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Project Cars Project Cars #146

Project Cars #146: a história do Mitsubishi Eclipse GSX de Cesar Mazzocato

Fala, galera do FlatOut! Meu nome é Cesar Mazzocato e a partir de hoje vou contar a preparação do meu Eclipse GSX 1995. “Era uma vez” seria um bom começo para essa história, pois a mesma completou 10 anos em 2014.

Em junho de 2004 eu tinha decidido ir embora para os EUA. Tinha vontade de tentar a vida por lá e vendi tudo que eu tinha por aqui de eletrônicos, informática etc. Pela proximidade com o 11 de Setembro e aquela dificuldade toda para tirar o visto, acabei sendo negado, isso significava que eu ia ter que continuar no Brasil. Minha partida tinha falhado e eu estava fadado a continuar por aqui, sendo assim precisava de um carro, resolvi que ia me dar de presente de aniversário. A vida toda eu gostei de carros, principalmente carros esportivos e diferentes dos convencionais que se vê todos os dias. Eu tinha em mãos R$ 30.000 — era o que eu tinha juntado para ir embora do país — e a opção mais viável que eu tive na época, dentro do que eu podia pagar e que fosse esportivo, alternativo e turbo, era um Mitsubishi Eclipse GST 1995 de um amigo meu. Eu já conhecia o carro havia um tempo, já tinha dirigido, feito viagens com o carro e ele tinha resolvido vender para investir na empresa. Tinha chegado a minha hora…

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Quando disse aos meus pais que estava interessado em comprar esse carro do meu amigo eles prontamente foram contra essa decisão. Até entendo a posição deles, sempre tivemos carro zero km em casa, nunca houve um carro importado, muito menos um esportivo desse. Com 10 anos de idade então era praticamente impossível. O medo de pegar um carro desse tipo pelos problemas que poderia apresentar, manutenção cara para a época e todos os outros empecilhos apareceram imediatamente para eles.

Eu não tinha coragem de gastar  R$30.000 em um Gol, Corsa ou Fiesta novos, básicos, pelados, e todos os outros adjetivos que podemos atribuir. Um carro popular estava longe de ser algo que eu quisesse. Mesmo contra a vontade deles eu fui até a casa desse amigo e levei meu saquinho de dinheiro e disse a ele, “o carro é meu !”

Chegando em casa com o carro meus pais não acreditavam que eu tinha fechado negócio. Por uns dois dias eu escutei cada coisa que não gostaria de ter ouvido. Depois disso eles acabaram por se conformar com a minha compra, e as coisas acabaram mudando um pouco, fui parabenizado pela minha primeira compra com meu dinheiro e o carro passou a ser bem quisto gradativamente em casa.

Nessa época eu trabalhava com informática e fazia atendimento em casas e empresas, infelizmente boa parte do mundo vive de aparências, quando aparecia um cliente novo, eu ia bem arrumado e chegava de Eclipse. O tratamento mudava, eu era melhor recebido, as pessoas me viam de forma diferente, de certa forma isso acabou sendo benéfico para mim, eu tinha 23 anos e não imaginava que um carro pudesse fazer esse tipo de diferença na vida das pessoas.

Eu tinha namorada, e mesmo assim a quantidade de convites que eu comecei a receber para sair era grande, pessoas que não falavam comigo havia um tempo começaram a me procurar e tudo mais. Era um mundo pré-Eclipse e pós-Eclipse. Logo tive que começar a ser mais cauteloso com o carro, tínhamos um Escort XR3 em casa, então eu evitava ir de Eclipse em lugares que o carro chamava atenção demais. Depois que terminei o namoro eu continuava saindo de Escort, preferia que não soubessem do Eclipse, para que não tivesse influência no tipo de amizade que eu estivesse fazendo, deixava que soubessem depois de um tempo só. Acabei usando o carro dentro do círculo de amizades e para algumas viagens.

Como todo aficcionado por carros preparados eu comecei a ler e pesquisar tudo sobre esse carro nos fóruns nacionais e internacionais. Eu imaginava que um carro já preparado de fábrica ninguém fosse mexer. Foi aí que descobri que são esses os carros que as pessoas preparam ainda mais, e eu acabei sendo contaminado por essa “doença” de carros preparados. Aos poucos comecei a trazer peças de fora, eu não ganhava muito, não tinha condições de já fuçar no carro inteiro, devagar importava até então coisas de acabamento, alguma peça de manutenção mais simples etc.

 

Em 2006 eu resolvi vender o carro para comprar o de um amigo meu, um Eclipse GSX, este de tração integral, que é muito raro no país, o carro dele estava em excelentes condições. Poderia ter sido a minha vez de continuar no mundo Mitsubishi mas de tração AWD, mas isso não aconteceu. Existia um  encontro de carro importado que acontecia todo ultimo domingo do mês aqui em Campinas, no Shopping Galleria. Em um desses encontros anunciei meu carro ao lado do dele e fiz um anúncio dizendo que venderia meu carro para comprar o carro ao lado, mas ele acabou vendendo o carro antes que eu conseguisse vender o meu. Depois desse ocorrido ja tinha decidido que não venderia mais, uma vez que não era mais possível comprar o GSX também não queria mais vender o meu GST.

Praticamente todos os proprietários de Eclipse preferem o modelo 1998 que tem uma frente um pouco mais esportiva, tomada de ar no parachoque que só chegou em alguns carros 15 anos depois, aerofólio mais alto e chamativo, enfim, uma reestilização que foi muito bem vinda. Esse modelo costumava custar entre R$ 15.000 e R$ 20.000 mais caro, apenas pela estética, pois todo o resto do carro é idêntico. Era a hora de começar a mexer na estética do carro.

Em meados de 2008 resolvi fazer o famoso Bodykit 98, que inclui substituir os dois parachoques, par de faróis, luzes de ré, faróis de milha, e o aerofólio em uma única peça, este fazia com que você pintasse metade do carro, pois a fixação dele no carro deixava aberto os furos necessários para fixar o aerofólio do modelo 1995, que é constituído de três peças, é necessário fechar os furos com solda, limar e pintar. O que acaba compensando já fazer a funilaria do carro inteiro. A sensação era de ter comprado outro carro, o modelo ainda mais chamativo e agora com funilaria nova deu uma reanimada no carro que eu tinha já havia quatro anos.

Uma vez que eu ia continuar com meu carro para sempre comecei a pesquisar sobre preparação, estava disposto a deixar o carro mais forte do que o original. Foram meses de leitura sobre preparação, eu queria saber tudo o que existia para esse carro. Obviamente que toda essa pesquisa era fora do Brasil, o mercado de preparação de carro importado até então era muito pequeno, muitos lugares não faziam nem manutenção básica, imagine fazer alterações em um carro desse. Aprendi tanto que eu praticamente sabia fazer tudo no carro, em teoria, pois eu não tinha ferramentas e conhecimento prático para executar.

Nessa época meu carro era original, com filtro de ar esportivo e manutenção em dia, as pequenas alterações que eu tinha aprendido fazer aumentava muito de leve a pressão da turbina original, isso dava ao carro por volta de 20 a 25 cavalos a mais. Dava para sentir o incremento de potência, por outro lado comecei a perder aderência, em primeira marcha se não fosse com cautela o carro destracionava, o que me fazia lembrar novamente do Eclipse GSX que não consegui comprar. Minha vontade ainda era grande, mas não existia nenhum anunciado.

Conversando com meu antigo preparador, ele me disse que apareceu um “kit 4×4″ em um desmanche onde comprávamos peças. Um Eclipse GSX batido chegou para ser desmontado. Era minha chance de ter um Eclipse GSX no meu próprio carro. Mais alguns dias de pesquisa e descobri que os carros eram exatamente iguais, a transformação de GST para GSX era simples e possível sem adaptações, apenas substituindo uma série de peças referentes à tração que dessa vez viriam de um modelo doador. Nada ia faltar e meu carro ia ser o primeiro Eclipse convertido de 4×2 para 4×4 do país !

Nessa época eu entendia apenas da teoria mecânica, peças necessárias etc, não tinha conhecimento nem ferramentas para fazer por conta própria, o máximo que eu fazia era trocar fluidos, filtros e quando muito uma correia dentada. Mesmo assim fechei negócio no kit 4×4, fiz a lista de peças que a doadora deveria me fornecer, internei meu carro na oficina e só me restava aguardar o término da montagem.

Antes não tivesse feito…

(continua no próximo post!)

Por Cesar Mazzocato, Project Cars #146

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