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Project Cars Project Cars #498

Project Cars #498: a história da Valdirene, minha Kombi 1965

Bună ziua! Primeiramente meu muito obrigado ao Flatout! por mais esta oportunidade de contar a vocês alguns causos, ideias, dificuldades e aprendizados no Project Cars. Obrigado, FlatOut pela escolha da Valdirene como o PC#490.

 

Uma breve apresentação para colocar as coisas no lugar: Meu nome é Max Loeffler, já tive a oportunidade de escrever um PC no Flatout: o PC#333, The Half Devil, o Gol meio besta com um sistema turbo “invertido”. Para referência, sou também irmão do Gus, autor de alguns PCs por aqui (PC#43, PC#200 e PC#489) e do Bruno, artista gráfico e colaborador assíduo dos PCs da família, além de ser dono de dois Peugeot dignos de se inscrever no F.O.

Bom, vamos lá, estou aqui desta vez para contar a história da Valdirene, uma Kombi ’65 que entrou na minha vida meio que por acaso. A história desta Kombi não existiria sem a ajuda do meu pai, do meu amigo-irmão Marcio “Mezenga”, de uma proposta de compra recusada e obviamente da minha mãe. Explico.

Antes de pensar em ter uma Kombi, existiu na familia Loeffler um Fusca ’67, adquirido com meu pai em 2006 por R$5.500,00; o Kilt. Esta compra foi inicialmente escondida da minha mãe pois na residência dos Loeffler (onde eu ainda morava) já contávamos com mais carros do que pernas na família. Este Fusca mais tarde foi aceito e adotado pela mãe e foi razão de algumas viagens em família até Blumenau, com meus pais nos acompanhando, mas de carro moderno.

Foi numa destas viagens que conhecemos a Kombi do Mezenga, mais precisamente em 2009. Foi amor a primeira vista. Foi uma das primeiras corujinhas do encontro de Blumenau e ela havia recém sido montada pelo Mezenga.

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Kilt e Valdirene se conhecem

Nesta ocasião meu pai a fotografou de diversos ângulos – acho que foi o carro mais fotografado por ele na ocasião. Foi no ano seguinte a este encontro que meu pai faleceu e eu acabei herdando o Fusca que compramos juntos.

Bom, passado um tempo, fiquei amigo de um casal de franceses, do trabalho, que eram apaixonados por kombi e queriam comprar uma aqui no Brasil e levar pra Europa – antes de toda esta febre de exportações. Os convidei então para o encontro de Fuscas e derivados de Curitiba, em janeiro de 2013, ainda realizado na PUC, e os apresentei ao Mezenga, perguntando se ele tinha interesse em vender a Kombi. Felizmente a resposta na época foi negativa e a Kombi permaneceu por aqui.

Vida seguiu até uma ligação do Mezenga em Janeiro de 2014, me perguntando se eu tinha interesse em comprar a Kombi, pois ele estava se desfazendo de uma boa parte da coleção de carros. Respondi que sim, tinha interesse obviamente, mas que precisaríamos acertar os detalhes, pois venderia o Fusca para pagar parte da Kombi e acertar a diferença. Foi ai que entrou a mãe e o fator emocional na jogada. O fusca tinha sido comprado com o meu pai e ele gostava do carro, viajamos juntos por conta deste carro, fizemos passeios, existia uma história; minha mãe não estava aceitando a troca. Conversamos algumas vezes sobre o porquê de me desfazer do Fusca, obviamente com a ajuda do Gus e do Bruno, e ela acabou aceitando. Um fator que ajudou a convence-la foi a quantidade de fotos tiradas pelo meu pai em 2009, sinal de que ele tinha gostado muito do carro e que, se vivo estivesse, aceitaria e aprovaria a troca. E para concluir, que os passeios de kombi levariam a família inteira.

Após este “acordo” familiar, fechamos um negócio de irmãos; o Mezenga pegou meu fusca na troca, por um valor amigável e fechamos o valor de diferença, parcelado em poucas vezes. O valor da Kombi, em Janeiro de 2014: R$20,000,00. Neste dia rolou até “textão’ de despedida do Kilt no FB (que você pode ler aqui).

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Kilt indo embora

A Kombi veio com as rodas originais, pneus de perfil mais baixo e, no lugar do motor 1200 original veio com um motor 1600 torque injetado e elétrica completa de uma Kombi 2005, com alarme e tudo – já montado desde 2009. Além disso, ela tinha sabidamente um problema na caixa de marchas – caixa com redução ainda, vazamentos, sincronizados, ré que não entrava – e freio de mão inoperante. Pra completar o pacote, tínhamos que buscá-la em Balneário Camboriú.

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Não preciso dizer que esta foi a parte divertida do inicio da nossa relação. Em um sábado, desci com meu carro e subi acompanhando-a pela estrada, pois o risco de pane na transmissão era grande. Mas ela chegou!

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Valdirene fazendo amigos

Antes do Mezenga ir embora, eu precisava batizá-la e teria que ser um nome que tivesse também relação com o Mezenga. Foi batizada Valdirene; e os detalhes sórdidos desta escolha não podem ser revelados neste horário.

Com o carro em casa, a vontade de dar a primeira volta era enorme, mas acabei deixando isso só pro domingo pois não soube fazer ligar o carro devido a um pequeno segredo no comutador.

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No grande dia da minha primeira volta, eu parecia um adolescente. Existem coisas que te marcam na vida e a experiência de dirigir uma Kombi é uma delas. E o nome de mulher (comum a maioria das Kombi) não poderia ser mais apropriado. Você tá ali, primeira vez, tentando se ajeitar, sem saber direito como tudo funciona, como usar as mãos, nervoso, suando, sem saber a medida da força para manuseá-la sem machucar… mas, depois dos primeiros minutos, feliz e orgulhoso de conseguir fazer aquilo tudo sozinho com ela te respondendo a contento! Tudo o que posso dizer é que é uma experiência única e inesquecível!

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Foi assim então que a Valdirene chegou entrou na minha vida. Os primeiros perrengues, viagens e outras tretas, contarei no próximo post!

Abraço a todos!

Por Max Loeffler, Project Cars #498

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