Edição diária: 17/06/2019
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Project Cars Project Cars #205

Project Cars #205: uma geral no motor do meu Jetta “GLI”, e uma passada no dinamômetro para ver os resultados

Hey, Buddies! Estou aqui de volta para tentar finalizar as modificações e contar sobre a manutenção do Panzer Jetta. O feedback inicial foi bastante positivo, recebi várias dicas e muita gente me procurou para tirar dúvidas em geral. Fiquei impressionado com o fã-clube desse carro, e também pela quantidade de gente que pode trocá-lo em um TSI, mas não faz isso, pois prefere ficar com o MK5 até o fim.

Do outro post até hoje, o que foi feito foi muito pouco em comparação ao primeiro post, porém não menos importante. Conforme disse, muita gente liga para a estética (inclusive eu), mas isso, fundamentalmente é o menos importante para a qualidade, uso e durabilidade do carro.

A primeira providencia, (quase que urgente) era uma manutenção geral de motor, câmbio, suspensão e freios. Vamos por partes:

 

“Chão”

Montei os pneus novos, aproveitei para reformar e repintar as rodas originais e deixá-lo mais próximo do GLI original. A mudança de conforto e comportamento foi claramente perceptível com os novos pneus Continental ContiSportContact 5, realmente fantásticos. Eu havia mexido na suspensão fazia pouco tempo, com direito a troca de batentes, amortecedores e na ocasião, coloquei molas Eibach. Cheguei a cogitar voltar para o original, mas ele está tão bonito que vai ficar assim mais um tempo. Entre o início e a conclusão deste texto precisei fazer uma nova troca de batentes e buchas de suspensão. A receita de menos altura com mais peso não é a mais adequada.

 

Motor

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Fiz uma revisão completa, pensando em obter o melhor rendimento com o rodar mais macio. Eu o sentia áspero em relação ao Jetta Variant da minha mãe e sabia que devia haver algo errado, provavelmente causado por um ex-dono que usava gasolina qualquer e só fazia o ‘arroz com feijão’.  Além do extra-básico (óleo e filtros), inclui no pacote de revisão as velas, 360ml de Militec-1 (60ml para cada Litro de óleo), uma limpeza de todos os dutos e caixas de ar do intake original com descarbonizante Car80, além do tradicional água e sabão na “plasticalhada” toda. Incluí a limpeza do K&N com produtos K&N (Kleener e Oil), a limpeza da TBI e a descarbonização de válvulas com o mesmo produto Car80.

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Neste momento, resolvi colocá-lo no DynoJet em São Paulo e aferi 133,4 cv na roda, somados a uma perda de 15 a 20% pela transmissão, chegamos a algo entre 152 e 159 cv no motor, lembrando que o meu Jetta é 2007/2007, portanto, 150 cv e não 170 cv como os que vieram depois de 2008.

Depois de tanto trabalho e da excelente notícia de que nossa gasolina terá ainda mais melécas misturadas, decidi ‘bater na mesa’ e só usar Podium. O carro agradeceu e demonstrou isso numa viagem até Piçarras-SC pelas BR-116 e BR-101, com desempenho e consumo sensivelmente melhores que antes. Ah, ia me esquecendo: comprei um Cabo RossTech e o VCDS da VW para escanear o carro.  Distraído futricando no software, arriei a bateria. Depois da chupeta, nada… Uma peça nova na conta do carro, R$ 400,00 a menos na conta do banco.

Pouco depois de tudo isso, surgiu a oportunidade de colocar no Intake APR Carbonio, que promete um ganho expressivo de potência em torque, que, somado ao remapeamento REVO deverá deixar o Jetta de 150cv com um comportamento próximo ao um Jetta de 170cv sem blindagem, ou mais, quem sabe…

 

Freios

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Eu estava planejando fazer uma manutenção no sistema de freio como havia dito no primeiro post, mas como surgiu a viagem de carnaval em cima da hora, acabei trocando somente discos e pastilhas por uma questão de tempo hábil. Como o serviço seria divido em duas etapas, acabei utilizando uma receita melhor que a dita antes. Mantive os discos Powerbrakes frisados (R$ 650,00) e utilizei pastilhas EBC Red Stuff na frente (R$ 550,00) e EBC Yellow Stuff na traseira (R$ 450,00). Já senti uma melhoria, especialmente em frenagens ‘spot’, aquela famosa cutucada de susto, mas que você imediatamente pode aliviar. Apesar disso, ainda quero fazer a substituição do fluido e a troca dos flexíveis pois o sistema está fadigando muito depois de algumas cravadas de pé. Pesado, né…

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Na parte de estética, algumas mudanças virão no terceiro e último post, acompanhado por umas fotos profissionais. Voltei a cor das rodas para o orignal e comprei um aerofólio novo, que era o que eu desejava desde o início, mas não achava. Estou esperando chegar os Sidemarker (pisca lateral do parachoque dianteiro), laranja e original, que deixará o carro com mais cara de US-Spec.

 

E a blindagem? Pois é…

Fiquei de explicar os pontos positivos e negativos da blindagem e vou cumprir isso, em forma de Manual, passo a passo, desde a compra.

Comprando um Blindado

A escolha na hora da compra é o que definirá se voce será feliz e endinheirado, ou triste e falido. Errar nesta hora pode ser fatal, pois se o carro estiver ruim, voce terá uma bela ‘trolha’ para arrumar e ficar, ou maquiar e vender, provavelmente mais barato do que pagou.

A parte mais simples de ser checada é a documentação. Antes de mais nada, veja se o carro possui “BLINDAGEM” no campo “MODIFICAÇÕES” do documento do carro. Ela tem que constar obrigatoriamente e se não tiver, seu carro pode ser apreendido tal qual um turbão não legalizado. Sim, seu carro de tiozão blindado pode ser tratado como um “Choraboy, aqui é fixa”e ir parar no pátio. É possivel incluir isso no documento, mas os custos são altos e a burocracia é grande, além de ficar aquela dúvida de “por que raios isso não constava aqui desde que foi blindado zero km?”.

O segundo ponto é conferir a marca da blindagem. Nunca ouviu falar naquela blindadora? Corra para as colinas como se não houvesse um amanhã. Hoje existem muitas blindadoras no mercado e poucas que você pode falar “shut up and take my money”. Na minha humilde opinião pessoal, as melhores são: BSS, Inbra, Cart e Wtruffi. Esta última, é a do Jetta. Ela me oferece algumas informações conforme preciso até hoje, 8 anos depois do serviço feito.

Independentemente do ano do carro, procure por uma plaqueta com numero de O.S., nome da blindadora ou qualquer coisa que evidencie que a blindadora dita pelo vendedor de fato fez aquece carro. O meu é 2007 e tem uma plaqueta no cofre do motor, com a O.S. da época e a marca da blindadora. Com este dado, voce consegue rapidamente ligar no SAC e buscar várias informações.

Quanto ao uso diário do carro blindado, existem algumas condições que voce deverá evitar e se acostumar. Ser realmente exagerado no zelo é fundamental. O calcanhar de aquiles são os vidros, que podem delaminar. Portanto, a partir do dia que tiver um blindado, voce será proibido de:

  • Bater as portas com os vidros abertos, pois poderá quebrar o canto do vidro, aonde não é blindado e entra no Overlap.
  • Torcer a carroceria em valetas e ladeiras (aquela famosa tiradinha de roda traseira do chão) poderá causar delaminação e soltar soldas e colas aftermarket usados pela blindadora.
  • Quicar forte em buracos, valetas e lombadas fará sua suspensão ir embora mais rápido do que já iria normalmente, sem contar que os pneus sofrem mais por causa do peso. Batentes e buchas entrarão para sua lista de ‘kit revisão’ com maior frequência. Amortecedor e molas durarão menos, porém já existem produtos reforçados a um preço acessível.
  • Não poderá deixar molhar o kevlar, pois ele pode oxidar e perder resistência. Isso é um detalhe específico das portas que os vidros abrem. Devido a canaleta ser larga para o vidro passar, também entra bastante água caso chova com o vidro aberto.
  • Cuidado aonde estaciona, pois não são todos os lugares que fazer ‘martelinho de ouro’ em blindados, sendo que alguns deles podem ser irreversíveis.
  • Voce, cidadão comum como eu, que não está sendo visado para ser sequestrado, apenas quer fugir dos marginais de trânsito e semáforos, procure carros que não possuam ‘blindagem executiva’. Esse padrão inclui blindagem de porta malas (nos sedãs) e cofre do motor, dificultando a mão de obra em caso de pequenas batidinhas. O meu possui blindagem total de habitáculo, porém cofre e porta malas não são blindados, nesses pontos existem mantas de kevlar nos bancos traseiros e o painel corta fogo.
  • Fique atento à mecânica, o carro puxou peso extra a vida toda e pode ser que retentores estejam fragilizados, gerando vazamento de óleo.
  • Ar-condicionado também merece atenção. Ele trabalhou 100% dos dias, portanto uma revisão nele também é bem vinda. No meu, precisei trocar a torre elétrica (eletroválvula) para melhorar o funcionamento, além de trocar óleo do compressor e aplicar Militec também. (R$ 685 + R$ 150)
  • Acabamento: Muitas coisas são coladas, uma vez que as travas originais são cortadas para receber mantas ou até mesmo aço. Veja se há muitos itens de acabamento soltos, isso poderá ser um problema. O meu soltou apenas os acabamentos traseiros, que foi facilmente recolado.

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Querem saber outro calcanhar de aquiles de um blindado? Ele aguenta cententas de tiros, mas não aguenta fritar no sol, estacionado num pátio, por exemplo. Diferenças brutas de temperatura também pode gerar problemas graves de delaminação nos vidros.

Peço desculpas pela demora e espero no próximo post ter fotos do carro 100% finalizado, com algumas fotos detalhadas dos acessórios colocados, mimos e pequenas mudanças que só que está atento consegue notar e valorizar… com direito a uma participação especial.

Abraços!

Por Walther Nucci, Project Cars #205

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