Project Cars #417: como decidi salvar um Citroën ZX 2.0 16v

André Lenz 10 janeiro, 2017 0
Project Cars #417: como decidi salvar um Citroën ZX 2.0 16v

Buenas,povo mac…, quer dizer, amantes de carros velhos e que dão dor de cabeça! Isso é doença que não se cura, é um vício que entra no sangue e não sai mais. É como se um dia eu resolvesse acordar e tivesse a escolha de me incomodar e de não me incomodar e deliberadamente eu escolho me incomodar. Todos os dias! Me chamo André, mas sou mais conhecido como Lenz. Moro em Joinville/SC e vou contar um pouco da minha história com veículos e falar sobre o meu vicio em drog… quer dizer, em carros antigos, e carros da década de 90, como meu Citroën ZX.

Minha história é marcada pela ferrugem no DNA, minha família por parte de pai sempre foi fã de carros antigos, desde a Aero Willys, Veraneio, Dodge Fargo e por ai vai. Se juntássemos todo mundo com seus carros velhos daria um encontro tranquilamente. Consigo contar uns 20 carros facilmente, dai já dá pra imaginar que meu gosto não seria muito diferente. Enquanto todos meus amigos sonhavam como primeiro carro um Fiat Tipo, VW Gol, Fiat Uno etc, meu sonho de primeiro carro era um Fusca. Quando eu digo sonho aqui neste ponto, não é sonho de carro impossível tipo Ferrari, eu digo sonho possível de ser realizado, o sonho impossível de época eu conto já já.

Meu primeiro carro foi a realização de um sonho. Com a ajuda da minha mãe consegui comprar um Fusca 1972 1500. O carro estava recém pintado e o motor estava bonzinho, ele dava umas falhadas no motor que logo depois descobri que eram causadas por duas velas de Gol e duas de Fusca. Depois de uma revisão o carro ficou show. Esse carro teve muitas caras — sempre estava mexendo alguma coisa nele, foi meu companheiro diário por um longo período. Fiquei com este carro mais de 10 anos, e foi o carro que tive por mais tempo. Aposentei o Fusquinha depois que comprei um Uninho para usar no dia-a-dia, e ele chegou a ficar dois anos parado sem uso em uma garagem, até que chegou um momento em que eu tinha que decidir se arrumaria o Fusca e partiria para uma restauração ou se venderia o Billy, nome carinhoso que ele recebeu.

Passei alguns meses pensando no que fazer, e depois de fazer muitas contas e refletir em valores financeiros e sentimentais decidi vender o bichinho, mesmo porque eu estava namorando com possibilidades de casamento e gastar dinheiro em uma restauração não seria o ideal para o momento, pois todo mundo sabe a grana violenta que a gente gasta. Recusei propostas de alguns aventureiros para comprar o carro, até que achei o dono ideal. O comprador foi indicado por um amigo meu que garantiu que o bichinho iria ficar bem cuidado, sou assim, se ver que não vai dar valor eu não vendo mesmo, pode ser pelo dinheiro que for. Hoje o Billy foi completamente restaurado pelo dono que tem cuidado muito bem dele até hoje, inclusive mantém o mesmo nome, mas trocou a cor do bichão. Abaixo algumas fotos do Billy até chegar a glória da restauração.

Fora o Fusca, eu nunca tive muita paciência para carros. Sempre troquei muito de carro. Canso muito rápido e me desapego mesmo sem dó. Nesses 18 anos de carteira eu já tive além do Fusca um Uno SX, Chevette tubarão, um Fusca azul e um Fusca vermelho que desmontei para de dois fazer um só, Versailles, Polo Classic, Passat B5 Turbo, Ranger, Gol quadrado, Seat Cordoba, Kombi 1976, Citroën C4, Mille Fire, Honda Fit, Renault Sandero, Parati quadrada, Fusca Rat e motos Honda Biz, Twister e CG 150. Atualmente ando diariamente com um Palio com motor Evo e tenho além do ZX mais um brinquedinho que já vou mencionar. Isso sem falar os carros da minha esposa.

Agora chega de blá blá blá e vamos falar sobre o Citroën. Há pouco mencionei sobre sonho possível de ser realizado, aquele que a gente tem pelo menos condição de realizar, mas desta vez o sonho em questão é um daqueles que a gente não consegue realizar, não digo hoje, mas vamos voltar ao ano de 1995.

Quando eu era adolescente em 1995, aos 15 anos, e como todos que frequentam o FlatOut, sempre piramos muito nos carros nesta época da nossa vida. Lembro que eu ligava para as montadoras pedindo informações sobre os veículos e eles mandavam folhetos para minha casa, cada vez que chegava alguma coisa era uma festa. Eu frequentava com meu pai ou com amigos a feira do Pacaembu de carros antigos, nesta época eu morava em São Paulo. Meus sonhos impossíveis de carro eram nesta época um Porsche 911 da década de 70, carro que sou apaixonado até hoje, um Maverick (sonho que abandonei) e um Citroën ZX.

A essa altura o caro leitor com menos de 20 anos deve pensar: um Citroën ZX? Sim serumaninho, isso mesmo. Esse carro na época era o top da balada. Estamos falando num período em que as importações tinham acabado de ser liberadas, e quem viveu essa época pirou com tanta novidade. BMW, Volvo, Mercedes, até Lada o brasileiro quis comprar. Nunca tínhamos visto tanta tecnologia e tanta beleza, pois estávamos acostumados com o mesmo feijão com arroz nacional, e ver estes carros era o máximo. Lembro de passar na avenida JK em São Paulo e sempre ver um Citroen ZX exposto na concessionária que existia ali. Na época ele deveria custar em valores de hoje cerca de R$ 90.000. Só ricaço tinha, então era um sonho impossível, mas era meu sonho. Entrei uma vez em uma concessionária  e peguei um folder que guardo até hoje do carro.

Com o passar dos anos eu sempre namorava esse carro. Quando começou Buscapé, OLX e Mercado Livre eu sempre zapeava nas buscas entre outros carros aleatórios o nome Citroën ZX. Costumo ficar nos sites de classificados procurando carros que nem vou comprar? Isso já responde tudo. Só sei que sempre me peguei pesquisando esse carro, eu olhava nos sites e pensava no dia que eu poderia ter um destes, admirava suas linhas quadradas, a carenagem em volta do carro todo para cobrir as rodas, e que rodas viu? Um daqueles raros casos que trocar a roda original estraga o carro. Enfim, nunca tirei da cabeça esse sonho.

Até que no inicio de 2016 eu fiz uma transação muito top, vendi o carro da minha mulher, comprei um outro bem barato e do mesmo ano e mais top e lucrei uns trocos com isso. Então minha musa inspiradora, mãe das minhas lindas filhas, salve salve rainha do meu universo me autorizou a ficar com este dinheiro e investir em alguma coisa que eu gostasse, algo só pra mim, pra quem é casado sabe que o que se ganha junto se gasta junto ou se toma a decisão junto, pelo menos lá em casa é assim, e uma autorização dessas é um carta incrível de auforria. Lógico que o meu  primeiro pensamento foi na maldade.

Em casa sempre tivemos o carro da patroa, o meu carro de uso diário e um carro para fazer rolo e ganhar uns trocos e aproveitar as vezes no final de semana, esse carro dos trocos sempre é algo que surge nas negociações, como eu coloco os anúncios, os rolos vão surgindo e não dá muito pra escolher porque o que vale é ganhar dinheiro. Atualmente o carro dos trocos é outra dorga forte que chega a ser um brinquedo. Surgiu nos rolos um Citroën Xsara VTS que pra ser perfeito só faltava ter o motor 2.0 de 167 cv, mas é um 1.8 em um estado sem igual. Não vou perder tempo falando do carro, mas eu fiz uma sequência de sete vídeos  e quem se interessar pode acompanhar desde o primeiro aqui.

Mas voltando, além de toda essa bagunça, eu ganhei autorização para comprar o que eu quisesse, e lógico que fui atrás de um Citroën ZX. Não qualquer modelo, e sim um cupê. Pra quem não conhece o carro, ele não é um astra e sim uma jóia francesa de inovação e tecnologia que possuía a versão Furio com duas portas, o Paris com quatro portas e geralmente com cambio automático e a versão Coupé com bodykit esportivo. A motorização era uma zona, para o mesmo modelo de carro tinha o modelo 1.8 8 válvulas, 2.0 8 válvulas, 1.9 8 válvulas, 2.0 16 válvulas com 155cv, um 2.0 16 válvulas com 167 cv e no final de sua vida um 1.8 16 válvulas igual ao do Xsara.

Com o dinheiro na mão busquei nos classificados, e de cada 20 que encontramos por lá somente 1 é a versão Coupé, e a maioria está destruída e com várias peças faltando, e isso é um problema, até que depois de procurar e procurar encontrei alguns possíveis candidatos. Encontrei um em São Paulo que pelas fotos parecia estar bem completo, conversei com o vendedor que pedia 5500 eu acho pelo carro, estava com um preço justo, ele me mandou algumas informações e pedi pro meu pai que mora em São Paulo ir ver o carro.

Meu pai não manja muito de carro e quando perguntei pra ele como estava o carro ele me disse, andando. Não ajudou muito, mas pelo telefone fui perguntando pra ele alguns detalhes, como se faróis auxiliares estavam quebrados, se estava faltando alguma parte do kit esportivo, se o teto solar estava funcionando entre outros problemas que de antemão já havia pesquisado e que poderiam ser uma futura dor de cabeça. Meu pai disse que o carro em si estava completo mas me reportou alguns problemas. Ele foi embora e depois continuei a negociação com o vendedor. Fechei o negócio no hospital um dia depois do nascimento da minha filha, no corredor da sala de espera. Mandei a real, disse que o carro tinha alguns problemas e joguei R$ 3.500 nele, e ele me fez uma contraproposta de R$ 4.000 com os documentos em dia. Fechei o negócio pensando que até que enfim eu teria o meu ZX para dar umas bandas e curtir.

Mal sabia eu….

No dia combinado meu pai se encontrou com o vendedor no cartório e eu transferi via TED o dinheiro pra ele do hospital mesmo. Meu pai pegou o recibo assinado e levou o carro embora, no caminho já apresentou o primeiro problema, superaquecimento. Ele me ligou e na hora já fiquei puto, porque o vendedor disse que o motor estava tudo certo e que o carro não tinha problema. Meu pai fez três paradas para repor água até chegar em casa. Dai ficou aquela dúvida: mando o carro de guincho ou meu pai arrisca trazer o carro para SC? Quando fui ver o transporte quase caí de costas: era quase o valor que paguei no carro, e trazendo o carro meu pai ainda iria aproveitar para conhecer a minha filha que havia acabado de nascer. Desta forma decidimos arriscar. Ele até tentou passar em um mecânico para ver o que seria o superaquecimento mas o mecânico nunca tinha mexido num carro desses, igual 99,7% dos mecânicos do Brasil. Ninguém nunca mexeu num carro desses, e ele disse que era só ele viajar com uma garrafinha de água que estava tudo certo.

Meu pai acordou cedo, pegou o carro e veio em direção a Joinville, depois de três horas ele me ligou. Tremi na base e me arrepiei todo na hora, o que eu mais temia aconteceu: o carro morreu de vez e teve que vir o resto do trajeto de guincho para SC, pelo menos já estava na metade do caminho.

O resto da história? Aguarde cenas do próximo capitulo!

foto final

Por André Lenz, Project Cars #417

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