Project Cars #107

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