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FlatOut!
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Pergunta do dia

Qual é o melhor esportivo para se ter como daily driver?

Daily driver é um dos inúmeros termos em inglês que os brasileiros adotaram para falar de carros, mas você já sabia disso. O que você provavelmente não sabia é que a gente estava se perguntando algo aqui no QG do FlatOut: qual seria o melhor esportivo para uso diário?

A razão para que esportivos não sejam os melhores daily drivers do mundo é óbvia: por mais que sejam bons para a pista, eles não têm o conforto e a praticidade que a maioria de nós quer no dia a dia. Estamos falando de carros que já nasceram esportivos – cupês e roadsters capazes de levar, no máximo, duas crianças pequenas atrás.

Mas você já parou para pensar no motivo pelo qual isto acontece? Para explicar, temos que falar da “teoria do cobertor curto”.

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Na verdade não é bem uma teoria, e sim uma metáfora, mas isto não vem ao caso. Imagine que você é alto (se você já for alto, não precisa imaginar, obviamente) e te colocam para dormir com um cobertor bem menor do que o ideal. Se cobrir só as pernas, vai passar frio nos braços. Se cobrir só o tronco, vai passar frio nas pernas. Se cobrir a cabeça, vai ser difícil respirar e você vai passar frio no corpo inteiro (é por isso que ninguém dorme assim). O negócio é comprar um cobertor maior.

É a mesma coisa quando uma fabricante faz um carro. Se for um popular, ele vai trazer diversas medidas para conter custos, usando materiais baratos, sacrificando desempenho para melhorar o consumo e abrindo mão de equipamentos. Se for esportivo puro-sangue,: o acerto da suspensão vai priorizar a performance em desempenho do conforto, o motor potente será bem mais gastador e a ergonomia será mais voltada à pilotagem, o que certamente compromete a usabilidade no dia-a-dia.

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Existem, contudo, esportivos que conseguem aproveitar ao máximo o tamanho do cobertor, encontrando equilíbrio entre esportividade e praticidade. Para nós, um dos melhores exemplos é o Porsche 718 Cayman.

Normalmente, carros esportivos (especialmente os de motor central-traseiro) são grandes, baixos e têm balanços longos. São coisas que, na cidade, atrapalham bastante: é difícil achar vagas para estacionar, raspa-se em valetas, lombadas e buracos e, no trânsito, a sensação de que os outros carros vão lhe esmagar não é das melhores. O acesso ao interior também pode ser complicado, dependendo do formato e da abertura das portas, e tentar enxergar o caminho quando se está andando de ré é uma missão quase sempre emocionante.

Um vídeo que nunca fica velho

Com motor potente, é natural que o carro beba mais combustível. Financeiramente, isto não pode ser problema para quem pode comprar um esportivo, mas o incômodo de ter que abastecer com muita frequência também afeta quem tem dinheiro. Não apenas isso: aquele monte de supercarros em chamas que volta e meia aparecem na internet ilustram bem o que acontece quando você coloca um supercarro em um congestionamento intenso: a produção de potência também produz calor. Muito calor.

O cupê de motor central-traseiro da Porsche é um belo exemplo de como a engenharia atual conseguiu “esticar o cobertor”. Além de ser um carro de dimensões relativamente compactas, com balanços curtos e suspensão que é baixa, sim, mas tem acerto mais complacente. A ergonomia não é tão comprometedora, e as janelas são grandes o bastante para tornar a visibilidade aceitável em qualquer situação.

O ronco também é bem agradável de dentro do carro, sem ressonância em excesso, ainda que não seja tão rico quanto o do flat-6

A recente renovação do Cayman trouxe, além do nome 718 e dos novos painéis na carroceria, diversos aprimoramentos importantes. O maior deles foi o motor, que deixou de ser um flat-six naturalmente aspirado e agora é um flat-four biturbo. O downsizing, na verdade, tornou o Boxster um exemplo ainda melhor: mesmo sendo mais potente (no Cayman S, são 350 cv no motor turbo, contra 315 cv no motor naturalmente aspirado), o quatro-cilindros gasta menos: a Porsche fala em 12,3 km/l em percurso misto, enquanto o antigo motor conseguia 10 km/l. Isto sem falar na robustez mecânica de todo Porsche, característica que se aplica também ao 718.

Com o sistema ativo de regulagem dos amortecedores, o PASM, a Porsche também conseguiu um carro que se adapta facilmente a diferentes situações: a suspensão fica mais firme e baixa na pista e, para uso diário, pode ganhar até 20mm  e fica mais macia e confortável (claro, ainda até onde a suspensão de um esportivo pode ser). E tudo isto vale, também, para o 718 Boxster, seu irmão sem teto, como você pode conferir na nossa avaliação.

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Por estas e outras, o Porsche 718 é um carro que se sente à vontade na pista, na cidade e na estrada. Claro que ele tem suas limitações (como levar dois passageiros), mas é fato que consegue distribuir muito bem suas prioridades.

Agora, queremos as sugestões de vocês: qual é o esportivo mais apropriado para ser um daily driver? Como sempre, a caixa de comentários está aberta!

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