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Project Cars Project Cars #400

Project Cars #400: mais dois Alfas para a Garagem Alfa Romeo

Antes de mais nada nesta quinta etapa, vamos fazer uma recordação rápida do que já vimos. Primeiro foi o 156 bacana com motor desbielado, depois vimos o 145 QV raladinho com motor batendo biela, o 155 Elegance cheio de detalhes, o 155 Super vermelho com junta de cabeçote queimada e o raro Fiat Bravo. Cada um com suas características e peculiaridades, e todos depois de algumas boas batalhas em ordem e funcionando — ou quase. Ainda temos a pendência do 155 Elegance com seu motor manco e do 145 sem balanceado. Mas se tratando de Alfa tudo isso é café pequeno.

Nesta toada, um colega do banco se empolgou, e como já tinha possuído um Marea e curtido um monte o carro, ele resolveu entrar na bagunça também. Eu tinha visto aqui perto um outro 155 Super, preto, meio zoado, e resolvi investigar na mesma viagem que fui buscar o Alfa que subiu no telhado, atiçado por um certo elemento que atende pela alcunha de “Uno Conversível”. Acabei aproveitando o guincho e catando mais este 155 Super que a princípio ficaria com o colega do banco. Na foto abaixo, os dois 155 indo para Sobradinho.

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Na boa: eu devo ser ou ter algum problema mental sério, porque olhando isso aí eu achava tudo muito legal, o maior barato. Já fazia mil planos de como usar os pedaços do 155 bianco e do que seria necessário fazer para não deixar o pretinho básico terminar seus dias igual ao colega de infortúnio, que estava emcima do caminhão plataforma. Qualquer pessoa com um mínimo de juízo na cabeça sairia correndo só de pensar em ver isso. Mas tá valendo, vamos nessa! Não foi a primeira nem vai ser a última vez que isso vai acontecer.

Agora olhando as foto abaixo, tiradas ainda no ferro-velho, qualquer um com um mínimo de juízo não deixa passar um carro com tantos detalhes e tanta coisa boa a se aproveitar, ainda mais quando de tem uma penca de Alfa parados na garagem. É irresistível! Isso tudo pela bagatela de R$ 2.000. Com nota fiscal de leilão e tudo, que permite reutilizar o motor dele em outro veículo, no caso deste carro que não teve o número do motor suprimido pelo Detran.

 

Lembram da guerra de conseguir outro motor adequado e com nota para substituir o desbielado do 156 azul do primeiro artigo deste PC? Pois é…

Vale lembrar que até os vidros, mesmo com o número do chassi do veículo baixado, podem ser reusados em outro. No caso de um carro que é digamos difícil de acabamentos e detalhes, isso vem como uma doce melodia aos ouvidos não é mesmo? Mas até aí mole.

Peguei o 155 de cara sabendo que tínhamos um motor em péssimo estado, embreagem morta, sem espelhos retrovisores externos, sem as rodas originais speedline, mas ainda sim bom o suficiente para não ser deixado ali, agonizando ao relento. Sim, o preto cai muito bem nele. Algo meio assim como “Lord Vader, your car is ready to go”.

Com os papeis da transferencia em mãos e com todos os débitos pagos, internei ele na oficina e começamos a debulhar o motor. Tranquilo, nada destruído, e com pistões novos, juntas, anéis e bronzinas, rolamentos dos balanceadores que ainda tinha folgas aceitáveis nas buchas e vamos nessa. A embreagem felizmente era apenas um colar quebrado. Instalei platô e disco novos e continuamos a farra. Mais um rolamento de roda, uma balança, coifas de homocineticas e mecanicamente até que ele estava bem aceitável.

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Levei depois disso pro meu amigo Baiano, que fez o favor de retocar o carro todo onde necessário, repintou o teto, capô e tampa do porta-malas. Aí o simpático 155 começou a parecer muito mais legal. Os espelhos retrovisores externos de Tipo, que eu tinha usado no 155 grigio enquando arrumava os dele, voltaram a ser muito úteis. Depois de um pouco de tinta preta parecia até que saíram de fabrica no Super preto. Isso logicamente é um reparo temporário, uma vez que eu já consegui alguns cacos e outros espelhos — falta só alguma atenção e carinho e em breve ele terá de volta seus espelhos originais elétricos. Quando isso acontecer, aproveito e refaço os parachoques que não estão nada assim 100% legais mesmo.

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Meio que do nada também tivemos a sorte de localizar um jogo de rodas speedline necessitando de reforma que em breve retornarão ao carro. Descascadas, sem nenhum parafuso original de acabamento, mas ainda bem usáveis, sem trincas ou empenos comprometedores. Os aros que vieram nele permanecem nele com um jogo de pneus usados bem menos ruins que os destruídos que estavam instalados na hora da compra.

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Deveriam ser mais ou menos assim, mas…

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… era assim que estavam as marditas. Foram direto para a loja de rodas para um trato e uma viagem de volta aos dias de glória!

Neste 155 não mexemos em câmbio. Ele ainda está ainda com a quinta curta original. Um esticador da correia de acessórios misteriosamente começou a chiar e temos ainda uma tampa de porta-luvas que não para fechada entre outros pequenos detalhes. Todos serão tratados de forma adequada em breve na medida do tempo disponível e das aquisições de peças necessárias sem drenar a conta corrente abaixo do zero. Aliás este é sempre o grande desafio: fazer as coisas acontecerem, mas sem que a gente quebre no processo.

Este 155, por ser um Super até torna ainda mais recompensadora a tarefa de não deixar ele ir pro buraco, na medida que é um carro bem bacana, bem legal e merece alguém com gosto e carinho para que ele simplesmente não suma na linha do horizonte.

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Mas mal tinha terminado esta aquisição e procedimentos pós compra, achamos outro Alfinha simpático e diferentinho, largado e implorando por uma casa melhor. Era um 145 1998, 1.8.

Rosso Alfa, raladinho, largadinho, pneus carecas, rodas não originais, alguns arranhões e pequenos amassados e um preço bem convidativo. Pronto, começamos mais uma bagunça. O colega estava animado e pegou este também. O mais interessante é que por ser um 1.8 tinha alguns itens mecânicos diferentes de todos os outros que tinha mexido que são 2.0. Na minha cabeça pelo menos só isso já justificava a compra. Infelizmente não tirei nenhuma foto “antes” para comparar com o final da guerra.

Primeiro o 1.8 não tem eixos balanceadores, o cambio mantém as relações de marchas close ratio como os 2.0 mas o diferencial é algo como 10% mais curto. No fim, nem os 33 km/h por 1.000 rpm em quinta se consegue ter. Fica em 30 e olhe lá. É ridiculamente e desnecessáriamente curto — coisa de 4.000 rpm a 120 km/h e olhe lá. Nesta toada a 180 km/h estaria a 6.000 rpm.

Bom, como tínhamos um motor que teve um histórico de superaquecimento, estava consumindo e vazando óleo desesperadamente e ainda arranhava segunda, além da retífica do motor, veio uma troca de câmbio. Na retífica uma cautela adicional já que tínhamos bastante barulho no variador de fase.

Foram trocados pistões e anéis, que são exatamente os mesmos dos Marea 1.8, juntas, vedadores, bronzinas e arruelas laterais de encosto do virabrequim. O variador de fase original foi substituído por outro de um Marea 2.0 cinco-cilindros tirado de um cabeçote largado na retífica, que funcionou quase que 100% bem e sem nenhum problema, mas quando o motor está em temperatura normal de funcionamento as vezes faz algum barulho.

Ou seja, em breve tratar de abrir o cabeçote de novo, tirar o comando, trocar o variador e vamos nessa. Lembrando que o correto seria ter comprado um variador de fase novo, original, mas como além de ser difícil de achar é impagável, corremos o risco e fomos no usado. Deu meio ruim, mas a diferença gasta anima a tentar novamente.

Mas abrir e trocar o variador ou eventualmente um comando todo é mais um trabalho para ser feito com calma e paciência por um velhinho que curte muito essa bagunça toda. Aliás, até relembrando o mesmo fato ocorreu com o 145 QV, que estava com o variador ruim, arriscmos um reparo no variador e ficou barulhento, uma troca posterior resolveu sem muita guerra. Já o cambio eu peguei o que veio no 155 bianco. Toquei a quinta 37/35 por outra 37/31 e instalamos no carro.

Coisa linda, estava perfeito e funcionou exatamente como deveria. De novo uma apostinha básica aqui, eu não tinha dirigido nunca o 155 bianco nem sabia como estava, pusemos assim mesmo, pagamos para ver e estava bom. Que ótimo. Como o 145 tem pneus 195/55R15, ficamos sem milagres aqui também, tudo como planejado e a 3.000 rpm em quinta está raspando 120 km/h. Claro que ele não se mexe nem com a desenvoltura e menos ainda com a alegria dos 2.0, mas chamar o carro de lerdo ou ruim de dirigir seria uma injustiça cruel.

O 1.8 é bem liso, a injeção e o sistema de ignição é o mesmo dos 2.0, tem dupla alumagem de mentirinha como os 2.0, usa a mesma roda fônica dos 2.0 e isso é importante de se ressaltar na medida em que se alguém precisar trocar um virabrequim num Alfa 1.8 ele é o mesmo dos Marea, mas se faz necessário mudar a roda fônica, que no Marea com a injeção Hitachi é totalmente diferente dos Twin Spark com Bosch Motronic. O carro vai muito fácil até 120, cruza a 140 bem mas depois disso já se nota nitidamente que o 2.0 é muito mais adequado a ele. Não frustra, não irrita, não decepciona nem um pouco. Só não é tão legal quanto os 2.0.

Um detalhe legal de comentar é que nos 145 QV e nos 155 Super o padrão são rodas de 15 polegadas de diâmetro, que permitem freios maiores. Os 145 Elegance como este 1.8 e os 155 Elegance vem com freios menores, discos de menor diâmetro e pinças igualmente menores. Desta forma, freiam com menos veemência que os QV e os Super, ainda que possam ter ou não ABS. No caso do meu 155 grigio tem ABS e neste 145 1.8 não temos ABS. Faz diferença no uso mais entusiástico, os freios traseiros nos sem ABS e com menos potencia nos freios dianteiros acabam travando as rodas traseiras com mais facilidade e dependendo da situação vem uma traseirada bem legal. Algo a se considerar no caso de uma aquisição onde usar com entusiasmo seja uma premissa básica inicial.

O carrinho também tinha um forte barulho na suspensão dianteira, e como íamos tirar fora o motor para uma retífica, descobrimos que o suporte do deslizante da homocinetica do lado direito do carro estava quebrado. É uma peça que além do eixo que sai do lado direito do câmbio também suporta o alternador, a direção hidráulica e esticador da correia de acessórios. É mais uma peça completamente diferente da usada nos motores 2.0, que tem outro alinhamento de acessórios pela presença dos balanceadores. Neste caso simplesmente usei uma tirada de um Brava HGT 1.8, que achei num ferro-velho em Sobradinho e que por acaso acabou doando muitas outras peças que inclusive ajudaram muito na reforma do Bravo HGT 2.0. No 145 comprei e aproveitei só o suporte, para o Bravo os dois paralamas dianteiros, o capô que era o original de um Marea turbo, um retrovisor e mais uma coisinha ou outra.

Como o vermelhinho estava feiosinho, foi passar uma temporada no Baiano e voltou bem mais bacaninha. Sem mossas, ferrugens e amassadinhos e com uma pintura novinha em folha ficou muito mais legal de se olhar para ele. Ainda faltam alguns ajustes finos, um melhor ajuste na tampa traseira e no parachoques dianteiro e uma revisão no ar-condicionado, mas mesmo assim está infinitamente mais legal do que no dia que chegou aqui.

O 145 veio com um jogo de rodas esportivas de liga leve aro 15, mas com o offset errado para o carro, que deixava ele bem estranho. Por acaso eu tinha sobrando um jogo de rodas do Tempra Stille do mesmo modelo que veio no 155 Super preto. Montei os pneus novos nessas rodas e o Alfinha ficou bem mais legal visualmente e dinamicamente também, já que essas tem o offset compatível com o carro.  E

ao começar a rodar com ele, no fim ainda achamos um amortecedor dianteiro seco, sem uma gota de óleo, que deixava ele bem estranho e por sorte ainda achei perdido numa loja um par de amortecedores dianteiros de Tipo, que são idênticos aos dos 145. Como era uma peça já antiga no estoque, acabou saindo bem em conta.

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Nesse rolo todo, o 155 Super ficou com o meu camarada do banco, mas como faltava acertar uma diferença de preço dele, acabei eu mesmo pagando uma diferença para ele e o 145 1.8 ficou como meu novo veiculo de uso diário.  Uma coisa legal é que o 1.8 com o câmbio mais longo dos 2.0 mesmo com a quinta 37/31 ficou bem agradável de estrada e de quebra veio um bom consumo. Tenho feito normalmente 11 km/litro, que entendo até legais para um carro com quase 140 cavalos e com um comportamento dinâmico bem aceitável. E com isso, mesmo eu tendo um outro 145 aqui, 2.0 não tem muita redundância, na medida em que este é um carro normal, econômico e bom de usar. Como neste meio tempo acabei me aposentando, ficou um carro bem legal de usar, viajar, se divertir sem quebrar a conta na hora de abastecer.

As finanças ficaram assim: o 155 foi comprado por R$ 6.000, incluindo documentos atrasados, o valor da compra em si e o guincho de Valparaíso para Brasilia. E de quebra o carro é emplacado aqui em Brasilia. Na retífica do motor, retoques de pintura, embreagem, suspensão dianteira, rodas originais, e um detalhe extra ou outro, a conta aumentou em mais R$ 8.000 e o carro ficou em R$ 14.000. Ainda temos detalhes menores, mas é isso.

O 145 veio por R$ 7.000, contando com a compra em si, mais transferência de propriedade, mais frete e um parabrisa novo, já que o que veio com ele estava quebrado. O banho de tinta ficou em R$ 3.000 e gastei mais R$ 1.000 em um jogo de pneus 195/55r15 e R$ 4.000 na mecânica, retífica completa do motor, mais peças, mais reparos de suspensão dianteira, mais a troca do câmbio e da quinta marcha além dos amortecedores, levando o total deste carrinho a salgados R$ 15.000. E ainda tem detalhes a fazer. Um tapinha no interior, no ar condicionado e no som. Nos dois sons aliás,  já que o escape está correto e sem furos ou vazamentos, mas bate na carroceira em algumas circunstancias e o som mesmo, na medida em que dirigir e curtir uma musica legal em um carro de uso normal é algo que não se deve perder!

Vale fazer os comentários financeiros para que fique bem claro que essas bagunças são muito legais, mas não são de forma alguma barata ou simples de se fazer. De novo faço aquele lembrete desagradável, mas plenamente verdadeiro, se você não gosta de gastar, não pode tolerar carros que quebram isso ou aquilo. Na boa: passe longe de Alfinhas, Mareas, Tempras Turbo etc. Por que neles isso é mais ou menos comum de acontecer. Aliás, neles e em muitos outros carros velhos, antigos, divertidos que fazem a alegria e trazem entusiasmo e diversão pura a muitos malucos entusiastas por aí, como este que vos escreve.

Abaixo, os dois juntos.

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Aí tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, mas realmente, mas realmente eu preferia que não aparecesse mais nada. Mas nunca é assim não é mesmo?

Continuamos o papo no próximo post. Até lá!

Por Alexandre Garcia, Project Cars #400

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