Project Cars #370: meu Subaru WRX STI finalmente está pronto!

Filipe da Costa Reis 13 janeiro, 2018 0
Project Cars #370: meu Subaru WRX STI finalmente está pronto!

Máhhh ôiiiii!! Sejam bem vindos à mais um capítulo de uma saga sem precedentes nunca vista antes, proveniente de uma série de best sellers como “Poeira em alto mar”, “Escada sem degraus”, “Os piolhos do rei careca” e “Um triste olhar de um pobre cego”, chega “A volta dos que não foram”.

Passado o momento sem graça nenhuma da introdução do parágrafo anterior, no final do último post expliquei que havia desistido do carro, que estava á venda com a junta queimada e não tinha mais fôlego nem emocional, nem monetário para continuar, porém como é sempre muito citado em textos dos PCs, “a vida é uma caixinha de surpresas”.

Eis que, poucos dias depois da postagem, eu sentei com a chefe e comentamos melhor sobre nosso orçamento e percebemos que a festa de casamento que estávamos planejando não era o que a gente queria, e nós nunca fomos do mainstream. Então com o planejamento refeito, dos 130 convidados originais, foram cortados para pouco mais de 30 e o orçamento caiu uns 80%. Sendo assim, dava para consertar o WRX.

junta subaru

Coincidiu de um primo do meu pai estar em viagem nos Estados Unidos e trocando uma ideia rápida, ele topou trazer para mim um jogo de juntas e parafusos que saíram por USD 280,00 entregues no hotel que ele estava (aqui no Brasil não encontrava por menos de R$2.000,00 (Dois Miréis).

Antes de enviar o carro para a retífica, apareceu um jogo de rodas Scorro S251 bronze (réplicas OZ superleggera) por um preço bacana e quem lembra, meu carro estava com Infinity BBS RS GT que eu tinha trocado em 2016 quando eu vi que as rodas de WRX 2011 não tinham salvação. Eu tentei algumas vezes no fórum do clube do subaru comprar um jogo de OZ originais, porém o vendedor não aceitava proposta e na época eu desisti.

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Peças compradas, agora onde fazer, pesquisa em seis oficinas, incluindo uma autorizada subaru na minha cidade, tive orçamentos de R$3.000 a R$6.000, um sendo marinheiros de primeira viagem que iria tentar fazer o serviço sem tirar o motor, outro sendo absurdo ao ponto de cobrar pelas polias do comando, alegando que tem que quebra-las para desmontar o cabeçote para retífica.

Fechei no meio do caminho (tanto de preço como de distância) com a Lottus Motorsport de Campinas do que eu considero que se tornou um amigo e consultor, Robson Marujo. Recomendo pelo atendimento, atenção, conhecimento e paciência (esse eu explico mais pra frente).

Peças chegaram na minha mão, combinado com o Robson o serviço e agora, como levar um carro com junta queimada 200km de casa? Combinei com meu pai para vir com a Amarok que ele e os irmãos usam na fazenda e alugamos uma carretinha para levar. Acontece que o carro é muito baixo, então teve de entrar de ré para não arrebentar o para-choque recém pintado.

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Carro carregado, feito bate volta no meio de agosto para deixar o carro em Campinas com o prazo de 15 dias para reparo. No meio da gastação toda de dinheiro, me surgiu uma válvula HKS SQV3 com flange para adaptação no intercooler do subaru por um preço que eu tive que abraçar.

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Já imaginava que demoraria um mês ou mais para ter o carro de volta, mas aqui que o Robson começou a mostrar seu profissionalismo, cumpriu o prazo e me explicou certinho o que foi feito. Havia pouco empenamento nos cabeçotes (não mais que três décimos) e pouco no bloco também (nesse momento lembrei do orçamento em que o mecânico disse que não tiraria o bloco para fazer o serviço).

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Então, programei com o Arthur (sempre ele) para ir buscar o carro no dia 7 de setembro. Alinhei com o Robson e ele disse que iria me aguardar na oficina. Chegando lá, além de encontrar alguns subarus diferentes do que quando eu fui deixar o meu, tinha um MX5 (um fucking Miata) na oficina. Não aguentei e tive que entrar. Passado a euforia por encontrar um clássico japonês em terras tupiniquins, instalamos a HKS no WRX, entramos nos carros e voltamos para Ribeirão.

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A sensação era ótima de poder sentir o carro funcionando normal novamente, e voltamos em ritmo normal com eventuais esticadas nas saídas dos pedágios porque ninguém é de ferro. Em algumas ocasiões pela BOV de recirculação externa, tivemos alguns back-fires porém estão registrados somente na memória do Arthur que vinha atrás.

Alguns dias em uso e o carro começou a ferver de novo. Achei estranho por conta de ter sido feito tudo certo, usando peças originais subaru e o motor ter sido torqueado conforme especificação de fábrica. Aqui que começa a paciência do Robson. Trocando mensagens ele me informou para verificar a válvula termostática (achei estranho, pois esta era nova e original, mas ele me disse que havia um lote que veio para o Brasil que estava com problema e não abria direito, então eu provavelmente era um premiado). Fui até o GC8 do Arthur que estava na funilaria e retirei a válvula que estava anteriormente no WRX e que eu achava que tinha problema, esta funcionando normal, uma Mishimoto com abertura para 68ºC.

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Como o WRX estava com o intake AEM e o intercooler supercooler maior que o Robson instalou sem custo quando estava recolocando o motor no carro, achei que pudesse ter dado alguma alteração na leitura da MAF e com isso, esquentar mais o carro. Voltei em casa, troquei a válvula e enchi o sistema, mas o carro ainda esquentava. Então com muita paciência, fiz o enchimento do sistema pelo reservatório superior enquanto o radiador estava aberto. Percebi que sempre que deixava o nível na boca do reservatório superior, ele baixava muito lentamente, mostrando que havia ar no sistema ainda. Acho que foram uns 30 minutos para tirar todo ar do sistema e mais de 1 litro de água colocado, depois disso não esquentou mais.

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Já estava quase desistindo de vender o carro, estava começando a pesquisar peças para conversão para álcool, mas apareceu um comprador que compraria em dinheiro. Por coincidência ele tinha o pai e irmão da namorada dele que moram em Ribeirão e pediu para eles olharem o carro. Eis que meu amigo Caio, me chama no whats e me pergunta se o anúncio do subaru que ele tinha me mandado era o meu. Confirmei e nisso a gente confirmou também que o Brasil tem só uns 10.000 habitantes, o resto é figurante. Nunca que imaginava tamanha coincidência. Como o Caio ainda não havia visto o carro funcionando, já deu um pulo em casa com o pai dele e o Diego (outro amigo) para ver o possante.

O veredito foi dado ao comprador e este ficou de ver o carro ao vivo, o que aconteceu no feriado de 12 de outubro. Ao levar o carro até a casa do Caio, percebi certa hesitação ao pegar pressão, com algumas falhadas. Imaginei ser o mapa não ajustado para a admissão de ar esportiva. Fomos dar uma volta e pela primeira vez eu sentei no banco de trás do WRX, e me surpreendi o quão confortável esse esportivo é. Porém quando o rapaz acelerava, o carro não passava de 4 psi (0,28kg). Pegava velocidade, mas não tinha aquele punch do turbo, parecia um aspirado.

Falei que ia resolver o problema antes de entregar o carro sem alterar o preço se ele fechasse. Ele disse que ia conversar com o irmão, pois ia comprar em sociedade com ele o carro.

Nisso conversando com o Robson, a suspeita caiu sobre a turbina, que tinha um pouco de folga no eixo, mas não estava ruim, mas quando consertei o carro, estava um pouco apertado de dinheiro e montei daquele jeito. Desmontei a turbina com a ajuda do Arthur na garagem de casa e mandei para retífica (aqui outro parênteses das discrepâncias de preço, tive orçamentos de R$650,00 até 2000,00). Neste caso, mandei na mais barata pois ouvi boas recomendações de amigos que tiveram que fazer esse tipo de serviço.

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Me pediram 1 dia inteiro para o serviço na empresa, então enviei via sedex 10 na quarta feira 25/10, porém como tinha postado após as 18h, chegaria apenas na sexta-feira de manhã. Acompanhando o código de rastreio, tudo certo, e trocando mensagens com a empresa, ficaram de informar quando estaria pronto.

Conversando com o comprador, ele falou que havia corrido atrás da documentação para financiamento e que estaria praticamente tudo certo para buscar o carro no feriado de finados no começo de novembro.

Segunda feira 27/10 eu mando mensagens para a empresa que estava com o turbo e me falaram que a turbina estava em bom estado e foi feito o recondicionamento (menos mal, a troca do conjunto rotativo aumentava em 50% o orçamento) e que estaria sendo postado assim que eu pagasse o serviço + frete. Solicitei que enviasse via sedex 10 para que eu pudesse montar e testar antes do dia 02/11. Fiz o pagamento no mesmo dia e aguardei.

Aguardei… Aguardei e nada, dia 30/10 mandando mensagens e ninguém respondeu. Dia 31/10 e nada. Em 01/11 eu peguei o dia para fritar o telefone da loja e assim que atendeu outra pessoa que me explicou que um dos fundadores da loja havia falecido no dia anterior e eu expliquei toda a situação e ele me passou o código de rastreio. Pediu desculpas pela falta de atenção do colega e me orientou alguns passos para montagem do turbo.

Pesquiso o código e descubro que já estava na portaria do condomínio me esperando. Ufa, ainda dá pra salvar a venda.

Monto de novo, desta vez sozinho, o Arthur estava em serviço fora da cidade. Coloca a turbina no uppipe, mangueiras de óleo e água no lugar. Aperta abraçadeiras, confere torque das porcas, mas quando estou colocando o downpipe para finalizar a montagem da parte de baixo, percebo uma porca sobrando sem parafuso. PQP! Perdi um parafuso na hora da desmontagem, que cabaço! Fiquei frustrado ao ponto de largar tudo como estava. Falei com o comprador que houve um imprevisto e que terminaria de montar no sábado.

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Na quinta feira do feriado, com mais calma, voltei ao carro e tentando procurar pelo parafuso perdido comecei a colocar os fatos no lugar. Percebi que o que faltava não era um parafuso, mas um prisioneiro da turbina, pois não haveria como colocar um parafuso naquele local. Mais uma pra conta da oficina que fez a retífica. Procurei nas lojas de bricolagem e material de construção que estavam abertas no dia 02/11 e os vendedores olhavam para mim com uma cara de interrogação quando eu pedia um prisioneiro (mesmo mostrando outro que tirei da turbina).

Desisti e deixei com a Leilane (de novo rsrs) para ela correr atrás da peça na sexta-feira pra mim. Ela rodou bastante até indicarem uma loja especializada em parafusos que tinha do tamanho certo. No mesmo dia, voltei do trabalho e terminei de montar tudo, downpipe, admissão, intercooler. Nesse dia o Arthur me ajudou fazendo a parte de baixo, colocando veda escape na junta do downpipe enquanto eu fazia a parte de cima.

Conferimos várias vezes tudo, baixamos o carro e demos partida. Tudo ok, nenhum vazamento, deixamos o carro esquentar parado e depois saímos para uma volta no condomínio e… (suspense intensifies…) nada… Ainda limitava em 4 psi. Desanimado, mais uma vez, voltei a encher a paciência do Robson (viu como ele é um santo?). Ele foi me orientando de vários testes para fazer, desconectar a MAF, voltar a admissão e intercooler originais, fiz tudo e ainda limitava. Então voltaram as suspeitas para turbina de novo, poderia estar com a caixa quente rachada perto da válvula da wastegate, poderia ser o diafragma furado ou a mola com pouca pressão.

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Comecei a corrigir pelo último, dei algumas voltas no parafuso de ajuste e… nada. Mesma coisa. Depois peguei a mangueira da wastegate e chupei para ver se havia vazamento e… nada. Por último o Robson me orientou a tirar a mangueira e isolar a wastegate de vez. Tiro a mangueira e saio de casa dentro do condomínio, chego em um pequeno trecho de reta e piso. No começo meio cético até que pshhhhhhhh (8, 10, 13 psi…) e um sorriso aliviado e preocupado por não ser mais a turbina e não saber mais o que era.

O Robson pensou um pouco e disse que o que sobrava era o solenoide de controle de pressão da wastegate, que faz a leitura da descarga do compressor comparando com o intake logo depois da MAF. Tirei a solenoide para testar se o relé estava funcionando, e estava, ficou então o diagnóstico que a mola interna está cansada e com pressão ela cede e manda todo excesso para admissão, limitando nos 4 psi. Cotei uma peça nova e variava entre R$220,00 e R$450,00.

Nesse meio tempo, o comprador “deu pra trás”, dizendo que não tinha dado certo com o irmão dele, que não estavam chegando a um acordo e blá blá blá. (depois eu descobri que ele estava tentando convencer a irmã do Caio a vender o Renegade 2016 dela para pegar um Outback 2009 (pra ele usar), ou seja, inventou uma historinha e desistiu, eu tiro sarro com o Caio até hoje por conta disso. But, anyway…

Então surgiram outros interessados, algumas propostas absurdas e um rapaz de Curitiba disse que tinha interesse na troca por um Civic LXL 2011, que por ser um carro mais fácil de revender que os que haviam aparecido anteriormente (WRX 2008, BMW 120, maverick V8 – esse eu fiquei com a mão coçando para pegar) eu falei que se ele viesse buscar em 2017 ainda eu fechava negócio na proposta que ele me fez.

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Acontece que naquela reunião com a chefe do começo do post, nós havíamos mudado a data de 14/04/18 para 15/12/17, então eu combinei para que a troca dos carros fosse feita no dia 15 pela manhã e eu já iria para o casamento de Civic.

Mas de novo, o destino quis que fosse diferente, e o rapaz só poderia vir até Ribeirão Preto na segunda-feira, 18/12 e assim, o WRX foi o carro que nos levou para o primeiro passo da nossa vida juntos.

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Na segunda-feira o rapaz chegou, fizemos a troca dos veículos e passamos na financeira para acertar a diferença e assim, com uma foto bem borrada, ficou a minha última visão do WRX, sumindo ao longe para fazer histórias com outra pessoa, mas as lembranças que ficaram são bem nítidas.

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Eu expliquei que a válvula ainda tinha o problema, pois não houve tempo para chegar a nova peça que eu encaminharia via correio depois, este concordou e assim o fiz.

Não tenho que reclamar, aproveitei pouco o carro, é verdade (de março de 2016 até dezembro de 2017, o carro ficou seis meses parado pela funilaria, nove meses parado pela junta queimada e mais 2 meses por conta dos problemas com a turbina e solenoide, sobrando pouco menos de 6 meses de uso mesmo), mas como disse no último post, fiz amigos por conta desse carro nesses meses que ele funcionou (ou quase) e sou grato por isso. Tem muitos passeios que fiquei devendo e peço desculpas pelos que não puderam andar no carro, mas as coisas acontecem na hora que tem que acontecer.

Agora sim, me despeço desse PC com ele concluído e não abandonado como foi o final do último post. Agradeço à equipe do FlatOut pela oportunidade e peço desculpas pela falta de comprometimento que houve nas postagens anteriores. Espero que voltemos a ter mais postagens de PCs da comunidade, pois isso faz com que outros tenham coragem, mesmo que com as dificuldades financeiras e emocionais, possam continuar “brincando” com seus colegas de quatro rodas, até porque, o que diferencia homens de meninos é o preço e o tamanho dos brinquedos.

Que suas estradas estejam sempre livres, seu tanque sempre cheio e caso não haja alguém ao seu lado, que uma boa música te acompanhe. Grande abraço.

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Por Filipe da Costa Reis, Project Cars #370

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Uma mensagem do FlatOut!

Filipe, é muito legal saber que você não desistiu do carro e o concluiu. Nossos amigos de quatro rodas merecem essa dedicação e atenção, e é sempre bom ver um Project Car ser concluído, mesmo quando tudo conspira contra. Parabéns!