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Project Cars Project Cars #291

Project Cars #291: a história do meu Audi RS2 que pertenceu à família de Ayrton Senna

Olá Pessoal, como vocês também sou um entusiasta por carros, e em especial os esportivos, meu nome é Leandro e aqui segue a história da minha Audi RS2.

Primeiramente obrigado pelos votos, realmente não esperava tantos, mas realmente este Projeto foi a realização de um sonho que gostaria de compartilhar com vocês.

Meu contato com carros aconteceu muito cedo, pois lembro de ficar na casa de meus avós por horas e horas com uma tampa redonda de qualquer embalagem e a transformar em um volante e ficar de um lado a outro me imaginando na direção.

Depois, acho que como muitos de vocês, acordava em muitas madrugadas apenas para ver nosso Ayrton Senna fazer a pole e depois disputar corridas incríveis! Realmente não perdia uma, fazia questão de acordar no mínimo com meia hora de antecedência e ficava só esperando a transmissão começar, para assim entrar no mundo dos carros e pilotos. Foi assim que nasceu em mim um orgulho muito grande de ser brasileiro e o culto de um ídolo, Ayrton Senna.

Lembro ainda de começar a aprender a dirigir em um opala no sitio de meu pai, onde ficava dando voltas e voltas em círculos num descampado de terra vermelha, e lógico quando chegava em casa fazia questão de lavá-lo só para garantir a voltinha no quarteirão.

Antes mesmo de ter 18 anos me aventurava nas famosas Hondas Turunas e ML 125, sendo que com 18 anos (em 1994) tive meu primeiro carro, um Voyage LS 1.6 ano 1987!

Em 1994 lembro-me perfeitamente de acompanhar o lançamento da perua mais rápida do mundo a RS2!! Nascendo ali a minha paixão por este carro. Como podia uma perua andar a mais de 200 km/h levando cinco passageiros e bagagem?

Infelizmente em 1994 também lembro-me perfeitamente de ter acordado no primeiro dia do mês de maio e acompanhar a última corrida do Senna.

É lógico que naquela época a RS2 era um sonho que só podia ser realizado por poucos e eu não estava nesta relação. Mas o mundo dá voltas e passados 18 anos comecei a procurar meu sonho de consumo: a RS2! E para a coisa não ser tão fácil tinha que ser a RS2 Azul Nogaro.

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Procurei em vários sites achei a tão sonhada RS2, a RS2 azul, e ainda a RS2 que tinha sido da família Senna! Realmente começava ali a realização de um sonho; mas como tudo na vida não é tão fácil assim, essa aquisição não poderia ser diferente.

A RS2 estava em Goiás, na cidade de Aparecida de Goiânia!

Liguei e falei com o vendedor e ele me contou que aquela era mesmo a RS2 que pertenceu à família Senna e que ele a adquiriu juntamente com algumas revistas da época que mostravam aquele carro, e ainda um e-mail de um antigo funcionário da Senna Imports confirmando ser esta a RS2 da família Senna, que havia ficado com o Leonardo Senna.

 

Me disse ainda, que eu poderia ir tranquilo a Goiás e ele mesmo pagaria o voo de volta a São Paulo se eu não gostasse do carro.

Estava em uma fase difícil, com minha esposa grávida e prestes a ter nosso segundo filho. Assim liguei ao vendedor e disse que falaria com ele na semana seguinte, pois nessa não poderia viajar. Como nem tudo são flores, liguei na outra semana e pronto o carro já havia sido vendido!

Fiquei muito decepcionado pois tinha perdido uma baita oportunidade de comprar o carro tão sonhado. A vida seguiu, meu filho nasceu, e continuei a procura pela Audi RS2.

Numa manhã ensolarada de 2012, às oito da manhã parado em um semáforo na zona norte de São Paulo, olho para o lado e o que vejo… a traseira de uma RS2 Azul em uma oficina. Não tive dúvida: fiz o retorno e entrei na oficina. Chegando lá vi a Placa “BRF-8855” e a tarjeta “Aparecida de Goiânia”. Pensei comigo: não é possível!

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Fiquei mais de meia hora conversando com um funcionário da oficina e, depois de muito insistir, consegui o telefone do responsável pelo conserto do carro, o Rodolfo. Na mesma hora liguei para ele e disse: “Cara você esté com uma RS2 na sua oficina e eu preciso comprar esse carro. Como eu faço?”.

Ele respondeu: “O proprietário acabou de comprar o carro e está aqui trocando pastilha de freio e coxim de motor. Está fazendo uma revisão e ele não vende o carro”.

Fiquei mais de meia hora no telefone até conseguir o telefone do proprietário do carro, um cara chamado Eduardo.

Na mesma manhã liguei ao Eduardo e disse: “Edu, você tem uma RS2, e eu já cheguei a ver esse carro faz uns seis meses, em Goiás, será que você não tem interesse em vendê-la?” Ele disse que estava entrando em uma reunião e me retornaria mais tarde.

Esperei e, conforme o combinado, no final do dia ele me ligou e disse: “Você tem sorte. Acabei de ser promovido e vou me mudar para Miami. Você já sabe quanto eu paguei no carro, então anota aí minha conta. Mas me manda também o que gastei de transporte para trazer o carro para São Paulo!”

No outro dia já tinha feito o depósito e pego o documento, faltava só à entrega do carro.

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Marcamos para o sábado pois ele já havia tirado o carro da oficina, assim cheguei cedo na oficina e escutei do Roldolfo: “Como você conseguiu comprar este carro?”. Mas como nem tudo são flores…

O Edu chegou lá, estacionou e pimba: uma poça de água logo se formou! Tinha estourado uma mangueira de água inferior do radiador!

Ele me disse: “Bom o carro agora é seu”. Rimos muito com a situação, e assim já deixei o carro para o conserto com o Julio Massei por algumas semanas, e com a ansiedade batendo a mil.

Lembro-me que logo quando peguei o carro na oficina já rumei para a rodovia Ayrton Senna para testar a máquina.Para a minha surpresa encontrei uma Porsche Turbo 997, um Camaro, um EvoX e um Audi S3. Naquele instante pensei em fazer upgrades nesse carro. O carro estava muito bom de funilaria, pintura e interior, mas precisava de muita manutenção nos freios, suspensão e motor, principalmente na turbina, que já parecia cansada e era de mancal.

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Nas primeiras impressões com o carro o achei um pouco lento de baixa pois ele só acordava após as 4.000 rotações, ficando assim um carro um pouco arisco e para os tempos atuais, com pouco torque em baixa rotação. O carro vinha lento e depois das 4.000 rpm a turbina entrava e o carro te jogava contra o banco com uma força brutal, permanecendo assim até próximo às 7.000 rpm. Quanto ao chão do carro, realmente era muito bom, mas a suspensão já rangia demais e os freios estavam trepidando um pouco.

Após alguns meses liguei aos preparadores Rodolfo Moreira e Julio Massei e contei o que queria, ou seja, um carro mais esperto de baixa, com mais torque e mais potência.

Logo veio a receita: kit stroker 2,5 litros (com vira Eurospec), turbina maior (roletada) e uma injeção programável plug and play (VEMS), além de diversos outros itens que foram acrescentados ao longo do projeto. Originalmente a RS2 vem com um motor Audi 2.2 litros, 5 cilindros em linha, com 315 cv a 6.500 rpm e 40,5 kgfm de torque a 3.500 rpm; sendo que no manual dela em sua ultima página temos o gráfico de potência e torque, conforme foto abaixo.

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Segundo informações da época ela fazia de 0 a 80 km/h em 3,9 segundos e de 0 a 100 km/h em 5,4 segundos, com máxima de 262 km/h.

O único problema era que não havia nenhuma Audi RS2 no Brasil com o kit stroker. Tudo o que vimos foram apenas projetos no exterior, que usamos como base, mas isso fica para o próximo post, quando começarei a contar a preparação!

Até lá! Um abraço!

Por Leandro Esteves, Project Cars #291

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