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Project Cars Project Cars #417

Project Cars #417: transformando quatro Citroën ZX em um só

Bom, chegamos ao terceiro capítulo dessa história, e não será o último, pois ainda tem muita água pra rolar debaixo dessa ponte. Prepare-se porque este post será longo e terá vários vídeos. Pega a pipoca e senta, que lá vem história!

Continuando a saga, eu tinha parado na espera da chegada do carros em SC. Consegui arranjar um caminhão que trouxe os dois pra cá. Como era um caminhão de carga, tive que arranjar um guincho para colocar eles em cima e depois tirar aqui em casa. Fiz um videozinho da chegada e vou dizer que estava feliz pacas.

Fiquei pensando o que a galera que passava por esse caminhão na rodovia pensava ao ver estes dois carros em cima? “Pra onde estão levando estes Astras?”

Aqui tem mais detalhes do carro vermelho, o grande doador, já parado na frente de casa.

Com a chegada do carro vermelho, tirei o domingo para retirar as peças que estavam dentro dele e começar a guardar tudo aqui no corredor de casa, fora que tinha que dar uma limpada para levar o carro ao mecânico para tirar o motor. Depois da limpeza o carro estava pronto pra cirurgia. Neste vídeo você tem uma ideia de tudo que tinha dentro do carro, impressionante, o que na verdade me poupou um baita trabalho, desmontar e tal. Como o carro estava sem bancos, coloquei um banquinho no lado do motorista e minha mulher foi me puxando com meu carro até o mecânico, aquele mesmo que havia enrolado pra ir comigo no desmanche. Não lembra da história? Corre lá no post 1 e no post 2 e dá uma relembrada.

Neste vídeo o carro está do jeito que foi ao mecânico.

Deixei o carro lá e combinamos de ele tirar o motor. Assim que retirasse iria me ligar para levar o prata e colocar o motor nele. Beleza, isso era em outubro, então pensei que até o final do ano esse carro estará rodando alegre e contente. Mas a vida é uma caixinha de surpresas. Passou uma semana, passou duas semanas, passou três semanas, passou quatro semanas e nada, daí já comecei a ficar meio assim. Então vendi uma peça, e para isso iria retirar a que estava no carro vermelho, seria um retrovisor, aproveitei a desculpa pra dar uma olhada no carro e ver o progresso. Eu sou meio assim, minha vida é uma correria do cão durante a semana, meu trabalho me consome, de noite é pós, daí não tenho o costume de ficar enchendo o saco das pessoas, tipo lembrando de seis em seis meses pra trocar a lâmpada do corredor. Então prefiro confiar nas pessoas e na palavra delas, se ele não me ligou tinha seus motivos.

Cheguei na oficina e falei que iria tirar uma peça que havia vendido e sem eu falar nada o mecânico me disse que estava muito ocupado e que tinha atrasado muito o serviço mas que o motor já estava retirado do carro e num canto da oficina, pensei, menos mal, pois quando cheguei na oficina o carro estava na mesma posição e achei que ele nem tinha mexido em nada. Aproveitei para retirar o capô do carro vermelho, pois o do prata tinha reparos e eu queria um capô integro. Retirei, coloquei tudo no carro e parti.

 

Sai de lá com o retrovisor na mão e com a promessa de que assim que vagasse um tempo ele me avisaria para levar o carro prata lá.

Neste meio tempo fui fazendo algumas coisas em casa. Decidi restaurar algumas peças, como retrovisor, farol de milha, proteção plástica da ventoinha etc, também aproveitei e comprei algumas coisas que eu estava precisando para o carro. As forrações de porta por exemplo estavam com o couro enrugado, isso acontece muito com carros que ficam sem proteção de uma garagem por exemplo. E como eu sei disso? Fácil, fui pesquisar no Google Street view o endereço de registro do carro e encontrei ele diversas vezes flagrado na rua.

Fiz as contas de quanto eu pagaria para revestir novamente o couro das forrações de porta? Quanto eu pagaria para comprar duas em ótimo estado de outro carro? Então decidi comprar as forrações de um rapaz do grupo. Fazer novas não seria uma opção, porque o couro iria ficar diferente, fora que desmontar daquela chapa de madeira com certeza deixaria imperfeições ou se soltaria com o tempo. Não consegui aproveitar nenhuma dos carros doadores porque as dos ZX furio são revestidas com tecido e a do vermelho que seria igual ao do meu carro estavam em péssimas condições.

Com um pouco de paciência e pequenos materiais você consegue fazer muita coisa em casa, por exemplo o farol de milha, peguei em um estado deplorável e deixei ele top. Fiz até um  vídeo pra mostrar a diferença.

Retrovisor também desmontei para arrumar o suporte e até aconteceu algo interessante, descobri que ele vem preparado para a opção de desembaçar, mas no Brasil nenhum veio com a fiação ligada, interessante né?

Também troquei o difusor central de ar, isso é um problema crônico do zx, principalmente em carros que ficam no tempo, os plásticos dos difusores ficam quebradiços com o tempo. Isso não é um problema só do ZX, Xsara também é assim, a moldura central quebra com facilidade, você já descobre se um carro fica ou ficou muito no tempo só vendo a parte interna. Aqui fiz um vídeo pra auxiliar a galera do grupo a trocar esse difusor central que é meio pé no saco e se não fizer direito pode quebrar mais ainda e até quebrar a moldura como um todo.

Gosto de mexer demais nessas coisas, tenho um prazer tremendo em pegar algo com defeito e arrumar, a minha satisfação em ter restaurado os faróis de milha foi algo enaltecedor. Tu se sente bem, fora que é relaxante, esse tipo de prazer só um carro velho pode te dar.

Outra peça que tem problema crônico e é muito procurada é a moldura do painel de instrumentos, de 10 ZX 9 quebram no mesmo lugar, o canto esquerdo, com certeza isso é alguma falha de injeção do plástico, ou algum tipo de defeito no molde que fez com que a maioria das peças saísse com esse defeito. Como encontrar uma nova estava difícil, acredite, de quatro carros que eu tinha nenhum estava com ela intacta, eu parti para a restauração mesmo, fui até uma loja de tintas e o cara me mostrou um produto top das galáxias para restaurar a peça, segue aqui um vídeo que fiz a respeito:

Comprei um jogo de rodas Tsuya por impulso, rodaram menos de 600 km e a intenção era deixar o carro assim:

Iria pintar elas de preto como no carro branco, mas acabei decidindo deixar as originais mesmo, como tenho dois jogos de rodas originais, um acho que vou pintar de preto e vou acabar usando os dois jogos originais mesmo, então se alguém quiser comprar estamos ai, menos de 600 km rodados, conjunto zerado zerado, mais de 4000 em roda e pneu com preço de desapego.

Encontrei essa foto do carro igual ao meu com as rodas pretas e gostei da brincadeira, então vou manter um jogo original prata momo e outro jogo preto como abaixo:

Mas então no meio do caminho algo começou a me perturbar e quase fez eu botar fogo nessa desgraça, rs. Eu já sabia que o carro tinha tomado aquela encostada de frente, tanto é que a compra do primeiro doador foi motivada por isso, mas então comecei a analisar a porta do carro e outras peças e o alinhamento estava me incomodando.

Como o mecânico estava enrolando pra pedir o carro pra colocar o motor do vermelho, eu decidi ver do que se tratava esse alinhamento. Numa primeira análise eu olhei o carro e vi uma massa muito espessa na parte das colunas da suspenção, ali em cima aonde tem o coxim do amortecedor, como achei estranho, pensei que o carro pudesse ter tomado uma batida tão forte de frente que teria tido a frente retirada e emendada uma outra e aquela sobra seria uma massa para esconder a solda.

Nessa hora minha casa caiu, fiquei puto, se realmente isso tivesse acontecido eu iria desistir do carro e ia desmontar tudo, pois não iria restaurar um carro que tivesse tomado uma paulada de frente, ainda mais com um motor de 155 cv nele, não seria nem um pouco seguro.

Chamei então uns três latoeiros aqui em casa para ver o carro e fazer um orçamento. Dois olharam por cima e não sabia direito o que poderia ter acontecido, já um deles se interessou muito pelo caso e no estilo CSI reconstruímos todo o histórico do acidente.

Aquelas “massa” na coluna da suspensão veio grotesca assim de fábrica, coisa horrível, mas o latoeiro das antigas garantiu que era assim, mesmo porque a frente do carro não tinha aparente solda, inclusive no lado do passageiro tem o número do chassi aplicado nesta asa da frente por assim dizer, e este número está intacto ali, sem nenhum tipo de amassado ou sinal de desamassado, mas então o que aconteceu?

Na real chegamos a conclusão que em algum momento o cara se perdeu com o carro e subiu algum meio fio, isso explica a parte inferior do pára-choque estar destruída e com vários remendos, explica a rachadura na grade, uma rachadura no suporte das ventoinhas e o ralado na parte inferior do cárter. Então toda a parte de lata como para lamas, a estrutura do cofre em si não sofreu danos, mas acontece que o carro montou na guia e acabou parando na coluna a, bem no bico embaixo, o resultado disso foi um leve amassado na ponta das duas colunas e fez as portas desalinharem , ou seja, não foi tão grave como pensei, então orçamento nas mãos mandei para o latoeiro alinha tudo e voltar os amassadinhos nas colunas A e colocar ela no lugar, deixando assim o alinhamento perfeito.

Fiz um vídeo explicando o processo todo:

Combinei com o latoeiro que além de arrumar os amassados ele iria tirar o motor do carro pra mim, isso me pouparia custos no mecânico e agilizaria o processo todo de colocação do outro motor. Então o improvável aconteceu, o mecânico me manda uma mensagem dizendo pra trazer o carro para colocar o motor, bem na semana que foi pra lata, e isso já tinha passado umas duas semanas da visita que eu tinha feito lá, daí expliquei pra ele que como ele não havia se manifestado o carro tinha ido para o latoeiro e assim que chegasse eu levaria lá.

Na lata foi rápido, o mecânico da oficina só reclamou que motor de gol ele tira em duas horas se aquele ele levou quase seis pra tirar, mas como o preço já tinha sido combinado antes ele manteve a palavra e busquei o carro sem motor e depois meu amigo João foi comigo de Saveiro buscar o motor. Valeu, João! A caçamba dele ficou cheia de óleo mais eu paguei a lavagem depois.

Chegando em casa liguei pro mecânico e disse que o carro estava disponível, daí ele me disse que como eu tinha mandado para o latoeiro, agora ele não teria tempo de fazer, porque já estávamos no meio de novembro e a temporada pra revisão de férias ia começar agora e só em janeiro pra mexer no meu carro. Daí nessa hora eu pensei, mas que **%*&$! Que #$%ˆ(@! Não fui eu que demorei! Fiquei no veneno e combinei de buscar o carro vermelho na oficina.

Cheguei lá final da tarde e o motor estava no porta malas do vermelho, trouxe pra casa, mandei mensagem pro mecânico perguntando quanto ficou o serviço. Fiz uma transferência via celular e pensei: Quer saber? Vou montar essa budega em casa mesmo.

E agora?

foto final

Por André Lenz, Project Cars #417

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