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Project Cars Project Cars #334

Puma GTE 1800 1975: a história do Project Cars #334

Fala galera do FlatOut! Tudo certinho? Em primeiro lugar gostaria de agradecer a votação que eu recebi no meu projeto. Fiquei bastante feliz com a quantidade de comentários que recebi em relação à Amarelinha. Bom, a partir de agora vou começar a contar a saga da Amarelinha, desde sua chegada, o anos que passamos juntos antes de sua (longa) estadia no UTI, até chegar ao estado que hoje se encontra.

Mas antes eu vou tentar contar de uma forma reduzida, de onde vem minha paixão por carros… ou qualquer outra coisa que tenha rodas e motor.

Foto 1 - Meu primeiro -carro-

Meu nome é Mark Seifert, tenho 26 anos, moro de Cotia, na grande São Paulo e acredito que a paixão por carros já corre a um tempinho na família, e o grande responsável por isso é meu avô, Sr. Alfons Seifert. Ele, natural de SC, se mudou no final dos anos 50 para São Bernardo do Campo, berço das indústrias de automóvel aqui no Brasil. Nos anos 60 trabalhou por diversos anos em montadoras, numa época romântica das indústrias automobilísticas, quando os chassis recém-saídos da VW iam rodando pela Via Anchieta até a fabrica da Karmann Ghia, onde seriam montados. Outros tempos. Sendo ele descendente de alemães, nada mais natural do que ele ter ido trabalhar na VW, certo?

Errado!

 

Durante os anos de indústria automobilística, meu avô trabalhou na Toyota, na linha de montagem do jipe Bandeirante e também na Willys Overland do Brasil, onde ele atuava diretamente na linha de montagem dos Jeeps, inclusive participando das festividades do Jeep numero 10.000 fabricado no Brasil.

Os anos se passaram, meu avô parou de atuar na indústria automobilística, mas a paixão por carros nunca havia sumido. A garagem da casa dele vivia cheia de carros que ele mesmo reformava. E por lá passaram diversos modelos, desde Fusca e Corcel, passando por até mesmo um Volvo e um Skoda da década de 50.

Foto 6

E eu, na minha infância, sempre via esses carros na garagem, desmontados, passando pelo processo de reforma, e eu ficava maravilhado com tudo aquilo, funilaria, mecânica, elétrica, montagem, enfim… processo completo.

Mas o meu gosto por carros antigos estava apenas nascendo.

Os anos passaram, meu avô sofreu um AVC que impossibilitou ele de ter uma vida normal, e eu não tive muita oportunidade de compartilhar junto com ele a minha paixão por carros antigos, mas mesmo assim, a cada encontro que eu ia, a cada carro diferente que eu via, mais eu era infectado pelo vírus da ferrugem.

Tá, mas e o Puma?!

Vamos agora a historia da Amarelinha, ou melhor, Branquinha, pois essa era a cor dela quando chegou até em casa… E de maneira um tanto quanta curiosa.

O ano era 2002, eu tinha 12 anos de idade. Era uma madrugada de Junho quando eu, meu irmão e meus pais voltávamos de um jantar na casa de amigos na região de Cajamar. Na época, meu tinha uma Parati ano 2000. Voltando pela Via Anhanguera, o carro começa a pipocar, perder potencia, e como consequência, paramos na estrada e aguardamos um guincho. Por ser quase 2:00 da manhã, o guincho deixou eu e minha mãe em casa, enquanto meu pai e meu irmão iriam levar o carro para casa do nosso mecânico de confiança. Como estava muito tarde, ao chegar em casa, eu obviamente peguei no sono e dormi o resto da noite. Mas a surpresa veio ao amanhecer. A garagem da casa onde eu então morava ficava de frente pro meu quarto, e quando eu abri a janela de manhã eu dei de cara com ela.

Foi paixão a primeira vista, fui como um tiro até a garagem, e nem bom dia eu dei para os meu pais e fui direto apreciar aquele carro. Um Puma GTE 1600 1975, do famoso modelo chamado de “tubarão” devido as entradas de ar logo após as janelas laterais. Fiquei maravilhado com aquelas linhas esportivas, a altura do carro, a posição de dirigir. Embora eu ainda não alcançasse os pedais.

Foto 9

Agora você deve estar se perguntando: Ok, mas esse Puma saiu de onde?

Meu pai costumava se reunir com alguns amigos na logo depois de sair do trabalho, e um desses amigos tem uma loja de carros, onde tinha esse Puma à venda. O dono da loja estava um dia reclamando dos negócios que iam meio devagar, e de uma pessoa que olhou o Puma e ficou de dar uma resposta se compraria ou não, mas que no final acabou desistindo do negócio. Uma noite, o pessoal estava todo reunido, e com algumas latinhas de cerveja a mais nas ideias, começaram a debater sobre isso, quando meu pai lança uma proposta:

Meu pai: – Eu compro esse Puma!

Dono da loja: – Eu duvido!

Meu pai: – Eu dou R$ 5.000!

Dono da loja: – Faça o cheque então se você tem coragem!

E foi assim que a Branquinha passou a ser propriedade do meu pai. E ela ficou guardada, sem o conhecimento de ninguém em casa, até o dia da quebra da Parati.

A primeira ida com ela pra casa também se deu de forma curiosa, por que logo após de deixar a Parati na casa do mecânico e pegar o Puma para ir para casa, meu pai acertou um buraco e estourou o pneu. Na hora de trocar o pneu, cadê a chave de roda?

Mais uma vez ligaram pro mecânico, que por sorte ainda estava acordado e assistindo um jogo da copa do mundo, pra socorrer eles e enfim chegarem em casa.

Não preciso dizer que minha mãe ficou super contente com a aquisição (só que não), mas aceitou numa boa, uma vez que já tínhamos um Jeep Ford 1974 original do exército na garagem (mas isso é outra história).

Foto 10

E assim, os anos passaram, eu sempre que possível curtia o carro junto com meu pai, íamos para encontros e passeio com ela, em 2003 meu pai acabou comprando outro Puma, um GTC conversível 1981, e com isso revezávamos os brinquedos nos passeios.

Com o passar dos anos, passei a alcanças os pedais da Branquinha, conseguindo assim aprender a dirigir nela aos 14 anos. Todo final de semana eu e meu irmão inventávamos uma desculpa para lavar os carros e consequentemente dar umas voltinhas, cada um em um Puma. Sempre dirigia ela com bastante cautela, mesmo porque, qualquer deslize significaria perder o carro.

Mas isso não significava que não havia emoção, pois uma vez eu e meu irmão tivemos que guardar os carros rapidamente na garagem, pois um vizinho havia chamado a policia, achando que nós estávamos andando muito rápido pelas ruas do bairro… Culpa dos Kadronzinhos barulhentos.

Em 2007 eu entrei na faculdade, para cursar aquilo que sempre havia sonhado em cursar: Engenharia Mecânica. E como em breve eu faria 18 anos, eu iria querer usar o carro para ir em passeios e afins. Então conversei com meu pai e decidimos que a Branquinha seria minha, e que iríamos encostar ela para uma reforma, antes de eu poder usa-la em sua totalidade.

Então em Abril de 2007, após um dia de aula na faculdade, chego em casa, e ajudo a Branquinha a subir no guincho para ela seguir até a oficina onde ela seria toda desmontada, revisada, pintada e montada para que no fim do ano eu pudesse rodar com ela.

Mas às vezes nem tudo corre do jeito que nós planejamos… E assim se inicia a época onde eu fico aguardando por sete longos anos até poder rodar com ela de novo.

No próximo post eu conto um pouco das histórias da funilaria, como a reforma se tornou uma restauração e também das coisas que tive que aprender na marra durante um processo dessa complexidade.

Muito obrigado a todos pela leitura, e até a próxima!

Um PumAbraço!

Por Mark Seifert, Project Cars #334

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