Projeto Fuskombi: hora de cortar a Kombi e juntar na traseira do Fusca

Eduardo Basques 9 junho, 2018 0
Projeto Fuskombi: hora de cortar a Kombi e juntar na traseira do Fusca

Prezados, terminamos a primeira parte do PC464 contando como achei a Kombi que iria pro picote. Chegando em casa que me dei conta que só possuía uma vaga e que essa era ocupada pelo Fusca.

 

Então coloquei um papel nela informando que estava em reforma e deixei na rua mesmo, até porque os documentos estavam em ordem. Ela trancava todas as portas, o freio estava bom e o freio de mão funcionava perfeitamente pra uma Kombi 1992. 

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Só que ainda assim não me sentia seguro e nenhum vizinho normal gosta de veículos em estado de abandono na sua rua… então comecei a correr atrás de algum funileiro que topasse a loucura!

A primeira pessoa que me veio na mente foi o Japa, proprietário da Nihon Auto Service, uma oficina de funilaria e pintura aqui em Belo Horizonte que havia realizado uns outros serviços pra mim anteriormente e acabou se tornando um amigo, principalmente pela paixão nas BMW, mas o foco da oficina não é esse tipo de customização. 

Mandei umas várias mensagens pro Japa até que ele aceitou vir olhar a Kombi e o Fusca e ver o que dava pra fazer. 

Nessa parte do texto acho válido destacar que as oficinas que as vagas nesse tipo de oficina significam dinheiro, portanto, o Japa abriria mão de ter um carro a mais em serviço para dedicar esporadicamente o seu funileiro, que se chama Agnaldo (falaremos dele várias vezes), trabalhando no Fuskombi nas horas vagas e eventuais finais de semana. Ou seja, para aceitar esse tipo de serviço, você não só abre mão de ter dinheiro, como precisa de ser mais um bobo apaixonado por carros, então para ilustrar o Japa, segue algumas fotos do carro dele e do que ele faz aos finais de semana:

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Azul do Japa, Amarela do Max (aquele mesmo do guincho que buscou o fusca em Cataguases)

Feita as apresentações, da pra perceber que ninguém é santo nessa história! Então passados alguns dias depois que o Japa olhou os ‘carros’, liguei pro Max de novo para que ele levasse a Kombi pra oficina. A ideia aqui era só cortar a Kombi, separar as partes que usaríamos no Fuskombi e o restante seria vendido / doado. Nesse dia estava acompanhado do Cabeça (proprietário de uma Brasilia, vulgo Lurdinha e de uma Kombi chamada XXXXX) que ficaria com a suspensão dianteira da Kombi e do Gabriel (proprietário de um Sandero RS e uma caravana 6cil turbo) que ficaria com a frente da Kombi (que possivelmente virará um bar, chamado de Kombar). Ou seja, não salva um. 

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Alguns devem ter visto essa foto, onde tentam ilustrar que o entre eixos do Fusca e da Kombi possuem a mesma distância. É mentira. 

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Paramos os dois lado a lado e fomos medindo com a trena pra ter uma noção maior do trabalho. A Kombi é pelo menos 40cm mais larga e 80cm mais comprida. Então os cortes seriam mais ou menos assim:

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Dessa forma teríamos várias partes da Kombi pra depois sabe-se lá quando soldar no Fusca, facilitando a forma de guardar as partes. Passam-se alguns dias e o Japa me manda uma mensagem: traz a serra sabre, algumas lâminas e separa o dia. Não pensei duas vezes e lá fomos nós:

Tentei fazer um time-lapse da desmontagem e corte da Kombi. Não tirei muitas fotos nesse dia e as poucas que tinha, acabei perdendo. Então tirei alguns prints do perfil no instagram que criei pra recordação do projeto (@fuskombi_br) (contém spoilers), peço desculpas. 

E aqui a Kombar esperando ser reformada pra ter alguma utilidade:

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Passam mais alguns dias, o Japa manda nova mensagem: “traz o Fusca”. Agora vem aquele momento de frio na espinha, de pensar que que eu to fazendo. Não durou 5 segundos, passou, a empolgação era maior. 

Agnaldo, o artesão, medindo onde o fusca seria cortado. 

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Chiqueirinho pra fora. Detalhe pra terra que ainda estava dentro do Fusca.

*** ATENÇÃO, CENAS FORTES ADIANTE ***

Bom, uma hora tinha que cortar o fusca né:

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Essa foto ilustra bem e acho que resolve a dúvida de muitos. O chassi do fusca não é alterado, motor e caixa permanecem no mesmo lugar, altera-se somente a carroceria, o que vai facilitar na hora de regularizar a alteração no CRLV do Fusca. Depois é só vir encaixando as peças da Kombi, refazer a caixa de roda e soldar, né? Basicamente sim, mas pensa num trampo difícil. 

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Peças do Fusca que viraram sucata.

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Agnaldo ao fundo pensando em fugir do país.

E começam os ajustes:

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Corte na horizontal bem no meio do ‘friso’ lateral da Kombi. Esse foi um dos motivos da escolha da Kombi furgão modelo ‘clipper’ não da vovozinha, como questionado. Quando cortamos esse friso na metade, ele fica bem próximo ao formato do fusca:

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É difícil escrever pra explicar o que quero dizer com esse corte do friso, então selecionei de laranja na ultima foto essa ‘quebrada’ que eu queria na traseira do Fuskombi, pra seguir as linhas originais do Fusca. Pra mim essa linha é essencial no desenho do carro, enquanto que na Kombi ela é como se fosse um semicírculo:

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Lateral ponteada:

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Começando a tomar forma:

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Ajustes na tampa traseira. Pedi ao Agnaldo o mais próximo de Kombi, com proporção de Fusca. Então serão duas tampas, com as devidas trancas e saia traseira de Kombi, facilitando a manutenção e eventual retirada do motor:

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O para-lama tem dado muito trabalho, pra poder ficar alinhado com o dianteiro. No fusca ele tem uma ‘puxada’ pra traseira, fechando no motor. No Fuskombi ele tem que ser reto e curvo ao mesmo tempo:

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E daqui pra frente as mudanças visuais não causam tanto impacto, começou a parte de arrematar os detalhes e reforçar a estrutura.

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Até andou:

Partindo pros detalhes, trabalhou-se o ‘curvão’ da Kombi, tirando o lugar das lanternas do modelo 92 e deixando liso, pois o Fuskombi usará as lanternas da Kombi vovozinha:

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Reparem no tamanho do trabalho no para-lama: 

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Atualmente o projeto está nessa fase, com o Agnaldo trabalhando nos tempos livres e alguns sábados do mês. O próximo passo é finalizar as caixas de rodas, fechar as soldas das laterais e das tampas, fazer as tampas internas do motor e os arcos estruturais (parecidos com aqueles originais da Kombi). Voltaremos na Parte 3 do Project Cars 464 com essas partes finalizadas e fora da oficina do Japa, pois combinamos o serviço até este ponto, tanto pelo custo quanto pelo tempo dele em ocupar uma vaga de sua oficina. 

Por Eduardo Basques, Project Cars #464

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