Edição diária: 17/06/2019
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Project Cars Project Cars #244

Project Cars #244: a história do meu Chevette Hatch 1980 preparado para as pistas

Olá, amigos do Flatout! Me chamo Diego Matias, tenho 24 anos, moro em João Pessoa/PB e estou aqui para contar a história do meu Chevette Hatch 1980 construído para Track Days, Arrancadas e algumas voltas na rua.

Acho que como a maioria dos gearheads, desde criança eu sempre fui apegado a carros. Lembro dos carrinhos que destruí brincando de bate-bate, até as voltas da escola adivinhando todos os modelos de carro que meus olhos conseguiam enxergar durante o trajeto. Assim como definindo caras alegres e tristes de acordo com a dianteira/traseira de cada carro (quem nunca o fez?).

Cresci indo para a loja de usados do meu avô esperar a hora de ir para casa depois do colégio, em meio aqueles carros à venda, assim como ao chegar em casa e correr para o video game para terminar aquela corrida de Gran Turismo que faltava para completar o campeonato. Sim, onde eu passava e metia a mão, os carros estavam sempre por perto. E assim se sucedeu até meu primeiro carro estar na garagem de casa.

Ainda lembro do primeiro dia em que dirigi o Renault Clio 1.0 2004 duas portas que compramos usado para ser meu primeiro carro. A partir daí, as modificações começaram, porém eu ainda não possuía muita referência de modificações, e parti apenas para o visual. Enquanto isso as corridas continuavam nos jogos eletrônicos.

Anos depois, veio outro Clio, mas dessa vez um Clio Sedan 2006 1.6 16v, que possuía escapamento e filtro de ar, dando indício de que eu já comecava a transferir do mundo virtual para o real a intenção de acelerar. Ok, não era um carro de corrida, mas me divertia muito para o que eu podia ter naquela época.

Nunca esqueci todas as coisas boas que vivi nesse carro, e se eu pudesse, teria até hoje estacionado na garagem, foi com ele que conheci minha namorada, comprei todos os acessórios que eu desejei e passei bons momentos da minha vida. Porém, tudo acabou de forma trágica, quando em uma segunda feira às cinco da manhã, ao voltar para casa pela rodovia federal, onde tinha ido deixar minha namorada na rodoviária, uma moto completamente apagada veio na contra mão da rodovia (que tinha faixa dupla e canteiro central) acertou em cheio a frente do meu carro. O final dessa história foi que meu carro teve a frente completamente destruída e veio a ser consertado e depois vendido.

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Com o valor das peças do Clio, eu decidi entrar de cabeça em um projeto voltado para as pistas. Eu sempre ia a Caruaru (a 250 km de onde moro) para acompanhar os Track Days e Rachas Noturnos que acontecem por lá. Com o valor, acabei comprando um Chevette Hatch 1980 que estava parado fazia cinco anos, com o intuito de reformar e colocá-lo nas pistas.

Mas, por que passar todo esse tempo reformando o carro do zero, podendo comprar um carro já feito e adiantar as coisas? Vendi esse Chevette a um amigo, que o reformou e o deixou todo original, digno de um placa preta, e acabei arrematando o Chevette Hatch 1980 do Joemil Nene (Project Car #111). Ele tinha comprado o carro a pouco tempo e em uma noite acabou me oferecendo juntamente com um kit turbo para Chevette (depois voltarei a esse assunto).

No mesmo dia fui buscar o carro, mesmo sem o dinheiro completo! O carro estava bom de lata, já tinha algumas modificações no motor 1.4, como escapamento 4x2x1 e abafador final, carburador miniprogressivo (gasolina), pistões 0,50 e bobina de Gol Mi. Eu já tinha tido a oportunidade de andar previamente nesse Chevette e tinha me apaixonado pelo carro — e também tentado comprar, mas sempre com resposta negativa. Dessa vez não perdi a chance!

Ok, tinha o carro, e agora eu teria que começar as modificações. Eu sempre gostei de curvas, não sei se por influência dos drifts, ralis ou subidas de montanha — os quais sempre tentei acompanhar como pude. E esse foi o passo inicial para o projeto: um carro que andasse bem de reta, mas principalmente fizesse curvas. Foi assim que escolhi primeiramente as rodas, um jogo de GSW135 – 15×8 ET15 montadas em pneus radiais 195/50.

Além disso, eu precisava de um volante que me desse apoio melhor que o original. Por isso, entrou em cena um volante OMP Deep Dish, que deu outra pegada ao dirigir. Pensando na eficiência dos freios, fiz o básico, troquei pastilhas e fluido de freio, e coloquei dutos de ar para refrigeração, na tentativa de dar algumas voltas a mais no Track Day.

A fase 1 do projeto estava pronta, e faltava ir pra pista. A competição estava marcada para os dias 13 e 14 de dezembro de 2014. E aquele medo de ter que percorrer 500km entre ida e volta rodando e o Chevette me deixar na mão? Caruaru é a pista mais próxima da minha cidade, e eu não tinha dinheiro pra pagar um reboque, pois sairia extremamente caro. Graças a ajuda de amigos do clube, um membro disponibilizou o seu reboque, como forma de incentivo à minha primeira vez na pista.

Chegando em Caruaru no sábado pela manhã (06/12), o nervosismo bateu o dia todo, já que a competição iniciava-se com um Racha Noturno, e no domingo acontecia o Track Day durante todo o dia.

Chegou a hora: eu estava de frente com aquele pinheirinho pela primeira vez dentro do meu carro, e naquele instante ninguém podia imaginar o que se passava dentro daquele capacete. Eu estava realizando meu sonho de estar na pista. As categorias são divididas em Desafio 12, 11, 10, 9, 8,5 e Livre. Assim, devido as médias que fiz durante os treinos, me classifiquei para a Desafio 12s. Estava competindo com carros 1.0, 1.4 e alguns 1.6 das gerações mais atuais e injetados, onde na maioria das vezes eram iniciantes como eu.

Consegui na minha segunda puxada completar o tempo de 12,126s e consegui ser campeão da 12s, sabendo que ainda tinha muito o que melhorar. Meu carro teve como 11,454s como melhor tempo de pista, mas minha reação sempre era muito alta, e isso era o primeiro ponto a melhorar, pois não dependia do carro, apenas de mim nas próximas vezes! Fui dormir com o troféu na mão sabendo que no outro dia, teria um dia mais difícil ainda, já que era a estréia no circuito completo, e esse realmente era o meu foco.

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Caruaru possui uma pista com 3.180m de extensão, e consiste em um circuito bastante técnico, apesar de parecer fácil quando se olha de fora. Os fins de reta, seja principal ou oposta, requerem muita atenção no ponto de frenagem, assim como as curvas de baixa como o cotovelo. Coloquei o transponder no carro, e mesmo sendo muito competitivo, eu queria primeiro me adaptar a pista, sentir a emoção e depois tentar virar algum tempo que me desse parâmetro para o futuro.

Consegui andar o dia inteiro, dividi algumas curvas com outros carros e aprendi pontos de frenagem, aceleração e tangência de curvas, o que até aquele dia, eu apenas sabia na teoria. A sensação de estar em um circuito, nunca vai ser equiparada com nada fora disso, e eu sabia que a partir daquele dia, eu iria querer cada vez mais do que aquele simples motor 1.4 aspirado. Consegui fazer o tempo de 2:10,769, que já se tornaria o parâmetro para futuras modificações.

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Sobre o carro, ele me deixou muito satisfeito, já que corri a arrancada no dia anterior e andei praticamente o dia inteiro em média seis voltas entre uma parada para esfriar fluido de arrefecimento e freios, e só no fim do dia o cabo do alternador soltou e achamos que tinha quebrado algo, até descobrir o problema, o track já tinha acabado.

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O carro ainda voltou para João Pessoa rodando com o Joemil Nene, já que seu Chevette tinha dado problema na embreagem no dia anterior, e voltou no reboque que tinha trazido meu carro. Outro problema encontrado, foi com relação aos pneus, que ficaram pegando em todos os paralamas devido as curvas no track day, onde quase perdi um dos pneus.

A solução? Contarei no próximo post, junto com a minha segunda ida a Caruaru, entre outras coisas. Até lá!

Por Diego Matias, Project Cars #244

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