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Project Cars Project Cars #198

Project Cars #198: a retífica do motor e um novo jogo de rodas para meu Passat Pointer

Fala, galera do FlatOut! Estou de volta para contar alguns detalhes da restauração do meu Passat Pointer e as pequenas modificações que fizemos, visando maior desempenho ou confiabilidade, mas sem alterar a aparência original. Vamos nessa?

Neste post vamos começar pelo motor, que saiu do carro nos primeiros dias da desmontagem desse jeito:

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Estava bem cansado e já não era o original, que deve ter explodido ao atingir 3kilimei de pressão, talvez quando ainda era relativamente novo (havia uma amassado feito com marreta na longarina, bem onde deveria estar a turbina). Por isso nem olhamos direito pra ele, desmontamos tudo e mandamos as peças da parte de baixo para a retífica. Os cilindros foram abertos em 0,50 mm e o virabrequim 0,25 mm no fixo (munhão) e móvel (moente), usamos pistões e bronzinas Metal Leve, jogo de juntas Sabó, bomba de óleo Schadek, e todo conjunto móvel foi balanceado (até com a embreagem montada) pra ficar 100%.

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Já no cabeçote houve mais mudanças. Mandei para o preparador mais conhecido aqui da região, que fez e ainda faz muitos dos AP que rodam em arrancadas estado afora. Não consegui arrancar dele exatamente o que foi feito, ele disse apenas para confiar e que eu iria me surpreender. Sei que foi baixado pra ter taxa de 13:1, dutos de escape polidos, e as válvulas pareceram ter mais ângulos nos assentamentos.

O sistema de ignição é original, mas agora usa velas NGK Iridium BR8EIX (que o preparador mesmo mandou). O comando mantive o 49G, que é o original dele. Posso dizer que realmente me surpreendi com o desempenho, isso que mantive todos coletores e escapamento originais e o carburador 2E. Não dá nem graça comparar com meu outro Pointer, que tem motor 100% original e pouco rodado. Na arrancada e na estrada o vermelhão some na frente.

O câmbio usado foi o PV original, apenas mudei a terceira e quarta para a relação do Gol 1000 16V, a maioria usa a quinta também, mas eu não queria ouvir o motor berrando mais ainda quando andasse em estrada, e como a diferença é pouca (0.8 pra 0.83) não ficou buraco nem nada.

Fora isso na parte do cofre apenas usei um alternador Bosch 90a novo — afinal é um carro que não é usado todo dia, e quando uso quero que carregue a bateria o máximo possível — motor de arranque também é Bosch e novo, e o compressor do ar-condicionado veio do Santana, que consome muito menos potência e gela a mesma coisa (o que vinha de fábrica é o mesmo do Galaxie!).

Mesmo com essas mudanças consegui o que queria, que era o cofre ficar com aparência original, aqui uma foto dele pronto:

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Agora vamos às modificações mais visíveis, começando com a suspensão. Originalmente a dianteira é mais alta que a traseira, o que faz a aparência não ficar tão boa, então seguindo a dica de um amigo usei molas dianteiras do Gol 1.8 com ar-condicionado, que são um pouco menores, mas apenas o suficiente para deixar o carro nivelado. Como resultado o carro ficou mais bonito sem parecer rebaixado e sem sacrificar o conforto.

Além disso, tive que mandar preparar um jogo de amortecedores, porque com os que vendem hoje para os Passat (que tem menos carga do que vinha de fábrica) em qualquer arrancada faziam o carro empinar e sair patinando! Mais um indicativo de que o motor ficou mais forte, porque com os mesmos amortecedores e motor original não acontece isso na mesma proporção. Não queria nada que causasse perda de conforto, e conversando com o preparador do cabeçote ele disse que tinha um amigo que mexia com amortecedores, e que de novo era apenas pra confiar nele. Novamente ficou exatamente como eu queria, não afetou o conforto, ficou melhor nas curvas e parou de empinar em arrancadas. Perfeito!

Agora a modificação que mais se destaca, e pode ser vista na foto acima: as rodas.

É sempre a primeira coisa que alguém repara quando vê a primeira vez, na hora não percebem o que mudou, apenas notam que parecem um pouco diferentes. Sempre imaginávamos como ficaria se as rodas originais fossem aro 15,  mas não tínhamos esperança de conseguir, nem imaginava que existia alguém que fabricasse uma roda em pequena quantidade, até que vi uma empresa de Curitiba que fazia isso. No catálogo deles até consta essa roda, mas aro 17. Entrei em contato, conversei com eles e no fim toparam fazer as de 15 polegadas!

Aproveitei e aumentamos também a tala de 6 para 6,5, já que iria usar pneus 195/50 (para manter o raio original) e queria manter a roda mais “quadrada”, sem espremer o pneu. Por sorte o cara que produziu as rodas me mandou fotos do processo, então dá pra entender um pouco como é feito. Aqui abaixo o primeiro molde, usando de base uma roda original, como dá pra perceber foi aumentada nos raios, mantendo o aro externo e o miolo da mesma largura:

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Depois disso é criado o molde negativo pra cada roda e despejada a liga metálica, e a roda sai do molde assim:

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E que aqui entra uma desvantagem desse tipo de roda, que inclusive me deixou com um pouco de receio no inicio, que é a possibilidade da mesma ficar porosa por dentro, deixando a liga mais fraca. Nas rodas “normais” o alumínio é injetado com pressão, não deixando que isso aconteça, mas o molde para esse tipo de injeção é muito mais caro, não tornando viável a produção em pequena quantidade, e por isso é usada a fundição comum mesmo.

Perdi um pouco o medo há pouco mais de um mês, quando peguei um buraco bem grande na estrada e as duas rodas que caíram nele apenas entortaram, sem aparecer nenhuma rachadura e sem fazer os pneus perderem pressão. Dá pra dizer que são seguras pra uso normal, mesmo que se queira andar mais animado numa estrada por exemplo, mas não usaria num carro que se busca desempenho, ou que seja usado maior parte do tempo em estradas com velocidades mais altas, ai melhor ficar com uma feita no método tradicional, com todos testes realizados conforme deve ser.

Mas voltando ao assunto principal, poucos dias depois recebi as rodas, foi muito bom ver elas prontas depois de quase ter desistido da procura, apenas achei a pintura não muito bem feita (o que foi resolvido quando mandei desentortar as que peguei no buraco e pintei as quatro novamente) aqui uma foto logo que saíram da caixa:

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Claro que a ansiedade era grande, então logo depois levei para a oficina em que estava o Passat e já montamos os pneus. Aqui uma foto comparando as rodas de 15 polegadas com as originais:

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Fora isso ainda mudamos o sistema de freios para o do Santana com discos ventilados de 239 mm. Queria o de 256 mm, mas encontrei essas pinças já revisadas e novinhas e não quis deixar passar:

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No final acho que atingi o objetivo, a maioria das mudanças não são visíveis, mas fazem uma boa diferença na hora de dirigir, e a única mudança no visual (as rodas) pode ser revertida em poucos minutos com um elevador e uma chave de rodas.

Bom, por hoje é só. No próximo post contarei como foi a montagem e finalização, o crescimento da família e mais algumas histórias, pra finalizar! Até lá!

Por Guilherme Deitos, Project Cars #198

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