Project Cars #506: a conversão do meu Mercedes-Benz C280 em um C36 AMG

Waldyr Filho 17 novembro, 2018 0
Project Cars #506: a conversão do meu Mercedes-Benz C280 em um C36 AMG

Olá Flatouters, me chamo Waldyr, tenho 25 anos e compartilharei com vocês o processo de restauração de minha Mercedes C280 Sport 1995. Espero que gostem e que na medida do possível os textos sirvam de inspiração e ao mesmo tempo de precauções que devem ser tomadas para aqueles que desejam se aventurar.

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Minha relação com carros começa desde muito cedo, tão cedo que nem consigo me lembrar direito. Meu avô, pais, tio, irmão, todos sempre foram aficionados por carros e felizmente tive a oportunidade de ver alguns modelos raros passarem pela garagem de casa. 

Como toda criança que sonha com seus 18 anos, a carteira de motorista e todo o tipo de carro, minha realidade se restringia até então aos carrinhos em escala 1:64 da HotWheels e Matchbox, coleção esta que mantenho até hoje e continuará sempre crescendo. 

Meu primeiro carro foi uma Alfa Romeo 156 TS ano 2000, que me acompanhou em muitas aventuras e apertos também durante 3 anos (2013 – 2016). A Alfa foi uma escola, descobri as limitações tanto dela quanto as minhas. Era extremamente divertido dirigi-la, apesar disso, a vontade de ter outros carros era grande, o que por sua vez me fez vendê-la para um colecionador do Paraná com quem encontra-se até hoje.

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O ano de 2015 não começou bem e na madrugada de 1 de janeiro meu avô veio a falecer. Com a venda da Alfa em 2016, acabei ficando sem um carro, foi aí que resolvi dar uma geral no último carro que meu avô havia guiado: Chevrolet Calibra 1995.

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O Calibra é um carro espetacular em todos os sentidos, baixa manutenção com preços de peças extremamente acessíveis, dirigibilidade incrível em conjunto com um motor 2.0 de 150 cavalos e câmbio manual de 5 marchas. Ainda assim, faltava alguma coisa.

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Voltando um pouco no tempo, lá para 2006/2007 não me lembro exatamente, meu pai havia comprado um Mercedes C280 Sport 1995, sinceramente até aí não havia nada de mais nessa história, era um carro legal, é claro, mas sejamos sinceros existiam e existem muitos W202 no Brasil. Eis então que meu pai chegou em casa em um dia por volta das 17:00 e ligou para que nós (eu, meu irmão e minha mãe) fossemos até o portão de casa. 

Chegando lá, meu pai estava chorando igual uma criancinha e ele tinha um bom motivo para isso, estava lá o carro que ficou apelidado como “Melancia”. O apelido carinhoso se deu ao fato de ela ser extremamente discreta: vermelha, rodas aro 17 e rebaixada.

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Uma curiosidade em relação à cor do carro: vieram somente 8 unidades nesta cor da carroceria W202 das quais hoje se tem notícia de apenas quatro ainda em funcionamento.

Memórias nesse carro não faltam, desde simples idas ao colégio, encontros de carros e algumas pequenas viagens, fizeram com que ela nunca saísse de minha cabeça.

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Como toda família, a nossa passou por altos e baixos os quais fizeram com que meu pai acabasse guardando a Mercedes em um galpão pois não tinha mais condições de mantê-la.

Voltando para 2016, depois de muito insistir e atazanar a paciência de meu pai, ele me deu a Mercedes e é aí que começamos de fato esta história! Apertem os cintos, segurem as lágrimas e preparem seus bolsos pois o poço de gastos sem fim havia sido aberto.

No segundo semestre de 2016, fui visitar o carro para ver no que eu havia me metido, logo de cara um susto: Durante uma reforma no galpão ao lado de onde o carro estava guardado, derrubaram cal, sim, eu disse CAL DE CONSTRUÇÃO! O Resultado? A pintura inteira queimou, fazendo com que o carro tivesse que receber um banho de tinta.

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Passei a pesquisar quais os materiais apropriados para que tudo ficasse perfeito. A título de curiosidade, para este serviço comprei tintas e verniz da Glasurit.

Teve início então a saga com o funileiro…. Já havia feito outros serviços com ele e aparentemente era um profissional competente e de confiança… O desenrolar deste texto provará que eu estava miseravelmente enganado e isso iria me custar caro… muito caro.

Enquanto o carro passava por este serviço, um dia, lá estava eu olhando a OLX quando por acaso, realmente por acaso, encontro um anúncio “Sucata Mercedes C36 AMG”. Curioso fui olhar. Nem preciso dizer que isto me rendeu algumas noites sem dormir e alguns telefonemas desesperados para minha noiva e meu pai.

Bem, o motor havia ido para outra dimensão por conta de mal funcionamento da bomba d`água, entretanto, o carro ainda estava com o bodykit completo que inclui: para-choques e saia lateral exclusivos do modelo AMG.

Acredita-se que tenham vindo menos de 20 C36 AMG para o Brasil o que tornava o kit um tanto quanto raro. Se você não conhece a história deste modelo, pesquise na internet para conhecer o primeiro modelo feito com a AMG como parceira oficial da Mercedes-Benz.

Entrei em contato com o vendedor, a princípio muito simpático, Claiton me contou a história do carro e eu a da Melancia. Logo acabei comprando o kit e alguns outros acessórios que também eram exclusivos do modelo: volante, manopla de câmbio e painel de instrumentos.

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Assim que os para-choques chegaram em São Paulo, vindos de Erechim no Rio Grande do Sul, levei-os para o funileiro.

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O tempo foi passando e acabei me tornando amigo do Claiton, que também tinha uma W202 e nela estavam instalados o escapamento com ponteiras quadradas e o jogo de rodas Monoblock Aero II aro 17 com duas talas: 7,5 na dianteira e 8,5 na traseira.

Conversa vai, conversa vem e depois de muita in$i$tência e per$ua$ão consegui convencê-lo a remover os dois itens de seu carro. Mas eu não estava satisfeito, eu queria mais, eu queria uma capa que vai no motor com a plaqueta AMG, e sim ele tinha esta peça, mas se negava a vender pois queria vendê-la juntamente do cabeçote da C36 o qual não teria uso para mim.

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Algumas semanas depois, chegaram os itens e junto com eles uma grande surpresa. Em um bilhete preso em uma peça muito bem embalada os dizeres: “Sempre disse que não venderia essa peça. Não vendo. Dou de presente para o amigo! Abraço, Claiton”.

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Esse não foi o único amigo que fiz durante essa jornada com a Mercedes, graças a OLX e um jogo de tapetes de R$100 acabei ganhando uma amizade para a vida toda. Após contar a minha história para o Sérgio Trivellato, descobri que seu falecido pai também havia tido uma W202 e que ele havia ficado com o carro por algum tempo e por conta de espaço acabou vendendo. Logo ele tinha algumas peças sobrando que me seriam úteis.

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Se você nunca ouviu falar dele, pesquise sobre o carro fora de série brasileiro: Shark Trivellato.

Durante esse tempo, fiz diversas visitas ao funileiro e o progresso do carro ia de mal a pior e sempre a mesma conversa: “Semana que vem ta pronta!” “Já comecei” “Essa semana choveu aí complica” 

De semana em semana passaram-se quase 40 semanas… E com elas a minha paciência também passou e o que era a realização de um sonho estava se tornando um pesadelo.

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Mais ou menos 1 mês antes de o carro sair do funileiro, eu ia todo sábado e alguns domingos à oficina para limpar o interior do carro que estava deplorável de tanta sujeira. Até que um dia como se nada pudesse piorar reparei que haviam rasgado os meus bancos, que por sinal eram imaculados.

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A ponto de explodir e centenas de brigas depois, o carro saiu “pronto” do funileiro, abaixo listarei os itens que estavam pendentes:

– Montagem da porta traseira do lado do passageiro;

– Lixar o carro;

– Polir o carro;

– Diversas bolhas na pintura;

– Frisos das portas descascando;

– Inúmeras presilhas dos para-choques faltando, um total de 18 que custam R$25,00 cada;

– Bancos rasgados;

– Para-choques, saia lateral, lanternas, faróis, etc. desalinhados;

– Fiação do som que havia no carro, destruída;

– Diversas peças de acabamento quebradas;

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Poderia continuar listando, mas vamos em frente com a história.

Quase como um presente de natal em dezembro de 2017 o carro finalmente deixa a chacina digo, oficina de funilaria. Começaria então a revisão mecânica da Melancia.

Espero que tenham gostado do primeiro capítulo desta novela. Grande abraço!

Por Waldyr Filho, Project Cars #506

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